Monday, March 10, 2008

Wallaceth goes 50

For the ones that are visiting this blog for the first time, this is an extra, irregular post. This blog is about arthurian legends, publishing a new post every weekend. I’ve being studying arthurian legend as a hobby for several years (King Arthur, Excalibur, Guinevere, Merlin, Lancelot, the Round Table and so on). So, this blog talks about those legends, and according to my countless searches, seems to be the only reference in Portuguese with reliable content, going from the stories to movies and books reviews.


Knowing my interest in such matters, my sister-in-law gave me a videogame which name is quite suggestive and fits my legendary interests: Dark Age of Camelot. She bought it in the States, in a trip she made a couple years ago.

It took me a long time to actually try the game and start enjoying it, mostly because is a paid game, and such model is not popular here in Brazil. We lack completely of any kind of tech support regarding games. Probably the best example to show this is the fact that the original XBOX console was never sold by MS here, only through the black market (and the same goes for accessories and games). In the PC business, the things are a bit different, but it is quite clear for all developers that the market share of gamers that are able and want to pay for playing online is just too small.

Anyway, the fact is I’m playing DAoC for more or less 8 months now, and this weekend my toon (as we call the characters in-game) called Wallaceth reached level 50, the highest one available. But the best thing is this happened among friends.


Online gaming is all about meeting other gamers. Real people with real life, real husbands and wives, kids, dogs and cats. It is great to feel their friendship, to share happiness when a mission is accomplished, to raid together, bringing support each other.
Pushing, tanking, buffing, getting aggro, casting, healing. Behaving as a single, coordinated group. And laughing together when a circle of tombs remind us to call more people for the next raid.

Our guild received a proper name considering its origins: From The Ashes. A sad episode marked the end of our previous guild in the way we remember it, and a new, fresh beginning, with some members from the old guild and new people bringing a joyful mix. I play as the inexperienced one most of the times, after all this is my first MMORPG, my first toon and my first guild, but besides getting lost and killed for bad aggro a couple times, I think I learned a lot. And now thinking in which one will be my next toon. What our guild needs now? More healers? Casters? Pullers? Tanks, maybe? That will help me to decide. I do not think anymore like a single player, I think as a guild member. It is great to help, and be helped. It grows as a sense of community, and makes you looking forward for the next time you can join a group and encounter nasty red mobs clustered at the next corridor.

It is hard to put it in words (especially if we consider the fact that English is a foreign language for me), but all this time I spend playing DAoC gave me the chance to meet exceptional people, able to work as a team no matter the distance, language or even lifestyle differences. We are all in the same boat when online, and made of our guild a family. It is a feeling I can hardly describe.

No more introductions; as I promised online, watch the very unique moment when the slowest necro of all times reached 50:







Thanks to all my online friends which make this possible! Thanks for your friendship, I love playing with you all. Looking forward for our next raid!



Saturday, March 8, 2008

Matar Leões? Eu Invado Castelos...

Antes de começar (1), quero agradecer por aqui a quantidade de comentários recebidos, dicas, e-mails, toda essa troca de informação e opiniões que foram deixadas nas últimas semanas. Não arranjei tempo de responder no próprio blog, mas não ia deixar de agradecer a cada um pelo tempo dedicado a opinar.

Antes de começar (2), um muito feliz dia a todas as mulheres, afinal, é seu dia, ou não?

Agora sim: tudo surgiu como uma conversa informal entre colegas de trabalho, aí veio a idéia do post, escrevi e mandei por e-mail para alguns desses colegas. Agora esse texto finalmente chega ao blog, uns dias depois. Acrescentei algumas coisas ao mail original, para formatá-lo melhor ao blog, e arredondar melhor a idéia.

De certa forma, este post me faz morder a língua, já que não sou precisamente um fã do blah blah corporativo. E me peguei escrevendo um texto que se encaixa perfeitamente nesse critério.. ótima leitura, e aguardo os comentários!

Conquistando um castelo

Quem ia dizer que videogames podem ser ferramentas de desenvolvimento de talentos úteis no ambiente corporativo?


Faz aproximadamente 8 meses que participo de um jogo online, um MMORPG (Massive Multiplayer Online Role Playing Game). Para os que nunca ouviram falar, os RPG são jogos que representam uma situação real ou imaginária, e cabe ao jogador interpretar um papel dentro da história. Para o caso do MMORPG, a diferença consiste no fato do jogo acontecer pela internet e contar uma quantidade elevada de jogadores simultâneos. Geralmente, o servidor ao que me conecto costuma ficar na casa dos 200-300 usuários, chegando até 500 nos finais de semana. Para atingir números desse porte, obviamente falamos de uma comunidade internacional, com jogadores conectados de todas as partes do mundo.

Sem falar do nome, o jogo em que participo se baseia no período medieval. Três grandes reinos estão em conflito, lutando por território nas fronteiras. Cada reino tem características bem diferentes, servindo de pano para lendas arturianas, celtas e nórdicas, respectivamente. A geografia e raças do jogo representam muito bem as diferenças entre estes reinos, e seus vínculos com cada vertente lendária.

Como é de se esperar em um jogo com tantos jogadores, existe uma forte dependência nos talentos de outros jogadores. Cada tipo de personagem tem suas características, que tornam fundamental o trabalho em conjunto para cumprir as missões, os objetivos.

No domingo passado (2/3/2008) foi minha primeira incursão para invadir uma fortaleza, um castelo. Conversando pelo bate-papo do jogo, montamos uma equipe de 10 jogadores, e mais tarde outra equipe semelhante se juntou a nós na missão, que completamos com sucesso. Olhando de fora, parece simplesmente um videogame, mas temos várias lições para aprender deste jogo. A vitória que conseguimos sobre o castelo não foi apenas compartilhar o espólio, foi uma grande lição que mesmo muitas palestras de Recursos Humanos falham em comunicar.

Trabalho em Equipe

É impensável a possibilidade de invadir um castelo por conta própria; é indispensável a colaboração de um grupo jogando organizadamente para ter alguma chance de sucesso.

O interessante desta afirmação é como a sinergia do grupo surge naturalmente, e como a confiança dentro da equipe permite que cada membro trabalhe eficientemente.

Uma formação de ataque costuma seguir este padrão:

Na frente de ataque, ficam os jogadores com maior força física, os “tanks”. Estes jogadores têm somente uma responsabilidade, que é empurrar e guiar o ataque, sempre para a frente. Nesse frente de ataque, eles só precisam se preocupar com o ataque, e nada além disso, nem sua própria saúde ou vida. Atrás deles, entram os “healers”, com a função de manter a frente de ataque viva, seja carregando a saúde deles ou tirando efeitos negativos como envenenamento. Como força de apoio, entram feiticeiros que conseguem aumentar os talentos dos atacantes (buffing), e lançar feitiços que prejudicando os inimigos tornam o ataque mais eficiente.

Cada membro da equipe tem objetivos e responsabilidades claramente definidas. Fica muito evidente a dependência entre os participantes, e como o trabalho de cada um torna o ataque eficiente. É por este motivo que cada pessoa é inserida na equipe na posição onde seus talentos serão mais bem aproveitados.

Outra lição que aprendemos disto é a eficiência da comunicação. Olhando sob outro ângulo, uma equipe internacional consegue atingir suas metas, sem necessidade de reuniões presenciais, sem precisar se conhecer fisicamente. A comunicação eficiente não conhece fronteiras.

A maior lição que tiramos vem da próxima observação. Pessoas do mundo todo coordenam uma missão com um objetivo em comum, que é atingido graças ao trabalho em equipe. Cada pessoa se preocupa apenas com sua parte do projeto, contando e sabendo que não precisa se preocupar com o resto. É criada uma consciência coletiva, que determina como cada membro é dependente do esforço coletivo. Não posso fazer a missão sozinho, mas basta que cuide apenas minha parte.

Como mencionei acima, pouco depois de começarmos outra equipe se juntou a nós para colaborar na missão. Era uma equipe mista como a nossa, eficiente e consolidada. Por esse motivo o entrosamento foi imediato, e bastaram poucas frases para coordenar o ataque em duas frentes, juntar as forças no pátio do castelo (quando os portões finamente caíram) e concentrar o ataque no ponto principal, revezando ondas de “tanks”, “healers” e “casters” conforme o desgaste de cada um. Para cada membro tinha um substituto pronto para entrar quando precisar, sabendo exatamente o que fazer. Somente uma equipe entrosada consegue enxergar a necessidade do outro, e agir no momento certo.

Quando finalmente levantamos nossa bandeira na torre do castelo, todos nos juntamos no exterior, e começamos a repassar os espólios para uma única pessoa, um dos líderes do ataque. Esta pessoa contabilizou o total, e distribuiu eqüitativamente entre todos os jogadores. A vitória é de todos, e mais uma vez a consciência coletiva aparece mostrando que somente fomos capazes de atingir o objetivo pelo comprometimento e bom trabalho de cada um, sem importar sua função na equipe. O sucesso é coletivo.

Por citar outro exemplo de colaboração, é possível montar máquinas de sitio para invadir o castelo, como catapultas, logo eu que gosto tão pouco disso... Logicamente, ninguém consegue carregar uma catapulta na sua mochila, o que quer dizer que a catapulta deverá ser construída no lugar do ataque. Para que isso aconteça, é necessário que o engenheiro de “siegecrafting” (a arte de construir maquinaria de sitio) peça para os membros mais fortes da sua equipe trazer madeira, cordas, couro de animais, e ferro nas quantidades necessárias. Assim que todos os componentes foram recolhidos, no lugar do sitio, o engenheiro poderá começar seu trabalho, e durante este período é incapaz de se defender. Portanto, assim como a equipe depende do trabalho do engenheiro, o engenheiro depende da equipe não somente para trazer a materia prima, como também para fechar um círculo defensivo enquanto constrói a catapulta. A recompensa deste esforço coletivo é a “vantagem tecnológica”, capaz de virar completamente o rumo de uma batalha.

Depois dizer por aí que videogame é coisa de criança...

UPDATE1: Neste fim de semana devo atingir e nível máximo no meu personagem, o Nível 50. Os desafios não terminam por aí, é apenas o começo do "Path of the Champions"... Assim que conseguir, vou deixar um videozinho com o momento em que virar Lvl Fiftie..

UPDATE2: No link sobre o nome do jogo, tem como baixar o mesmo e jogar na faixa por 14 dias. É muito pouco tempo, mas dá para sentir o gostinho... Se alguém for baixar, recomendo baixar imediatamente os pacotes extras disponíveis de graça (acho que até o Catacombs), que mehoram muitíssimo o visual do jogo. A cada pacote foram atualizando o visual, as missões e a jogabilidade, portanto não tem nada a invejar dos jogos mais recentes...

Até a semana que vem!

Saturday, March 1, 2008

Nós não vamos pagar nada

Literatura grátis

A lenda arturiana, como é de conhecimento público, não é uma coisa nova. Isso tem uma conseqüência, e é que a maior parte dos textos originais estão livres de direitos. Quer dizer, eu não pago direitos ao autor ou herdeiros por livros escritos na época medieval, apenas pago pela cópia e custos de distribuição.

O que acontece então se alguém decide escrever o texto, original ou traduzido, em um meio que não envolva esses custos? Simples: temos material de leitura na faixa.

Le Morte D'Arthur, Edição de 1893 baseada na impressão de Caxton de 1485

Durante a procura de material da semana passada (mais precisamente referências sobre Sir Dagonet), cai no site Mars Hill Audio. Para minha surpresa, é um site cristão que promove a interação com a sociedade. Desde o ponto de vista de quem acredita em Deus, a proposta é ler e conhecer textos de várias origens e épocas, adquirir cultura por assim dizer "mundana", para com isso assumir uma visão mais abrangente e compreender melhor a sociedade. Achei uma proposta excelente, totalmente oposta à clássica visão de cristãos reprovando outras culturas e crenças.

Minha menção deste site acontece por um texto que baixei dele, uma compilação de apenas 9 páginas explicando as interligações que aconteceram nas histórias do rei Arthur, suas referências vindas do passado nas lendas celtas e como em determinadas passagens a igreja se envolveu para mudar o rumo da história. Texto muito bem redigido por Jonathan G. Reinhardt, sob o título de "The Matter of Britain: An Introduction to Arthurian Legend".

Uma obra muito conhecida e divulgada como referência da lenda arturiana é o livro de Thomas Malory, Le Morte D'Arthur. Este livro é fácil de encontrar na internet justamente pela questão de direitos de autor que comentei acima; um autor que trouxe à tona novamente o valor do amor cortês já eternizado nos textos de Chrétien de Troyes.

O livro de Malory foi dividido em dois enormes volumes, e graças ao esforço de pessoas dedicadas à divulgação de livros cujos direitos expiraram, ambos volumes estão disponíveis de graça no internet. A primeira referência sempre será o Projeto Gutenberg, um catálogo monstruoso de livros que se propõe digitalizar absolutamente todas as obras literárias.

Encontrei também os livros, organizados por capítulos ou como um arquivo único na Universidade da Virginia, portanto fica mais fácil achar um formato que agrade a cada leitor.

Le Morte D'Arthur no Projeto Gutenberg
Volume 1 e Volume 2

Le Morte D'Arthur na Universidade da Virginia
Volume 1 e Volume 2

Por falar em literatura livre, encontrei este site, quem sabe não encontrem alguma coisa interessante?

Até a semana que vem!

Saturday, February 23, 2008

Bobo da Corte

Daqui a pouco vou assistir um espetáculo, que inclui palhaços. Não sei o que as pessoas enxergam de engraçado neles, eu particularmente odeio palhaços. Acho medonhos... Uma pessoa fantasiada de maneira berrante, maquiagem exagerando os gestos, tem um tanto de aberração. Não sou o único que tem essa visão dos palhaços, afinal o Coringa do Batman e o Violator do Spawn não são outra coisa que palhaços revisitados. E medonhos.

Ainda assim, o palhaço é uma invenção bem antiga, e teve seu formato particular no periodo dos imperadores das dinastias chinesas, uns 1800 anos antes de Cristo. Com o tempo, foi assumindo formatos diferentes, sempre com a função de entreter. No periodo medieval, o formato popular do palhaço é o bobo da corte, que não era outra coisa que um artista encarregado de entreter o rei e seus convidados. Não era privilégio do rei contar com seu circo particular, a grande maioria dos nobres contavam com este serviço, em formas mais ou menos elaboradas. Muitas vezes, consistia mais em um humor inteligente, sarcástico, fazendo piadas dos fatos que ocorriam no momento. A velha piada de "bonita sua camisa, tem de essas para homem também?" é um exemplo do que se podia ouvir nos salões, depois do festim.

A corte do Rei Artur não foi esquecida, e também teve um representante da casta humorística. Seu nome é bem conhecido, porém nem sempre é descrito nessa função, e seus atos de heroísmo contrastam com sua profissão. Estou falando de Sir Dagonet, o bobo da corte.

Stultorum Plena Sunt Omnia
(Tem bobos em todo lugar)

Perdido na lenda celta, encontramos a primeira evidência em Lailoken (provavelmente uma deformação de "lalockin", traduzido como irmão ou gêmeo). É a história de um homem selvagem das florestas, e foi mencionado nos contos de St. Kentigern, para quem profetizou uma morte por apedrejamento, empalado e afogado (como em toda lenda, o impossível aconteceu). Em outro conto de Lailoken, ele conta para o rei que sua rainha é adúltera através de uma charada, e sua tripla morte acontece quando o rei entende o significado da tal charada.

Lailoken é descrito geralmente como um grande guerreiro que enloqueceu ao ver morrer seus homens em uma batalha que ele mesmo provocou. O rei de um dos lados, Rydderch, foi casado com a irmã de Lailoken, Gwenddydd (sim, com quatro "d"). Lailoken, profeta e bobo da corte de Rydderch, não somente começou a batalha, como supostamente até trocou de lado e chegou a lutar com seu cunhado.

Nosso já conhecido Merlin é provavelmente uma derivação da história de Lailoken, ou pelo menos ele influenciou a lenda do Merlin. Em várias historias sobre o Merlin (já no periodo arturiano) é dito que Merlin tem uma irmã gêmea chamada Gwenddydd, e a própria charada do Lailoken usa o nome de Merlin:

Pierced by a spear, crushed by a stone
and drowned in the stream's waters,
Merlin died a triple death.

Atravessado por uma lança, destruído por uma pedra
e afogado nas correntezas
Merlin morreu uma tripla morte.



Por outro lado, Sir Dagonet provavelmente nasceu da cabeça de Malory, já que não consta nenhuma menção anterior do seu nome na lenda arturiana. Por esse motivo, podemos dizer que Sir Dagonet nasceu junto com Le Mort d' Arthur, de 1470.
Dagonet aparece numerosas vezes nos contos arturianos: ele foi mandado para lutar contra um cavaleiro, somente para constranger o tal cavaleiro por lutar contra o bobo da corte. Em outra ocasião, Tristão afundou Dagonet em um córrego até a cabeça (Tristão estava na época meio chapado com o lance da Isolda...). Dagonet já se fantasiou de Lancelot para amedrontar o rei Mark de Cornwall, e o fez recuar de uma batalha. Ele é descrito como um covarde, mas quando sua esposa foi seqüestrada ele mesmo perseguiu o malfeitor o cobrou justiça com suas mãos, matando quem o ofendeu.

Essa imagem do Dagonet covarde vai de encontro com a visão que temos dele no filme King Arthur, onde Dagonet não somente é um valente cavaleiro, como se sacrifica em um lago congelado para que o resto da companhia possa fugir da exército saxão.

Será que o filme pegou carona na história de Lailoken, que foi um grande guerreiro até pirar de vez?


Saturday, February 16, 2008

Dever de casa

Compulsivo eu?

Apenas uns poucos anos atrás, era dificílimo encontrar livros arturianos. Aparentemente, além do meu interesse no assunto, outras pessoas também estavam com a pulga atrás da orelha. Tanto é assim, que já tivemos dois filmes, muitos livros (e que foram traduzidos ao português), e claro, seu blog de confiança :-)

Como nos começos tive tanta dificuldade para comprar material de consulta, hoje em dia não preciso pensar muito para comprar quase que qualquer livro que possa me ajudar. Geralmente, compro apenas o primeiro livro de uma saga, para ver se gosto do texto, e depois somente vou buscar os outros. Infelizmente isso não dá muito certo, salvo que consiga ler bastante rápido. As coleções de livros duram pouco tempo no catálogo das livrarias.
O livro "A Espada na Pedra", de T.H. White é um bom exemplo de compra individual. É o primeiro livro de uma saga com o promissor nome de "O Único e Verdadeiro Rei", mas me desapontei ao ver que era um texto demasiadamente infantil. Eis uma coleção que não devo completar, simplesmente por falta de interesse.
No lado oposto desse raciocínio, compro sem pensar qualquer livro do Bernard Cornwell. Simplesmente gosto muito do estilo narrativo dele como autor, e as traduções não tem magoado em nada a arte original. Belo trabalho, original e traduzido. Foi assim que coloquei nessa semana mais um livro na prateleira... Comprei o terceiro livro da saga das Crônicas Saxônicas, " Os Senhores do Norte".
Estou com um atraso enorme nas minhas leituras. É por isso que digo que as vezes as compras parecem compulsivas; compro livros que tenho certeza que vou ler, mas não sei quando. Só para sentir o clima, quantos livros dos que estão nas fotos resenhei até agora?

Resposta: Um, O Cavaleiro sem Nome

Resposta: Nenhum

Só para ajudar, quarta-feira vou no oftalmologista. Meu olho direito decidiu abrir o bico, e anda se irritando por qualquer bobagem. Idade? Conjuntivite? Alergia? Olho gordo? Saberei apenas no meio da semana.

Até a semana que vem!

Saturday, February 9, 2008

Cultura Inglesa

Quem tem TV a cabo pode curtir geralmente um leque enorme de canais, dos quais acaba assistindo no máximo quatro. Já pensamos no trabalho várias vezes sobre como seria se eu pudesse pagar apenas para uma emissora (como se fosse um contrato de conteúdo para esse canal), e assim reduzir os gastos. Mas uma coisa que com certeza ficaria muito chato é o zapping... já pensaram fazer zapping apenas com os canais de ar? Seria a mesma coisa. No fim, defendo o modelo de um contrato com zilhões de canais, é dificil não encontrar alguma coisa para assistir.

Ainda assim, tem coisas que não chegam até nós, como canais da America Latina, por dar um exemplo. Em situações como essa, acho válido buscar "outros meios" para assistirmos o conteúdo que queremos ver, afinal, quem produz um programa é para ser visto. Caçando coisas na rede encontrei uma minissérie muito legal, pelo menos no quesito histórico:

A History of Britain

Logicamente, esperava alguma menção mesmo que mínima da lenda arturiana, mas como o documentário é sério não pode se dar o luxo de incluir qualquer menção religiosa, épica ou lendária no contexto. Não tem problema, o seriado é ótimo mesmo assim, e com isso ganhou o direito de entrar como post desta semana.

Eis um documentário produzido entre 2000 e 2001, escrito e estrelado por um professor da universidade de Columbia, Simon Schama (que já ensinou em Oxford, Cambridge e Harvard). Com patrocínio da BBC e o History Channel, o Simon passeia durante cada episódio por lugares históricos, que conforme ele explica em cada parada tiveram influência drástica na formação histórica da Britânia, e posteriormente da Inglaterra.

Possui um formato de 15 episódios de 55 minutos cada, e assisti os dois primeiros por enquanto, "Origins" e "Conquest!". O primeiro vai desde os primeiros povos na ilha na idade da Pedra, passando por vilarejos, túmulos e construções monumentais como Stonehenge; pega carona no período romano, e conta o começo e auge da Bretanha Anglo-Saxã. O segundo episódio mostra o confronto dos reis medievais com invasores vikings, as intrigas e traições no período anglo-saxão e a passagem para a Bretanha Normanda.

No segundo episódio é exibido um tapete bordado de 70 metros, contando boa parte da história entre as disputas pelo reino de Britânia, a ameaça viking, e as intrigas que levaram a vitória normanda em terras estrangeiras, virando o mapa da Inglaterra para o lado continental, e esquecendo de vez suas origens e lealdade para com os povos nórdicos. Resumindo, conta os detalhes da invasão normanda de 1066. A imagem abaixo é apenas uma amostra do desenho, que se estende de ponta a ponta no "Bayeux Tapestry".


O que mais gostei do seriado é a capacidade do Simon Schama de ser didático; é muito conteúdo, muito bem apresentado, rico em detalhes, e sem exaltação. A proposta não é falar da imponência da Bretanha, pelo contrario, se apega ao pano de fundo que fez da Bretanha o que ela é. Cada momento histórico, cada batalha decisiva é comentada como ponto de pivô para os eventos vindouros, e justifica históricamente os conflitos entre diferentes povos e seus resultados.

Gimme More!!!

Como mais apoio histórico ao blog, ainda achei um livro da editora Longman, "An Illustrated History of Britain", de David McDowall. Por enquanto somente virei as primeiras páginas, e posso dizer apenas uma coisa: promete.

Pelo que folheei, abrange mais ou menos o mesmo período do seriado, desde Stonehenge até Winston Churchill. Belas imagens, muitas referências geográficas, e a necessidade imperiosa de um bom dicionário do lado quando a coisa aperta. Até agora sem problemas, mas o inglês britânico não é meu forte. Ainda bem que não é australiano...

Até a semana que vem!


Monday, February 4, 2008

É Campeão!!! É Campeão!!! A Lenda Arturiana Cai na Folia, A Justiça Da Lenda Medieval Nos Ensina A Viver Em Harmonia

Poxa... já pensaram se uma escola de samba decide usar a lenda arturiana como assunto do desfile? Eu já pensei. Na verdade, a idéia veio nesse fim de semana, porque em todos os carnavais meu senso crítico acorda para certas coisas dos desfiles. Eu sempre procuro o ponto de pivô em comum entre todas as escolas; geralmente é algum meio de transporte. Um par de anos atrás, todas as escolas falaram que "navegaram com os fenícios". Coincidência?

Enfim, a lenda arturiana é colorida o bastante como para render um ótimo desfile, porém não posso confiar nos carnavalescos no quesito exatidão histórica. Portanto, como já me disseram que eu daria um ótimo carnavalesco, abracei a causa e vou montar aqui, no blog, o desfile sobre o Rei Artur.

Comissão De Frente

Não podia ser mais óbvio... aldeões, olhando para distintos cavaleiros tentanto puxar a espada da pedra, sem conseguir. Do meio da turma de aldeões, surge uma criança, que consegue puxar a espada. Coloca a espada novamente na pedra, mais um cavaleiro tenta puxar, e novamente a criança mostra que é a escolhida. Todos reverenciam a criança, ela ergue a espada, todos se juntam, a espada volta para a pedra, e com passos coreográficos empurram a pedra para a frente, para repetir a seqüencia.

Porta-Bandeira e Mestre-Sala

Roupas medievais de gala, tecidos com desenhos de losangos em ouro e vermelho, e claro, um dragão se destacando no peitoral. Afinal, tenho que homenagear Uther Pendragon, pai do Arthur...

Alegorias

O mais apropriado para um assunto destes é desenvolver a história principal, pegar os acontecimentos mais marcantes da lenda e explorá-los em cada carro alegórico.
Em média, os desfiles de São Paulo tem 5 carros, enquanto os do Rio de Janeiro chegam até 8 carros. Minha escola não pode começar com a pretensão de desfilar no Rio logo de cara, portanto vamos assumir um desfile de São Paulo, com menos orçamento e menos tempo.

Limitado então a cinco carros, o que não posso deixar de mencionar?

A Dama do Lago, entregando Excalibur para Merlin
Arthur Rei, casamento com Guinevere (Castelo de Camelot)
A pulada de cerca de Guinevere com Lancelot
A Távola Redonda e a Visão do Graal
A Busca do Graal, e o sucesso de Galahad (Percival dependendo a versão)

Alegoria Bônus: O Desenlace da Luta entre Arthur e Mordred, com Arthur partindo para Avalon (spoiler!!) - Esta alegoria é bem discreta, como encerramento.

Samba-Enredo

Este ponto é difícil, mas como o improviso conta, posso simplesmente lançar algumas frases soltas para passar a idéia. O resto posso fazer até o carnaval do ano que vem.

Grande exemplo governava na Britania,
terra de nobres e encantos mil
esse homem inspirava as façanhas
que até hoje podemos ouvir (Ah! Meu Deus!)

A nobreza celebrou a descoberta
do jovem que filho de rei se revelou
A espada ele libertou da rocha
feitiço, obra do Merlim recebeu (ô ô ôooo...)

A magia pede passagem na avenida
A Lenda do Rei Arthur vou contar
O Rei da Britania em Camelote (detalhe para o "e" de Camelote!)
De Cavaleiros e Espadas vou falar

Enfim, acho que deu para pegar a idéia.

Fantasias

Nada mais lógico que ter alas com cavaleiros, donzelas, as justas, e pegar carona em tudo o que se diz medieval, como bardos cantores para a bateria. Nomes como Bors, Morgana, e outros não podem ser esquecidos, e podem se encaixar nos destaques da escola, entre uma ala e outra.

Promete, não é? Bom carnaval para todos!!