Saturday, November 10, 2007

Meu Reino por um Cavalo!

A frase do título deste post é de autoria de Shakespeare, quando escreveu sobre a batalha de Bosworth (1485), batalha esta que decidiria que seria o governante da Inglaterra. O rei Ricardo III perdeu este confronto para o conde de Richmond, onde se diz que na pressa por ter um cavalo para ir à luta e a falta de metal confabularam para que seu corcel não estivesse pronto, faltando pregos em uma das ferraduras. Assim, por um prego, se perdeu a ferradura. Por uma ferradura, se perdeu um cavalo. Por um cavalo, se perdeu uma batalha. Por uma batalha se perdeu um reino, e mudou a história. Por um prego.
Por isso que sempre tenho uma caixinha de pregos em casa, nunca se sabe.

De cavalos, corcéis, palafréns...

Um dos fatores interessantes do período medieval, feudal, idade média ou dark ages como também é conhecido, é o relacionamento estreito entre o homem e o cavalo. Não no sentido afetuoso, como é considerado hoje para animais domésticos e de estimação, mas como ferramentas decisivas no trabalho, no transporte e na guerra.
Os cavalos foram usados muito antes para guerra por os mais variados povos, dos árabes aos próprios romanos, que formaram as cidades que posteriormente ficariam conhecidas no período medieval. Mas foi neste último período que a cavalaria deixou de ser apenas uma extensão avançada do exército, e se configurou também como um valor social em tempos de paz; surgia a ordem da cavalaria.

No começo, as diferentes ordens da cavalaria seguiam um regime militar, com orientação religiosa semelhante às dos monges, com a missão de expandir território e avançar sobre os "infiéis". Por volta do século 13, os cavaleiros vinham das famílias nobres, eram detentores de cavalos e armaduras, e ingressavam nas diferentes ordens através de cerimônias religiosas. Estes cavaleiros se regiam por um código de conduta de honra, serviço e entre outras coisas, não fazer nada que possa desagradar a uma dama ou donzela. Surge assim o tal do amor cortês.

Cerimônias aparte, os cavaleiros não passavam a vida combatendo como se imagina, eles passavam longos anos em treinamento, servindo aos seus mestres e se especializando nas suas habilidades com as diferentes armas. Com o tempo, surgiram as justas, onde os cavaleiros podiam demonstrar seus talentos e conquistar honra e por que não, o amor de uma donzela para a qual defendeu suas cores, usando no braço um lenço oferecido por ela.

Fazendo um Cavaleiro

Os cavaleiros pertenciam à classe nobre e eram parte de uma organização militar, mas não todos os soldados podiam virar cavaleiros. Eram rejeitados aqueles que não tinham o equipamento, a riqueza ou o status para participar da ordem, mas mesmo assim pessoas de classes mais pobres que demonstrassem valor, coragem e aptidão poderiam ganhar a classificação para entrar na ordem. Embora eram muito incomuns, existiram também ordens femininas formadas por amazonas.
O treino começava muito cedo, quando crianças filhos de nobres eram deixados como pagens nos estábulos, aprendendo como cuidar dos cavalos, arqueria e uso de armas. Por volta dos 10 anos já podiam ser designados para acompanhar um cavaleiro na função de escudeiro, mas isso geralmente acontecia aos 14. Eles cuidavam das armas e os cavalos de um cavaleiro, enquanto aprendiam como lutar e se comportar em um grupo organizado de cavaleiros. Também escutavam as histórias de Arthur, Perceval, Lancelot e tantos outros cavaleiros épicos, com a intenção de educar sobre os valores para ingressar à ordem.
Aos 21 anos, eles eram nomeados cavaleiros. Antigamente a tradição apenas era um tapinha no pescoço, seguido de uma curta palestra sobre se conduzir com honra, coragem, talento, e lealdade. Foi depois do século 11 que veio toda a cerimônia religiosa patrocinada pela igreja, onde garantiam um lugar no ceú para quem voltasse das cruzadas com honra. Com o tempo, esta cerimônia ficou cada vez mais elaborada, incluindo uma noite de vigilia na igreja vestindo roupas simples, mostrando humildade perante Deus. A espada era benzida pelo padre, que quando oferecida devia ser beijada no punho, que geralmente tinha referências religiosas.

Torcida Organizada

Houve uma infinidade de Ordens de Cavaleiros, cada uma estabelecida com uma ideologia. Teve as que enfatizavam mais sobre humildade, piedade, e outras que pregavam determinados valores de honra. Os nomes eram bem originais, como "Os Escudos Dourados", "Os Cavaleiros Angelicais", "O Falcão Branco", e por aí vai. Meu destaque vai para a "Ordem dos Cavaleiros Escravos da Virtuosidade e o Amor Fraterno". Como comentei acima, teve ordens de amazonas, mas infelizmente não localizei referências aos nomes; como fato histórico, uma delas defendeu Tortosa na Espanha da invasão moura em 1149.

Entre as mais conhecidas Ordens, entram a dos Hospitaleiros, os Templários e os Teutônicos.

Hospitaleiros, ou Cavaleiros de São João de Jerusalém, foi a primeira ordem de monges. Eles vestiam batina preta com cruzes em branco, moravam em um mosteiro que podia receber até 2000 convidados, e ainda com espaço para cuidar dos feridos e doentes. Hospitalidade era a premissa desta Ordem, e criaram várias organizações dedicadas a este fim em diversos países da Europa.
Os templários surgiram no século 12, com o fim de proteger os peregrinos. Adotaram as regras dos monges beneditinos, e suas vestimentas eram brancas com cruzes vermelhas. Eles se propagaram muito pela Europa, e no século 14 correu o rumor de corrupção e heresia entre seus membros, o que levou o rei Felipe da França a perseguir os participantes da Ordem, prendé-los em prisão e torturá-los para obter confissões, onde finalmente eram condenados à morte.
Os Cavaleiros Teutônicos compunham a terceira e última grande Ordem de cavaleiros. De origem germânica, tomavam os votos de pobreza, castidade e obediência, e vestiam branco com cruzes pretas. Participaram de várias guerras, conquistando território principalmente na Prússia, e foi também durante a guerra que esta ordem foi virtualmente aniquilada pelos Poloneses e Lituanos durante a batalha de Tannenberg, em 1410.

Heráldica (ou "meu escudo é beeeeeeem melhor que o seu...")

Os escudos de armas, as cores e combinações designavam a casa ou Ordem dos cavaleiros. Em uma época onde poucos conseguiam ler ou escrever, a heráldica (arte do desenho dos escudos, associada à linhagem ou árvore genealógica) distinguia os membros nobres da sociedade.
Inicialmente somente reis e membros altos da nobreza podiam portar um escudo de armas, mas com o tempo isto foi estendido aos cavaleiros.
Dentro da família, o filho mais velho herdava o escudo de armas da família, onde os filhos mais novos podiam efetuar pequenas alterações para suas próprias famílias. Ainda assim, existiam regras muito estritas para a divisão de um escudo na sua arte. Inicialmente, as famílias partiam de cores fixas, que podiam alterar-se ou misturar-se quando uma cidade jurava lealdade a um reino ou governante. Muitos escudos eram enfeitados com animais reais ou mitológicos, e o toque final dado por algumas famílias era um texto, considerado o "grito de guerra".

Obrigado pela leitura, até a semana que vem!

Saturday, November 3, 2007

O Cavaleiro Sem Nome

Leitura Dinâmica

O Cavaleiro sem Nome é o primeiro livro dentro da saga chamada Graal, escrita por Christian de Montella. Encontrei pouquíssima por não dizer nenhuma informação na internet sobre o autor deste livro; nada diferente do que diz no próprio livro sobre o autor, que nasceu em 1957 e fez de tudo como profissão antes de escrever.

Este foi o livro que li em menos tempo sobre lendas arturianas, depois do caderninho chamado "Os Cavaleiros da Távola Redonda", resuminho da Ediouro dos contos de Thomas Malory, que nem pode ser chamado de livro pelo curto que é.

O livro tem um formato pequeno, pouco maior do que um pocket book, e traz um pequeno mapa no começo (que basta olhar no começo), a historia dividida em muitos capítulos curtos (de umas 10 a 15 páginas cada um) e após um total de 320 páginas, uma referência ao vocabulário.

Nos tempos do filme do "Código Da Vinci", tinha uma corrida maluca no meu trabalho para ler o livro. Todo mundo se convenceu de ler o livro antes de vir o filme, e eu decidi fazer isso após um colega me dizer que leu em um par de dias, que o texto era muito rápido, por assim dizer. Eu li o código Da Vinci em três dias, diretamente no computador. De fato, é um livro rápido de ler.

Quando "O Cavaleiro sem Nome" caiu nas minhas mãos, folhei o livro rapidamente e percebi que seria a mesma coisa por causa do formato; muitos capítulos curtos, ação rápida, livro pequeno e letra grande, com bordas generosas em cada página (porque tem livros que aproveitam até o último milímetro do papel, hehe). Assim, na semana passada, decidi falar do livro sem ter lido nada dele ainda, e me obriguei a ler o livro em 4 dias, coisa que fiz sem stress. Foram aproximadamente 80 páginas por dia, lidas em menos de uma hora cada dia.

Mais do mesmo?

Sem querer estragar a surpresa de ninguém nem bancar uma de "spoiler", história do cavaleiro sem nome já foi contada neste blog com seu nome original, "O Cavaleiro da Charrete". Christian de Montella fez um apanhado de diversas lendas arturianas, e as misturou para compor seu livro.
O fio base da história já é conhecido por vocês; um cavaleiro cujo nome não é revelado procura a rainha Guinevere, por quem está loucamente apaixonado, e faz as maiores proezas em nome desse amor, acompanhado por Gawain. Este cavaleiro salva a rainha do sua prisão por Meleagant, passando pela ponte da espada e desafiando-o a uma justa. Este amor não é correspondido pela rainha por causa da humilhação na charrete no conto original, e por causa de um feitiço neste livro, mas não foge muito desse fio.

Traduzindo do meu jeito

Uma coisa que me deixou bastante intrigado do livro foi o jeito em que os nomes dos personagens foram alterados. Em praticamente todos os casos, os personagens ganharam sutis diferenças nos nomes, acrescentando uma letra ou substituindo outra, mas sem muita dificuldade para descobrir o nome original. Por exemplo, temos Garvain, Meleagrant, Baudemagus, e por aí vai. Não entendi exatamente os motivos para isso, mas é uma curiosidade que não ia deixar de registrar.
Outra coisa bastante comum neste livro (fugindo ao texto de Chretien de Troyes) é usar um nome para uma colocação diferente. Exemplo:

Versão Original, Chretien de Troyes:

Meleagant: Filho do rei Bandemagus, de caráter traiçoeiro e vil, quem leva a rainha e mantém prisioneiros os forasteiros no seu afastado reino.
Bandemagus: Rei das terras distantes, de caráter nobre e cavaleiresco, recebe calorosamente Lancelot após atravessar a ponte da espada.

Versão do Christian de Montella:

Meleagrant: Rei de Gorre, terra distante que mantém prisioneiras as pessoas na sua terra. Cavaleiro expulso da ordem de Arthur por falta às leis da cavalaria.
Baudemagus: Feiticeiro e conselheiro de Meleagrant, dominado por Morgana.


Tempero diferente

Embora já conhecia a história por outras leituras, este livro agrada por misturar várias histórias, e relacioná-las à lenda-base do charrete.
O começo do livro mostra a morte do rei Ban, e a dama do lago (Vivian) levando seu pequeno filho para as terras do lago, onde é criado como o Eleito, que poderá concluir "A Busca". Merlin, filho do diabo, foi conselheiro de Uther-Pendragon, mas foi afastado dele por Vivian quando Arthur ainda era pequeno, e hoje é prisioneiro de Vivian.
Arthur nasceu do amor proibido entre Uther e Igraine; a filha legítima de Igraine tomou rancor de Uther, e mais ainda de Arthur, seu meio-irmão. Com ele teve um filho na cerimônia sagrada do Gamo (como conta As Brumas de Avalon), filho este que seria a ruina de Arthur; o nome da criança era Mordred, e foi criado por Morgana para ser o Eleito na "Busca".
Lancelot participa neste livro da lenda do rei pescador, história muitas vezes contada como a lenda de Perceval. Outras adição curiosa no livro são os nomes de Erec e Enide, que na lenda original são um romántico casal, e aqui são dois cavaleiros da távola redonda. Por falar em távola redonda, este livro coloca como origem da mesma o próprio graal, muito antes de Uther, Igraine e do próprio Merlin.
Os motivos para Guinevere se aborrecer na vitória de Lancelot sobre Meleagant também são outros, menos cavalheirescos e mais femininos: o ciúme. Lancelot dormiu com outra convencido que se entregava a Guinevere em sonhos, mas o que chegou aos olhos da rainha foi o que aconteceu de fato, e mesmo sem ter nunca falado nada de amor com Lancelot, sentiu ciúmes e o aborreceu.
O livro é cheio de fatos mágicos, encantamentos e ilusões, coisas que não aparecem tanto nos textos de Chretien, mas que dão um gostinho novo às histórias conhecidas.

A história sem final

Chretien de Troyes não colocou em versos o final da história, mas passou isso para outra pessoa como contei para vocês faz um tempinho. Isto parece estar fardado ao conto da charrete.
O livro não tem final, pelo menos não um final conclusivo. Como o autor escreveu outros 3 livros na saga graal, isto não me espanta tanto, mas esperava um desfecho menos "Lost", por assim dizer. Ficaram coisas demais em aberto para meu gosto, por ser o primeiro livro. Acredito que o primeiro livro de qualquer saga tem que dar uma noção de para onde a história vai apontar, mas tem que fechar e concluir o que se propôs contar para dar ao leitor a sensação de tarefa cumprida.
Por colocar um autor completamente diferente neste aspecto, Bernard Cornwell escreveu duas trilogias sensacionais, onde cada livro tem um desfecho completo, e somente menciona o que poderá vir, como uma viagem para procurar uma pessoa, a volta ao lar ou o surgimento de um novo inimigo. Na saga de livros do soldado Richard Sharpe, cada livro é separado, mas conta as aventuras do mesmo personagem, e a evolução dele desde soldado raso até cargos mais importantes com uma linearidade admirável, mesmo com os livros dando desfecho a cada história. Ainda estou juntado coragem para falar da trilogia do Rei Arthur, porque são três livros enormes, e não sei nem por onde começar sem ficar chato :-)

O cavaleiro sem nome é um bom livro para leitura rápida, e provavelmente compre os outros para comparar o texto de Montella com o que já conheço. Se assim acontecer, haverá novos posts para contar a experiência.

Bom feriado aos brasileiros e bom fim de semana para o resto! Até a semana que vem!

1K Day

Obrigado a todos os que ajudaram com suas visitas em fazer este blog atingir 1000 hits hoje. Quem diria, hein? Não é exatamente um blog fofoqueiro para chegar nesses números, e ainda os posts são semanais, com o que não tem um fluxo exagerado no meio da semana. É o interesse e amizade de vocês que me faz procurar, estudar e escrever da maneira mais completa e detalhada e amena os fatos que circundam as lendas arturianas. Sejam eternamente bem-vindos!

Gracias de corazón!

Saturday, October 27, 2007

Discurso Corporativo

Na hora do cafezinho...


-Vai demorar muito na reunião?
-Não, são só 40 slides no Powerpoint.

Estava aqui eu, sem assunto para o blog (na verdade, nem era falta de assunto, era mais falta de estudo sobre o que queria falar), e decidi dar uma olhada no google para ver que links achava no Brasil sobre o Rei Arthur. Não mudou muita coisa desde que comecei a postar, ainda posso me considerar o texto mais completo e detalhado sobre lendas arturianas. Em alguns casos, existem até textos interessantes, mas sempre apontando a espiritismo, druidismo e outros "ismos".

Não é com a intenção de fazer propaganda nem nada, mas caí no site de uma empresa de palestras corporativas, daquelas que borrifam todo o jargão corporativo como:


  • Procurando novos desafios
  • Metas estratégicas
  • Valor agregado
  • Excelência operacional
  • Paradigmas, targets, score-cards based, key holders...

Sempre achei uma sofisticação desnecessária, afinal enrolar o discurso geralmente aponta mais falta de conteúdo do que talento na eloqüência. Não há palavras novas, apenas definições rebuscadas. Eu passo mais tempo lendo as entrelinhas desses discursos do que prestando atenção, mas tem gente que acha bonito.


Então, esta empresa organiza atividades para grupos, como corridas de carrinhos, balonismo, paintball (?!?!), e entre tantas coisas, eles criaram um evento sobre o Rei Arthur. Quando vi o vídeo não sabia se rir ou lamentar pelo chute no fígado. Os atores até que fazem um trabalho legal, mas me imagino rindo da cara de todo mundo ao ouvir coisas tão descaracterizadas como por exemplo:


(Merlin)- Não seja assim Mordred! As lideranças do século 21 brilharão pelos seus principios, não pelo carisma.


(Lancelot)- Porque um verdadeiro lider sustenta uma parede (O QUEEE????)


(Cavaleiro X)- Concordo, nós não temos uma boa liderança, nossa parede sempre está caindo (MAS ELE QUER UM REI OU UM PEDREIRO????)



Parei de ver o vídeo no meio, digamos que foi quando meu espanto diminuiu. Eu já fiz dois posts comentando sobre a popularidade da lenda arturiana, mas isso já é um abuso! Queriam brincar de cavaleiros, tá ótimo, mas precisavam pegar o Arthur para isso?
O Rei Arthur é um dos maiores símbolos de liderança, o que explica o motivo da escolha. Um rei admirado, querido pelo seu povo e seus cavaleiros, e respeitado pelo seu carisma. Mesmo assim, foi ferido de morte por um dos seus próximos, traído pela mulher e o império dele ruiu com sua morte. Belo exemplo corporativo, né? Tenho certeza que todo lider empresarial espera um final desses...



Semana que vem: O Cavaleiro sem Nome

Sunday, October 21, 2007

Dark Age of Camelot

Nota 1: Estou com uns rolos pessoais que me deixaram desanimado, e por isso o post deste fim de semana vai ser curto. Mesmo assim, espero que curtam ele tanto quanto eu em fazé-lo.

Nota 2: Mudei o vídeo (21/10/07 20:17), simplesmente arrumei umas coisinhas nas legendas e acrescentei uma subliminal no fim, hehe... Além disso, botei alguns links que esqueci. Definitivamente não estou com a cabeça no meu normal.

As Aventuras de Wallaceth

Pegando carona nas telinhas do Diablo II do post anterior, venho contar que andei jogando o Dark Age of Camelot, um jogo online que pega os tempos obscuros que viriam após a morte do Rei Arthur. Avalon cai sob o dominio de invasores, a lenda se mistura com as lendas celtas e nórdicas, e Albion (o país onde fica Camelot) ganha novos aliados e inimigos.

O nome acima é o nome do meu personagem, um Inconnu atualmente no nível 20 e pouco, e que deve chegar em algum momento ao nível 50 (o maior dentro do jogo). Ainda estou conhecendo o mapa, os poderes e os comandos do teclado, mas estou pegando a manha do jogo.
Conheci uma turma boa de jogar, um clã conhecido como Master Raiders. Eles me convidaram para jogar junto, e graças a eles conheci um monte de cenários que ainda não poderia conhecer por causa de meu nível. Digamos que quase me levaram de mãos dadas.
A graça de jogar em turma é a coordenação de um grupo: há atacantes, defensores, pessoas que se encarregam de sarar as outras, pessoas que ordenam o grupo... é bem curioso, e ao mesmo tempo tem o gostinho de estar jogando com pessoas, o que torna tudo mais interessante.

O que tem isso tudo a ver com o rei Arthur? Vejam o vídeo.







Tive um esforço razoável para fazer as legendas; agora entendo pelo que passam as pessoas que fazem legendas de seriado. Posso dizer que finalmente escrevi uma, mesmo que para um vídeo curtinho.


Até a semana que vem!

Sunday, October 14, 2007

Como não fazer um filme arturiano

A Última Legião. Ainda bem que foi a última.


Marion já falou deste filme que vimos na semana passada, mas agora é minha vez, seguindo a deixa dela sobre imprecisões históricas e tal.
Falta de roteiro, falhas na atuação, escalação ruim de atores, nítida pobreza de cenários, coreografias e vestiários fazem de "A Última Legião" um filme lamentável. Paguei para ver, afinal é um filme arturiano, mas não passa de uma sessão da tarde. Pena, porque o trailer era realmente inspirador.

A intenção do filme é mostrar de onde veio a espada Excalibur, e mostrar que ela é anterior à lenda do rei Arthur. Mesmo quando o principal elemento do filme seja a espada, é visível a falta de esforço para levantar e movimentar todas as armas do filme; simplesmente são leves demais, e isso prejudica a credibilidade. É ridículo ver uma espada que tem praticamente o tamanho de um claymore irlandês ser levantado como nada por uma criança franzina.

Este filme pega o mesmo momento histórico de outro filme, "King Arthur". A diferença é que no primeiro temos um nítido líder carismático, que repele a invasão saxônica na batalha de monte Baddon. Já em "The Last Legion", temos um líder desinteressado, interpretado pelo namorado da Bridget Jones, e onde parece que todos os atores sabem desse seu passado nebuloso. Ao mesmo tempo, ele tem que aturar um pirralho que se acha superior a todo mundo, e que não é capaz de se defender nem de inspirar ao menos um sentimento de carinho para protegê-lo com motivo. Dá vontade de que ele caia nas mãos do inimigo, os Cotos (que tem a função de interpretar os bárbaros da vez).


Roma. A Cidade Mutante.

A capital do Império Romano atingiu uma população de mais de 1 milhão de habitantes, isso no século V. Pode não parecer muito, mas a próxima cidade em atingir esses números no mundo só conseguiu este fato no século XVIII. Era uma cidade suja, fedida, grande (que coincidência... parece onde moro hoje). Eles inovaram o comércio por terra com suas estradas, que tinham o detalhe de colocar pedras enormes aos lados do caminho para evitar que as carroças ficassem com uma roda pra fora, lamaceando a estrada inteira. Digamos que inventaram a lombada no acostamento.

Os erros que me incomodaram sobre Roma (especialmente considerando que Italia está entre os paises da produção) são basicamente estes:

A moradia do César era o lugar mais privilegiado da cidade. Ele ficava próximo ao Senado, onde longos debates aconteciam na presididas do governador supremo. No filme, após algumas cenas, você descobre que a casa imperial fica logo após o portão da cidade. Isto é um despropósito em vários aspectos:

- Segurança nula.
- Trânsito constante de mercadorias pelos portões.
- Distância até o Senado e o Coliseu, por não falar dos templos.

Outro erro terrível acontece em características mais particulares da cidade. De fato as casas tinham telhas, mas não eram de barro pré-moldado industrial:

- Cara, maneiras essas telhas da tua casa!
- Gostou? Comprei na internet. Entregaram e instalaram. Depois te passo o site...


Um Épico.

Todo filme que aspira ser um épico precisa de elementos marcantes, particularmente no quesito cenários. Como é de se esperar na falta de orçamento, esta é uma das falhas mais miseráveis do filme.
Começamos pela muralha de Adriano, de isopor pintado. Me lembra as obrinhas da minha infância na escola, com o fundo de papelão.

A falta de cuidado fica patente também no fundo azul cretino nos aquedutos romanos. Belíssimo render, pena que tão mal superposto à imagem filmada.

Sabe a sensação de já ter visto determinada cena? Isso se repete, isso se repete, isso se repete. Se repete. A Warner Brothers fez muito desenho animado assim, mas em filme fica estranho. Especialmente quando as cenas são de outro filme.

Lord of The Rings? Não. Aliás, para atravessar os Alpes ninguém precisa de bagagem. Dá para passar a pé na boa.

- Moleque, presta atenção. Essas são as montanhas do SSX3.
- Poxa, é mesmo!
- Legal né?


Inspiração.

Roube (quer dizer, inspire-se nos) cenários de jogos épicos, como Diablo II. Aproveite que é um jogo velho, jogado apenas por milhões de pessoas no mundo todo e com uma das comunidades mais ativas, tanto no site do autor do jogo (Blizzard) quanto em comunidades como o Orkut. Ninguém vai reparar no plágio.


Para quê parar com os cenários, se você pode também plagiar os personagens e suas fantasias??? Olha só essa amostra 3-em-1:

Temos 3 personagens. O guerreiro namorado da Bridget, um Merlin/Obi Wan/Pai-de-Santo, e uma mulher guerreira. O que temos no jogo? Exatamente os mesmos personagens.

Eu não podia deixar de mencionar o mantra repetido até o cansaço, "até o último suspiro" traduzido porcamente. Nada como uma singela homenagem ao "nós andamos" do 300 de Esparta.

Aliás, já copiado o cenário e as fantasias, por quê não as armas?? Imagina se ia deixar isso de fora... Olha só o Katar selecionado em verde, e o que nossa "assassin" está usando no filme:



É pura coincidência que tanto no jogo como no filme sejam duas personagens mulheres, com conhecimento de artes marciais, usem katars e armas a-la-Wolverine, e ambas sejam definidas como assassinas ou mercenárias? Eu não acho.

Resumindo...

A cara do Merlin no começo do post reflete bem a sensação do público.

"Hein?"

Ainda assim, o filme joga no fim apenas uma pontinha do que poderia ter sido, mostrando um jovem Arthur, acompanhado por Merlin como mentor, e com uma cumplicidade carinhosa entre eles. Essa curta cena que parece um extra do filme, logo no fim, mostra como esta outra criança consegue ser tão mais simpática, fazendo o público gostar dele quase de imediato.

Me resta esperar por um bom filme arturiano como foi Excalibur de 1978 ou as Brumas de Avalon (minissérie para TV), ou vou ter que virar diretor de cinema e fazer meu próprio filme. Seria muito legal que alguém pegue os textos do Cornwell, também mostrando um Arthur meio-romano no século V, e faça um filme à altura que as épicas histórias arturianas merecem.
Produtores: Parem de nos enrolar e façam logo um bom filme!!!

Eta feriado bom... O post só saiu hoje!!!




Saturday, October 6, 2007

Arthur é pop sim!!!

Para quem lembra de um dos meus primeiros posts, vai um bis atualizado. Estão rolando algumas coisas interessantes relacionadas ao rei mais justo como nunca houve outro...

Graal - O Cavaleiro Sem Nome - Volume 1


Livro de Christian de Montella, trazido ao país pela editora Bertrand Brasil. Mais um romance francês, porém escrito a bem menos tempo do que os de Chretien. Ainda não comecei a ler, mas parece um resumão de histórias arturianas, entre elas a do anão da charrete (que contei nos últimos dois posts), a do rei pescador, a famosa espada na pedra... Este é o primeiro livro de uma saga que já vai pelo quarto, mas fiquei sabendo dele somente agora. Não é de se espantar, afinal ao conferir a data do livro vi que foi impresso neste ano mesmo. Se achar interessante, vou atrás dos outros livros também.
Teve uma outra coleção, do T. H. White, que era quase um Harry Potter arturiano, com direito a coruja e tudo, mas achei muito fraquinho e preferi não continuar com a coleção (especialmente depois de me encantar com os textos do Bernard Cornwell, que não consegui abandonar). Lerei e falarei. Me aguardem.

Avalon High

Romance à la Bridget Jones, Avalon High pega carona na lenda arturiana da mesma forma que Artur e dona Guillotine fizeram na já comentada novela Pé Na Jaca. Acho que o nome da novela correspondeu às minhas expectativas, mas isso não vem ao caso.
Acho bem pouco provável que venha ler esse livro, pelo menos em formato livro (ele também foi publicado em formato mangá, que pode render alguma coisa interessante). Mas para não ficar em nada, vai a resenha que vem na contracapa do livro, copiada de tudo quanto é site de venda online que fez o mesmo com a capa:
Avalon high' pode não ser exatamente o lugar onde Ellie gostaria de estudar, mas até que não é tão ruim assim. Uma escola americana normal, freqüentada pelos mesmos tipos de sempre - Lance, o esportista; Jennifer, a animadora de torcida; e Will, o presidente da turma, jogador talentoso, bom moço... e muito charmoso! Mas nem todos em 'Avalon high' são o que parecem ser... nem mesmo Ellie, como ela logo vai descobrir. Depois de um esbarrão durante uma corrida no parque, os destinos de Ellie e Will parecem estar irremediavelmente entrelaçados.

Ela começa a notar uma série de estranhas coincidências entre o seu cotidiano e a lenda do Rei Arthur - nomes similares, triângulos amorosos, sociedades secretas - mas qual seria seu verdadeiro papel nessa história? Como em Camelot, estariam seus novos amigos fadados a um trágico destino? E pior, o que ela pode fazer para impedir que uma profecia milenar se cumpra mais uma vez? Misturando fantasia, história e romance, Meg Cabot acerta mais uma vez.

Será que acertou? Aliás, acertou o que mesmo??

Interessante também a troca da arte de capa (afinal, aqui tinham que colocar o "Lance" jogando bola), e a omissão do resto do nome, "Coronation: The Merlin Prophecy". As editoras tomam decisões curiosas as vezes. Tudo bem, esta é a capa do mangá.

Para sentir o gostinho, vai uma página.

The Last Legion


Ah, épicos... Novo filme nada divulgado, ainda em cartaz, conta a história do último emperador romano que foge para uma ilha, onde conhece um mentor ao melhor estilo Obi Wan Kenobi, uma guerreira e uma lenda sobre uma espada na pedra.
O trailer é muito empolgante. A crítica massacrou o filme, mas não estou nem aí para isso. Vou pagar para ver, e depois conto para vocês se chorei de emoção ou de raiva.

Somente não entendi porque o site oficial do filme é russo...

Sim, post curto este... afinal meu exagero da semana passada deve ter cansado a turma, quando percebi o texto estava enorme, hehe!