Saturday, December 22, 2007

Érec et Énide: Parte 2

Nota: Este post vem como continuação da Introdução ao conto de Eric e Enide (Parte 1).

O Cervo Branco

No dia da Páscoa, no novo tempo, o rei Artur reuniu a corte em seu castelo de Cardigan. (...) Antes de despedir a assembléia, o rei anunciou que queria caçar o Cervo Branco, para reviver o costume. Isto não agradou a sire Gawain. Assim que ouviu as palavras do rei, disse:

- Sire, de tal caça ninguém vos agradecerá nem dará graça. Sabemos todos que quem mata o Cervo Branco tem o direito de dar um beijo na mais bela jovem da vossa corte. Respeitar esse uso pode dar azo a grande confusão, pois há bem aqui quinhentas damizelas de alta linhagem, todas filhas de reis, belas e recatadas. Cada uma tem por amigo um cavaleiro. Ele pretenderá, com ou sem razão, que sua amiga é a mais bela e a mais gentil.

- Bem o sei - respondeu o rei. - Mas nada do que disse mudarei. Palavra de rei não deve ser contestada. Amanhã cedo partiremos todos caçar o Cervo Branco na floresta aventurosa. Essa caça será mui maravilhosa.

No dia seguinte, logo ao alvorecer, o rei levanta. Veste uma cota curta para ir à floresta. Manda acordarem os cavaleiros, aprestarem os cavalos de caça. Tomam das armas e das flechas. Afastam-se rumo à floresta.

Atrás da tropa de cavaleiros vinha a rainha, em companhia de uma dama de honra que montava um palafrém branco. Seguia-as um cavaleiro chamado Eric. Era da Távola Redonda, e tinha grande renome na corte. (...)

- Senhora - diz ele -, se vos apraz cavalgarei ao vosso lado neste caminho. Vim apenas para estar junto de vós.

A rainha agradeceu:

- Caro amigo, sabei que aprecio muito vossa companhia. Melhor não posso ter.

Então eles cavalgam a bom passo e na floresta entram direto. Os que estavam na frente já haviam levantado o cervo. (...) Correndo à frente de todos eles, o rei presidia a caça, montado em um cavalo espanhol.

No bosque, a rainha Guinevere escutava os cachorros, tendo ao lado sua aia e o cavaleiro Eric. Os que haviam levantado o cervo logo ficaram tão afastados que nada mais se ouvia, nem trompa nem cão nem relincho.

(...) Viram então aproximar-se um cavaleiro armado, escudo ao peito, lança em punho. À sua direita cavalgava uma jovem de belo aspecto e diante deles, em um grande rocim, vinha um anão trazendo na mão um chicote com nós. A rainha, que os avistara de longe, estava curiosa de saber quem eram o cavaleiro e a jovem. Pede à aia:

- Damizela, ide dizer àquele cavaleiro que venha até mim e traga a jovem.

A aia vai diretamente até eles, mas o anão grita-lhe:

- Damizela, o que procurais aqui? Não tendes por que ir adiante!

- Anão - diz ela -,deixai-me passar! Quero falar a esse cavaleiro! É a rainha que me envia.

Mas o anão se atravessa no caminho. E grita novamente:

- Para trás! Para trás! Não tendes o que fazer aqui! Não tendes o que dizer a tão grande cavaleiro!

A aia sente grande desprezo por um ser tão pequeno que ousa lhe falar assim. Avança, tencionando passar à força. Mas o anão ergue o chicote para lhe bater no rosto. Ela se protege com o braço. O anão lhe açoita a mão nua; açoita também a outra mão, que fica toda vermelha. Quando a aia vê que não há recurso, recua e vai embora. Com o rosto banhado em lágrimas, volta para a rainha. Esta diz então:

- Eric, caro amigo, estou agastada por esse anão ter ferido a minha aia. O cavaleiro é um mal homem permitindo que tal canalha batesse em tão bela criatura. Eric, ide até o cavaleiro e dizei-lhe que venha prontamente. Quero conhecê-lo, e também à sua amiga.

Eric pica de esporas e galopa em linha reta. Ao vê-lo chegar, o anão corre à sua frente.

- Para trás, vassalo! Que vindes fazer aqui? Afastai-vos, eu ordeno!

Mas Eric responde:

- Antes foge tu, anão horroroso! Deixai-me passar!

(...)

Eric empurra o anão que, furioso, chicoteia-o tão forte que as correias marcam-lhe o pescoço e o rosto. Eric bem sabe que nada ganharia em matar o anão, pois vê adiante o cavaleiro em armas, cheio de maldade e arrogância, que o ameaça:

- Se bateres em meu anão, te mato!

Loucura não é coragem, e Eric afasta-se, agindo com muita sensatez.
- Senhora - diz à rainha -, eis que sofri ultraje inda maior! Aquele anão horrível golpeou-me tão forte que me tirou a pele do rosto. Não o ousei tocar nem ferir. Ninguém deve censurar-me, pois estava sem armas. Aliás, o cavaleiro senhor do anão não teria permitido e seguramente me mataria. Mas quero jurar-vos que, tão logo possa, vingarei minha desonra ou a tornarei ainda maior. No momento as minhas armas estão longe demais. Não contava precisar delas e deixei-as em Cardigan quando partimos esta manhã. Se ora as fosse buscar, jamais conseguiria alcançar aquele cavaleiro, pois ele se afasta a bom galope. Mas vale que o siga de perto ou de longe, até que me emprestem ou aluguem armas que me convenham. Então o cavaleiro me encontrará aparelhado para o combate. Senhora, sabei que, sem falta, nos bateremos tão duramente que um de nós terá de ser vencedor. Espero estar de volta dentro de três dias, o mais tardar. Então me revereis no castelo, não sei se contente ou dolente. Não posso tardar mais. Preciso seguir o cavaleiro. Vou-me, e a Deus vos recomendo.

A rainha autoriza-o a partir e recomenda da mesma forma, creio que mais de quinhentas vezes, para que do mal Deus o proteja.

Sir Wally de Moema resume a história neste ponto, contando que todos menos Eric voltam para Cardigan. Com o cervo abatido, a discussão se inflama e todos discutem (a toa) quem é a mais bela. A rainha lembra a todos que Eric não voltou da caçada, e foi trás o cavaleiro para recuperar sua honra perdida. Por este motivo, o beijo do costume fica adiado por três dias ou até a volta de Eric, o que acontecer primeiro. Continua agora o texto de Chrétien de Troyes.

Durante esse tempo, Eric ia seguindo em todos os caminhos o cavaleiro armado e o anão que o havia chicoteado. Chegaram diante de um burgo muito bem sitiado, sólido e belo. Entraram diretamente pela porta.
(...) Assim que avistam muito ao longe o cavaleiro que conheciam - mais o anão e a donzela - toda a gente vai ao seu encontro. Saúdam-nos e felicitam-nos, mas não fazem o menor caso de Eric, que não conhecem, ao que parece. Este segue passo a passo o cavaleiro pelo burgo, até que o vê albergar e fica mui satisfeito com isso.
Prosseguindo um pouco no caminho, vê sentado em um degrau um vavassalo de certa idade, dono de bem pobre morada. (...) Eric considerou que esse bom homem o poderia sem dúvida albergar. Passou a porta, entrou na casa. O vavassalo correu atrás dele; e antes que Eric dissesse uma palavra, saudou-o:

- Gentil sire - disse ele -, sede bem-vindo se em minha casa vos dignais albergar! Eis a casa que vos espera.
- Agradeço-vos - respondeu Eric. Necessito de uma casa por esta noite.

Eric desce do cavalo. O próprio sire o toma e puxa pelas rédeas. Ele faz as honras a seu hóspede. Chama a mulher e a filha., que trabalhavam em uma sala de costura, não sei em qual trabalho de agulha.
A dama saiu, acompanhada da filha que vestia uma fina camisa de abas, branca e plissada, por cima do camisão branco. Não usava outra roupa, mas o camisão estava tão puído que tinha furos nos lados. Pobre era a roupa por fora, mas belo era o corpo por baixo.
Ela saíra da sala de costura. Ao ver o cavaleiro, manteve-se um pouco atrás, e porque o via pela primeira vez teve pejo e enrubesceu. Eric, por seu lado, abismou-se ao ver tão perfeita beleza.
O vavassalo disse à filha:
- Bela e meiga filha, tomai este cavalo e levai-o ao estábulo com os meus.
(...) Depois volta ao pai, que lhe diz:
- Minha filha querida, tomai pela mão este senhor e fazei-lhe grande honra.
A filha obedece de bom grado. Toma o senhor pela mão e o conduz para lhe fazer as honras. A dama fora na frente para bem adornar a casa.
(...) Depois que cearam a gosto e deixaram a mesa, Eric fez uma pergunta ao seu anfitrião o dono da casa:
- Dizei-me, gentil anfitrião, por que vossa filha traja roupa tão pobre e vilã, ela que é tão perfeitamente bela?
- Gentil amigo - disse o vavassalo -, pobreza faz mal a muitos e estou entre eles! Dói-me ver a minha filha tão pobremente trajada. Não o posso remediar. Tanto estive sempre em guerra que perdi toda a minha terra. Tive de a vender ou empenhar. Entretanto, a minha filha estaria bem vestida se eu tivesse sofrido que ela aceitasse o que lhe queriam dar. O senhor desta terra a teria belamente adornado e cumulado de todos os bens possíveis, pois o dito senhor é conde. Não há nesta região barão dos mais ricos e mais poderosos que a não tivesse de bom grado tomado por esposa, com meu consentimento. Mas espero inda melhor partido. Deus lhe reserva maior honra que lhe traz a aventura: rei ou conde aqui virá que a seu país a levará. Haverá sob o ceú um só deles que se envergonhe da minha filha, que não tem igual no mundo? Ela é muito bela, mas seu recato sobrepuja ainda a beleza. Deus não fez criatura com mais senso nem de coração mais franco. Quando a tenho junto a mim, o mundo não vale um caracol! Ela é meu prazer, meu lazer, meu solaz e meu conforto e minha fortuna e meu tesouro. Nada conheço que seja tão belo como seu corpo.
Após ouvir seu anfitrião, Eric perguntou-lhe de onde era toda aquela cavalaria que tão numerosa viera ao burgo que não havia rua tão pequena nem casa tão pobre que não estivessem cheias de cavaleiros e damas e escudeiros.
- Gentil amigo, são os barões desta terra e das redondezas que vieram, jovens e velhos, para a festa que acontecerá amanhã. Haverá grande algazarra quando estiverem todos reunidos e quando, diante dessa multidão, um belo gavião de cinco mudas, talvez seis, o melhor que conseguirem, for colocado lá em cima, sobre uma vara de prata. Quem o quiser possuir deverá ter amiga bela e recatada e irreprochável. Se houver um cavaleiro bastante audaz que pretenda para sua amiga o renome e o prêmio reservados à mais bela, diante de todos ele a fará pegar o gavião na vara, caso nenhum outro se oponha. Permaneceu aqui esse antigo costume, e é por isso que vêm tantas pessoas.
Após essa fala, Eric assim pede ao vavassalo:
- Gentil anfitrião, se não vos aborrece e se o sabeis, dizei-me: quem é esse cavaleiro com armas azul e ouro que ora passou por aqui? Junto dele cavalgava uma donzela encantadora e adiante um anão corcunda.
Responde o anfitrião:
- É quem terá o gavião, pois nenhum cavaleiro ousará opor-se. Não, não haverá rotos nem rasgados. Ele o conseguiu dois anos seguidos, sem ter encontrado desafiante. Se desta vez obtiver o pássaro, o terá ganho para sempre. Dele será o pássaro, doravante todo ano, sem contenda nem peleja.
Diz Eric vivamente:
- Esse cavaleiro, não gosto dele! Sabei que se eu tivesse armas lhe disputaria o gavião! Gentil anfitrião, rogo que me ajudeis a aparelhar-me de armas, velhas ou novas, feias ou belas, pouco importa.
O anfitrião responde:
- Tenho boas e belas armas que de bom grado vos emprestarei. Lá dentro está a loriga de malha tripla que foi escolhida entre quinhentas, e as perneiras brilhantes e leves. O elmo está polido, luzente, e o escudo tinindo de tão novo. Cavalo, espada e lança vos emprestarei também, podeis ter certeza!
- Agradeço-vos, caro anfitrião, mas não desejo melhor espada além da que trouxe, nem outro cavalo além do meu. Dele me valerei bem. Se emprestardes o restante, será bondade mui grande. Mas quero pedir ainda uma cousa, pela qual vos serei reconhecido, se Deus me der de retornar com a honra da batalha.
- Pedi com toda segurança o que vos apraz. Nada do que tenho vos faltará.
Então Eric diz que quer reclamar o gavião para a filha do seu anfitrião, pois realmente não haverá na assembléia jovem bela com um centésimo da sua beleza. Se a levar consigo terá razão certa e segura de pretender e mostrar que com o gavião deve ficar. E acrescenta:
- Senhor, não sabeis qual hóspede haveis albergado, sua condição ou classe. Sou filho de um rei rico e poderoso. Meu pai é o rei Lac, Os bretões me chamam Eric. Pertenço à corte do rei Artur. Mais de três anos permaneci junto dele. Não sei se até esta terra chegou o renome do meu pai ou o meu. Mas prometo que, se me quiserdes aprestar com vossas armas e confiar vossa filha, amanhã conquisto o gavião! Então, se Deus me der a vitória, levarei vossa filha para meu país. Farei com que ela porte coroa. Será rainha de dez cidades.
- Ah, caro sire, é mesmo verdade? Sois Eric, o filho de Lac?
- Sou sim.
O vavassalo sente grande júbilo:
- Ouvimos falar de vós nesta região. Muito vos amo. Sois bravo e audaz. Jamais vos desacolherei. Apresento minha querida filha, inteira a vossas ordens.
Pegou a filha pelo pulso.
-Tomai - diz ele -, ela é vossa!

Curiosos? Amanhã tem mais...

Sunday, December 16, 2007

Érec et Énide: Parte 1

Mais uma, ou a primeira de muitas?


Chrétien de Troyes disse que os séculos conservariam a lembrança de Érec et Énide "enquanto perdurasse a Cristandade". O valor desta obra reside em compor o primeiro romance do ciclo arturiano (bretão), literatura que marcaria presença na Europa durante vários séculos. Estes romances foram traduzidos para todas as línguas meridionais, germânicas, escandinavas... até no Oriente podemos encontrar traduções destes textos.
Dentro da literatura francesa, esta é a primeira obra de fato reivindicada por Chrétien como de sua autoria. Isto acontece de um jeito interessante no texto: Ele se vangloria como autor, se definindo como "um erudito", menosprezando os jograis que vivem "do penoso oficio de contar histórias". Com isso, ele não está se gabando, apenas mantendo uma tradição da antigüidade e pagando aos jograis com a mesma moeda, que debocham dos escritores incapazes de atrair a atenção de um auditório.
Da mesma forma que acontece com Lancelot, Yvain e Cliges, este romance foi inspirando em um conto galês, pegando carona em lendas da Bretânia e Armórica, e pelo lado celta, de Câmbria e Cornualha.
O conto galês que falei acima começa assim:

Artur tinha por costume de reunir sua corte em Carlion-sobre-o-Osk. Ali a reuniu sete vezes na Páscoa e cinco vezes no Natal, e mesmo às vezes no Pentecostes, pois seu reino Carlion era a cidade mais acessível por terra e por mar...

Já o conto francês do Chrétien:

No dia da Páscoa, no tempo novo, o rei Artur reuniu a corte no seu castelo de Cardigan. Homem jamais vira corte tão rica...

A semelhança é gritante, mas para alguns pesquisadores, na verdade ambos os contos são contemporâneos, e tem por fonte um outro conto mais antigo, perdido no tempo.
A diferença substancial entre ambas as histórias é no lado cavaleiresco, romántico. O conto de Chrétien usa e abusa do lado romántico para explicar e dar motivos aos fatos, enquanto o conto galês e mais... como a vida é , por assim dizer.
Um bom exemplo disso dentro do conto é a caçada ao cervo branco, promovido pelo rei Artur entre seus cavaleiros, na floresta próxima ao castelo. No conto galês, o prêmio é "a cabeça ensangüentada do animal", enquanto no romance francês, o cavaleiro vencedor da caçada teria o direito de indicar qual a jovem mais justa, que ganharia um beijo do rei (tradição que começou com Pendragon, pai de Artur). Logicamente, todos os cavaleiros desejam honrar suas damas, portanto se dedicam na caçada para ganhar este destaque para suas respectivas amadas. Quem ganha o beijo é Enide, a pedido de Erec.
A história deles é cheia de romance, e de confusões. Em vários episódios as intrigas e mal-entendidos ocasionam desgosto entre os amantes, mas finalmente após penar bastante eles se reencontram, se descobrem novamente.
É uma historia demorada de contar, e por isso vou estendê-la por mais uns posts. Conforme o tempo que tiver, vou publicando aos poucos, para quem não conhece a história e gostaria de ouvi-la.

Então, algum dos meus leitores já ouviu o conto de Erec e Enide? Comentem!

Sunday, December 9, 2007

Happy Times

Arthur pede a mão de Guinevere


No fim do ano, o casamento chegou. O grande salão reuniu cavaleiros, damas e donzelas de nobre coração, que mais tarde desejariam a sorte da noiva achando seu par ou conquistando a sorte da velha tradição: o que passou pelas mãos da noiva é recolhido pela donzela de maior sorte, ganhando assim a benção para que sua união não se faça esperar até o inverno.


As carruagens se juntaram do lado de fora, até se perderem de vista. Alguns convidados vieram de terras distantes, para poder compartilhar a cerimônia com o mais novo casal.
A alegria reinava no ar. Os convidados chegaram até o grande salão, onde o banquete aguardava. Os deuses sem dúvida abençoaram esta união, pois os ventos anunciavam bons agouros.

Casamento de Arthur e Guinevere

Poderia ser uma história arturiana, como o casamento do rei Ban e Helen, de Uther e Igraine ou mesmo de Arthur e Guinevere, mas esta pequena introdução é para homenagear a meus amigos de blog, fãs do Cornwell e amantes de gatos que uniram suas vidas no santo sacramento do matrimônio.

Desejo a eles através deste post, a maior das felicidades: Renata ap Jorge et Marli, Gabriel ap Claudio et Soraya, que vossa união seja abençoada!

PS: Marion está bem, mas ainda preciso dos 140 minutos... até a semana que vem!

Tuesday, December 4, 2007

Procuram-se 140 minutos

Então, para quem leu os comentários dos posts anteriores, Marion anda ruimzinha da saúde. Logicamente, isso tem mudado as minhas prioridades, e por isso o pseudo-abandono ao blog. Comecei a assistir Excalibur, filme que acho sensacional pela honestidade na história. Passa por todos os estágios da lenda, desde o começo com o nascimento de Arthur como filho de Uther e Igraine, graças às artimanhas do Merlin. O filme não tem grandes pretensões, e acho que isso faz dele tão interessante. Entre as cenas do começo, temos um ótimo exemplo de um castelo sitiado, com direito a catapultas, óleo quente e o melhor das engenharia bélica medieval. Só que preciso de 140 minutos para terminar de assistí-lo. Prometo voltar ao assunto, assim que ver o filme como corresponde :-)
Então, só para passar um pouco menos batido no quesito blog, vai uma pequena homenagem aos doentinhos, gripadinhos e espirrantes de plantão.
A medicina medieval devia ser medonha. Encontrei pouca informação "blogável" como referências à horóscopo, plantas medicinais e etc., mas em compensação algumas imagens imperdíveis caíram na minha mão. E como meu esporte tem sido descolar legendas incomuns, vão os comentários. Falando em comentários, obrigado mais uma vez pelo apoio incondicional!


- Chefe, chegou esse goró.. vai aé?
- mas é bão pra tosse, uai?
- ô.. esprimenta...




- Diga "Ä"
- hein? AGGGHHH...
- tua garganta tá ruim, viu fio?


Mais balela ainda nesta semana. Me desejem 140 minutos. Até!

Saturday, December 1, 2007

Quick Post

Videoteca

Oi gente, comentário rápido hoje. Estou na busca do santo assunto para postar, e por isso vou assistir uns filminhos do arquivo pessoal, aproveitando o frio e o estoque de pipoca.

Enquanto isso, leiam, vejam filmes, curtam o fim de semana; o post deve sair hoje a noite ou no máximo amanhã.

Tchüss...

Sunday, November 25, 2007

Sitiados!!!

Fechou o tempo

Pode parecer estranho, mas acho que as batalhas perderam o romantismo com o surgimento da pólvora em forma de armas de fogo, por assim dizer. Tem até um ditado que diz que "com a invenção da pólvora se acabaram os valentes". Bom, eu acho que as batalhas de fato mudaram por completo, como também as estratégias.

Hoje quero falar da minha visão dos grandes sítios, das batalhas onde um exército se esforçava por invadir uma fortaleza, e onde os soldados guarnecidos nela se esforçavam por defendê-la.

Por fim a noite chegou. Uma hora atrás, a chuva atrasou o trabalho dos engenheiros, que para variar nunca parecem satisfeitos. As vezes, até parece que fosse de propósito.

- Mais para a direita!
- Não está alinhado!
- Não, Não, Não! Seus imbecis! Estão fazendo tudo errado!

Não percebem que apenas estamos seguindo suas instruções. Podíamos simplesmente largar eles sozinhos, mas são um mal necessário, ou não teríamos essas engenhocas.
A principio, achava que eles apenas eram covardes, que era
desonroso lutar sem lutar, mas com o tempo e a idade compreendi que o avanço deles é que faz todo o cerco possível. São eles que arrebentam as muralhas, que incendeiam as ameias, que ameaçam as torres e protegem a gente enquanto chegamos perto do fosso. E são eles que fazem as escadas e os arietes, que no fim das contas nos colocam dentro da fortaleza.

Passamos a tarde inteira erguendo, cortando e amarrando os troncos para dar forma as máquinas de sitio. Parecem monstros que saíram da floresta, com sede de vingança, apontando com raiva para os muros. Ao longe, mal podemos ver a fortaleza se preparando para nos dar as "bem-vindas".

Um cheiro terrível é trazido pelo vento, vindo do fosso. Os deuses não estão do nosso lado, disse um soldado, já que o vento está contra nós. Precisamos carregar mais o contrapeso ou diminuir a munição, o que nunca é bom. E ainda a cidade se livra do cheiro, que vem até aqui, querendo nos expulsar, como bons invasores que somos.

Alguns tocam nervosamente o cabo de suas espadas, rezando silenciosamente. Outros, sentados em roda, ficam em silêncio olhando as chamas crepitando nas fogueiras. Quem já passou por várias guerras, sabe bem como tudo pode virar do avesso a qualquer minuto.

- "Trebuchet"; disse o garoto ao meu lado, apontando ao castelo.
- "Isso é tua mãe." Respondi, sem saber o que ele apontava com esse brilho nos olhos.
- "É francês, senhor. Estou falando daquela torre de madeira, dentro das amuradas".

E o garoto estava certo. Estavam nos esperando. Enquanto nos passamos a tarde inteira preparando as catapultas, o inimigo ergueu seus trebuchets de defesa dentro do castelo. Eram máquinas terríveis, de um alcance muito superior ao que podíamos sonhar com nossas catapultas. Porém, temos a vantagem do movimento, enquanto o trebuchet é fixo. Se fizermos tudo certo, poderemos atingir suas defesas antes de que causem qualquer estrago nas nossas fileiras.

A hora estava chegando. As tropas formando, seguindo as ordens dos grandes senhores. A cavalaria aguardava pacientemente, tranqüilizando os animais mais novos, aqueles que ainda não conheciam o calor da batalha.

Começamos a marchar, para nos coloca
r em posição. Os engenheiros armam suas catapultas com as cargas de 15 quilos, e esticam as cordas ao máximo para medir o alcance.
A madeira e as cordas
gemem. As pessoas se afastam, e o engenheiro manda retirar a trava. O braço sobe violentamente, e lança a rocha pelos ares.
A catapulta inteira treme pelo impacto, e sai do lugar quase três passos. A rocha se projeta alto demais, e não chega nem perto das muralhas.
Mais um ajuste, a trava do braço é posicionada. A tensão é ajustada. E o vento mudou.

A catapulta sacudiu com força, e lançou mais uma rocha. Desceu assobiando, alguns passos após o muro. Nessa hora, soubemos que podíamos vencer.

Nota: Marion sempre me ajuda revisando os textos, buscando coisinhas que errei como bom gringo. Ela disse "vem cá, não vai colocar de que livro tirou isso?". Então, não saiu de livro nenhum. O texto é meu, e é o que gostaria de escrever no Nanowrimo, o dia que decidir participar. Indo mais a fundo, já disse uma vez que pelo jeito vou acabar escrevendo meu próprio livro arturiano. Quem sabe quando fizer 40 anos. Quem gostou, comente!


Trebuchet

O trebuchet é provavelmente o tipo mais antigo de catapulta. Inspirado nas cisternas (usadas para facilitar a coleta de agua em poços e lagos), o trebuchet usa um sistema de contrapesos para lançar objetos à distancia; sua munição mais comum eram rochas, mas não era estranho usar carcaças como munição para desmoralizar os invasores. No exemplo ao lado, é o corpo de um cavalo morto que serve de munição. Nada agradável.




Catapulta

No lugar de contrapesos, a catapulta usa a tensão de cordas para gerar a força que faz o braço subir. De construção mais compacta, a catapulta podia ser carregada, desmontada, transportada em barcos, montada novamente em terra firme e levada por animais de carga como uma carroça. De alcance menor ao dos trebuchets, sua vantagem era a mobilidade e velocidade de construção. Geralmente formavam o grosso da artilharia de sitio, arremessando cargas semelhantes aos trebuchets, e muitas vezes cargas incendiárias.

Ariete

Quase todos os filmes épicos tem um exemplo de ariete; um tronco de árvore suspenso em uma estrutura que é levada até o muro ou os portões da fortaleza, que balançada pela força de vários homens gerava um golpe maciço, concentrado em um único ponto, com a intenção de abrir uma brecha. O problema do ariete é que ficava do lado o muro, portanto os defensores jogavam banha quente, rochas e oleo acesso nos invasores. O ariete possuía um teto coberto geralmente com couro, para proteger seus operários, mas dependia muito do apoio externo (arqueiros e catapultas) para chegar perto e concluir seu trabalho.


Flecha-Foguete

No fim, vai uma arma que nunca existiu, mas que poderia ter definido o rumo das batalhas medievais: A Flecha-foguete.

Die, n00b!!! LOL!!



DIY

Ainda vou fazer um trebuchet em escala; quando fizer isso vou postar fotos e vídeos do troço em ação. Enquanto isso, quem quiser se adiantar, pode consultar estes sites:

http://www.redstoneprojects.com/trebuchetstore/treb_plans_1_1.html

http://www.knightforhire.com/catapult.htm

http://www.trebuchet.com

Para quem quer fazer da construção de trebuchets uma profissão de respeito, vão os links com as ferramentas:

http://www.algobeautytreb.com/

Vai que algum dia você precisa sitiar um castelo? Se for essa a situação, não saia de casa sem ter lido este howto da Universidade de Queens:

http://educ.queensu.ca/~fmc/march2005/siege.html

E quem quer apenas brincar, vai um jogo online muito legal para entender as forças que afetam uma catapulta.

http://www.forgefx.com/casestudies/prenticehall/ph/catapult/catapult.htm


Até a semana que vem, e boa diversão!!!

Saturday, November 17, 2007

Feedback

O Post que não é Post. Ou é?

Então, fim de semana, feriadão, alguns viajando, outros apenas acordando tarde, outros ganhando umas extras no trampo... e eu em clima de feriado também, desta vez até terça.

Entre meus planos, está estudar um pouco mais a fundo para os próximos posts. Sim, este blog requer de estudo, coisa que levo muito a sério. Felizmente, o resultado está aí, mais de 1000 visitas, os contadores crescendo, as visitas aumentando, e os comentários de gente amiga gostando, e encorajando a continuar. É por eles, mas também por minha dedicação e os resultado que vejo ao ler novamente post antigos, que digo para mim mesmo que a recompensa é muito maior do que o esforço.

Aos poucos, este blog levado bem a sério está virando o que visionei para ele: uma referência de consulta prática sobre estudos da lenda arturiana, e trazendo também informações sobre a vida no periodo medieval que podem ajudar a entender o contexto.

O último post falou sobre cavaleiros, como eram treinados, suas afiliações em ordens regidas por preceitos nobres, e o surgimento do amor cortés com eles como protagonistas. A palavra "cavaleiro" ganhou um novo sentido graças a estes costumes, do mesmo jeito que os "gentis" eram apenas estrangeiros. Como Pedrita falou, a origem das palavras é muito interessante.

A curiosidade da Renata passou para Marion, sobre como as plebéias eram tratadas pelos cavaleiros. Moças, os cavaleiros tinham uma orientação religiosa, eles sem dúvida matavam, mas respeitavam todas as pessoas tementes a Deus, especialmente os plebéus. Muitas ordens de cavaleiros praticavam o celibato... e por isso o estupro não tinha lugar, pelo menos entre suas fileiras.

Era comum que os cavaleiros fossem filhos de nobres, porém os plebéus que se destacassem por um ato nobre ou coragem excepcional em uma batalha, eram convidados para integrar as ordens de cavaleiros, portanto não havia preconceito de classes.

E sim, muitos cavaleiros se apaixonavam por plebéias, às que juravam defendé-las de todo perigo, e disputavam justas para honrar seu nome. Era o amor cortés, do jeito que as novelas contam.

Me apegando ao filme de maior sucesso por estas pampas nos dias de hoje, os cavaleiros não eram outra coisa que a elite de um exercito. Eram eles que entravam onde a infantaria não chegava. Eram eles que representavam a lei e a ordem de seus governantes. Eram eles, que nos seus grandes corcéis, amedrontavam os criminosos e ganhavam admiração dos homens, nobres e plebéus. O primeiro conto de T.H. White, "A Espada na Pedra", mostra um jovem Arthur que no bosque dá de cara com um cavaleiro, e cheio de admiração pela imagem de um homem brilhando na sua armadura polida que olha para ele do alto da sua montura, decide um dia se tornar cavaleiro. A vida o levou por outro rumo, no momento que tirou a espada da pedra e com isso selou seu destino como rei da Bretanha. Essa imagem e o impacto dela deve ter sido exatamete a mesma para todas as crianças que viam pela primeira vez um cavaleiro, e esse brilho se mantém até hoje, nos tantos espetáculos medievais, como o Medieval Times, as justas de Kaltenberg ou o Camelot Park.

Tudo isso veio dos comentários de vocês. Aliás: Andrea, não me esqueci de você.

Muita gente cai neste blog por buscadores. Eu não vou trapacear colocando termos para atrair pessoas; quero que quem caia no meu blog encontre exatamente o que procura. O que quer dizer trapacear? Por exemplo, se quando falar da Vivian, a Dama do Lago, começo com o título "Nua e molhada". Obviamente, sei que tipo de visita posso esperar depois disso.

Então, não me surpreende que quase todo mundo que aparece nas estatísticas do blog chegam por buscas bem específicas. Foram 243 visitantes em Outubro, dos quais 117 vieram por buscas na net, 115 usando o Google, e os outros dois desavisados via yahoo.

Vejam abaixo algumas das coisas que as pessoas procuraram:

O que me deixa feliz, é que encontraram o que buscavam.

E vocês, encontraram o que buscavam aqui? Pergunta do autor: De tudo o que escrevi até agora, qual foi para vocês o melhor post? Eu já tenho meus três favoritos, espero pelos seus! Bom fim de semana!