Saturday, April 18, 2009

The Arthur Companion

Blogar no fim de semana do feriado dá uma preguiça... vou deixar um comentário curto sobre o que estou procurando no momento, se acho mais informações que valham a pena trazer para o blog escrevo ainda no feriadão.

Já comentei para vocês sobre o baralho de RPG que comprei, o Camelot Legends. Desta vez estou caçando um livro, que embora não seja uma referência 100% serve para puxar assunto: o guia de RPG chamado "The Arthur Companion".

Este livro é, básicamente, um dicionário sobre a lenda arturiana. Ele menciona personagens, lugares e eventos, para servir de fundamento particularmente aos jogadores de RPG de mesa; a questão é que o livro ganhou dimensão maior ao usar referências conhecidas como os textos de Malory (na versão de Caxton, que é a que eu uso também) e algumas coisas do Chrétien.

Encontrei algumas críticas meio fuleras sobre o livro. O que colocam como principal defeito é ter usado como referência uma única fonte, e como isso não servir como verdadeiro guia dentro do mundo arturiano; mas eu acredito impossível consultar absolutamente todas as referências cabíveis, ainda se consideramos a diferença entre o Arthur lendário em todas suas fases (Nennius, Boron, Malory, Chrétien e tantos outros) e o Arthur histórico, já tão comentado em documentários recentes sobre as excavações em Tintagel e outros pontos da ilha británica.

Eu acho que o barato da lenda é esse, que dependendo quem você for ler, é possível encontrar outras versões do mesmo conto. O Rei Arthur já apareceu em textos como herói de cada ponto na Inglaterra, até de lugares que estiveram em guerra uns com os outros! Todo mundo precisa de um herói, uma referência, e o ideal arturiano de nobreza tem uma empatia que o torna fácil de cair na simpatia dos reis históricos, fazendo Arthur seu parente distante, parte da linhagem do seu próprio sangue. Assim, mito, lenda e realidade se misturaram muito, particularmente nos textos como o de Nennius, que mencionei acima, e em outro post.

Bom, voltando ao livro que estou buscando, é da autoria de Phyllis Ann Karr, autora de outros trabalhos sobre a "materia da Britania". A segunda edição do livro foi publicada pela Green Knight Publishing em 2001, e dá para conseguir algumas edições do livro pelos sites de fora que todo mundo já conhece.

Bom se acho alguma coisa sobre o conteúdo do livro que possa comentar, escrevo disso até o fim do feriado, senão, bom feriado pra cês e até a semana que vem!

Friday, April 10, 2009

Ah, Mulheres... e seus castelos

Achei o castelo, e não foi no google maps. Embora para ser sincero, até que poderia ter achado no google maps mesmo; o tal do castelo das mulheres não é outro que o castelo de Edinburgh.

O assunto é extenso, mas melhor assim; tenho muita coisa para contar hoje. Claro que não li tudo hoje nem muito menos pesquisei apenas hoje, mas foi o trabalho de uma semana. Espero curtam ler como eu curti escrever, onde tinha horas que ria sozinho...

Achei!

(Tirado do "Eleven Old French Narrative Lays") Edinburgh foi reconhecido logo cedo como o Castelo das Mulheres, tanto é assim que em 1142 o rei David da Escócia começou a utilizar este nome, Castrum ou Castellum Puellarum nos seus mapas em vez de Edenburge.
O Castelo das Mulheres foi mencionado por Geoffrey de Monmouth no Historia Regum Britanniae (classicão arturiano de 1135), e por Wace na sua tradução deste trabalho, no Roman de Brut:

E el mont Agned chastel fist / Qui des pucelles ad surnun.

O castelo teve upgrade para a categoria "lendário" nas mãos de Geoffrey, ao colocá-lo no papel de um lugar místico, ou mesmo como refugio, como apareceu nas continuações do Perceval (Wally explicando: O Perceval de Chrétien de Troyes ficou inacabado pela morte do autor, e outros escreveram vários finais. Esse conjunto de obras é conhecido como "Perceval Continuations"). O castelo aparece também no Le Bel Inconnu, Fergus, Yder, e no Queste del Saint Graal.

(Tirado agora do Sir Gawain) Inicialmente, é interessante perceber que o nome do castelo onde a dama é mantida refém é Castellum Puellarum (Castelo das Mulheres), que é um nome antigo de Edinburgh, como aparece nos documentos de 1142 (e assim Wally prova que consulta mais de uma fonte!). Edinburgh era a capital de Lothian, onde Loth e Anna governavam. Isso fez Anna a "Lady of Lothian", que em outras histórias aparece como Morgain, ou mesmo Morcades. A confusão entre estes personagens fez com que o conto da dama sitiada no castelo (o conto lindo, aliás), que originalmente era da Morgain, foi transferido para Anna, ou até mesmo para a mãe de Gawain, da qual nem se sabe o nome. Chegou a tal ponto que Morgain e Anna já foram identificadas como mães de Gawain.

Um tal professor Loomis escreveu um artigo para a Sociedade de Antiquarios da Escócia em 1955, onde se fala um pouco mais de evidências da relação entre Edinburgh e o Castelo das Mulheres. Vou copiar apenas um trecho que achei bacana. Ele se baseia no Lai de Doon do século 13, que identificou o Chateau des Pucelles como Daneborc, um nome antigo de Edinburgh. Olha só:

Nós sabemos que a senhora do Castelo das Mulheres era Morgana a Fada. Também sabemos que teve vários amantes e pelo menos dois maridos, dos quais um deles era o rei Lot de Lothian. Como rainha de Lothian, Morgana podia se hospedar em vários castelos com suas damas de companhia, mas nenhum seria mais apropriado que a fortaleza de Edinburgh. Considerando sua relação com Lot, e questão de lógica que Edinburgh e o Castelo das Mulheres se tratam do mesmo lugar.

No Conto do Graal de Chrétien, Gawain visita novamente um tal de Castellum Puellarum onde ele encontra Igraine e Morcades, e também sua mãe e avó, e resgata todas elas. Um pouco mais adiante no mesmo texto, Perceval (o herói do conto) resgata uma dama chamada Blanchfleur do castelo Belrepair, castelo que aparece no Enfances de Gauvain e nos textos posteriores em Inglês de Arthour e Merlim como o castelo onde Morgana se hospeda para dar a luz.

Agora sou eu quem fala, sem referências: o conto de amor entre Brancaflor e Perceval é lindo mesmo, e é o mesmo conto que mencionei acima. Vou falar alguma hora dele, preciso ler de novo.

Agora vamos ao que interessa, o papel lendário do castelo! Vou me basear nos textos de Malory, por ser o material ao qual tinha mais fácil acesso tanto para leitura como para pesquisa, tanto em papel quanto digital.

O Escudo de Galahad
Livro XIII, Capitulo 9 em diante

Depois do surgimento de Galahad no lance do assento perigoso e a busca do Graal como consequencia da visão do mesmo na távola redonda, os cavaleiros partem cada um para um canto. Galahad chegou na abadia branca após 4 dias cavalgando sem encontrar nenhuma aventura.Nesta abadia encontrou o Rei Bandemagus e Uwaine, que estavam lá pela aventura do escudo: um escudo que homem nenhum poderia erguer por cima da cabeça sem se machucar gravemente, morrendo em 3 dias. Eis que oportunamente o Galahad estava sem escudo, e decidiiu pegar logo este escudo. Afinal, cavaleiro perfeito é para essas coisas, esnobar dos outros por exemplo.

O tal escudo era branco, branco como neve segundo o conto, e no meio dele havia uma cruz vermelha. Foi assim que esta imagem cristã foi associada ao Galahad, reafirmando a teoria do cavaleiro perfeito, e o único que encontraria o Graal.

Não vou nem entrar nos detalhes exagerados clássicos da influência da Igreja na lenda arturiana, mas basta dizer que a cruz vermelha foi pintada com o sangue que escorria do nariz do Jose de Arimateia quando estava no leito de morte. Ve-se-pode-uma-coisa-dessas.


Ao Castelo!
Livro XIII, Capitulo 14 em diante

O título deste capítulo é curto e singelo como os outros:

HOW SIR GALAHAD DEPARTED, AND HOW HE WAS COMMANDED TO GO TO THE CASTLE OF MAIDENS TO DESTROY THE WICKED COSTUM.

É bem spoiler, mas nos contos arturianos não rolam surpresas, afinal, quantas vezes já foram contadas? Bom, o Galahad partiu para onde as aventuras o levassem, e acabou chegando a um lugar "ou" castelo chamado Abblasoure. Juro pra vocês que no conto diz exatamente isso: lugar ou castelo. Aí o Galahad viu que não se rezava missa (coisa meio impossível na época), então procurou até achar uma capelinha que estava ruindo, e entrou nela pra rezar. Nela, enquanto estava choramingando porque não tinha escutado missa, ouviu uma voz que disse para ele: "Vá até o castelo da damizelas, e acaba com o costume esquisito". Pelo menos, é o que entendo por wicked costum, que é o nome do capítulo.

Aí ele cavalgou um pouco, onde encontrou com algumas pessoas que lhe disseram para não ir no castelo, que ia morrer, etc, etc, é que tinha 7 cavaleiros que agora mantinham um costume impróprio. Ele foi assim mesmo, deu uns berros, lutou com todos e os perseguiu até entrar atropelando no castelo mesmo, e foi lutando com todos, liquidando um a um; os que não conseguiu matar fugiram.

Dentro do castelo veio uma moça que trouxe um berrante de mármore, que ele assoprou, e foi ouvido em duas milhas ao redor do castelo. Logo depois chegou um padre, que contou para ele a história direito: 7 anos atrás, chegaram estes 7 cavaleiros, que por cobiça mataram o duque Lianour (governante dessas terras) e seu filho mais velho, e tomaram para si o castelo e as filhas do duque. A filha mais velha teve uma premonição,e falou que eles não ficariam muitos anos, e seriam abatidos por um cavaleiro só. Por este motivo, os cavaleiros trancaram o castelo e não deixaram nunca mais entrar cavaleiro nenhum, e aquele que tentasse era morto mesmo antes de chegar na entrada. E assim que barbarizaram forçando todos os moradores do castelo a roubar e pilhar, pois não sobraram cavaleiros para impor a ordem. Sem homens para entrar, apenas as mulheres entravam, mas sem sair mais do castelo. E assim o castelo ganhou o nome de castelo das mulheres, porque devorava para si toda mulher que passase por seus portões.

Galahad perguntou pela filha do duque, mas ela foi morta 3 dias depois que os cavaleiros entraram; eles mantiveram a irmã mais nova, e outras jovens em grande sofrimento. Renderam homenagens à filha do duque, e pela manhã chegaram no castelo Gawain, Gareth eUwaine, e Galahad contou sua aventura, que acabei de contar para vocês.

Gostaram? Agora começa a busca por assunto para o próximo post... Até a semana que vem!


Sunday, April 5, 2009

100

O blogger diz que este é meu post de número 100... quem diria? Quem era capaz de dizer que chegaria a 3 dígitos, escrevendo apenas sobre um único assunto?

De certa forma, posso dizer que meu objetivo inicial foi cumprido. Foi atendido. Consegui fazer o que me coloquei como proposta: Oferecer conteúdo em português sobre a lenda arturiana, escrevendo em um estilo totalmente meu. Nada de diálogo acadêmico, nada de bancar pose de querer ensinar. A proposta sempre foi bem clara, e fui fiel a ela, até hoje.

Me orgulho de vários posts, aqueles que levaram tempo lendo e pesquisando. Teve posts aos que dediquei semanas de pesquisa, apenas para poder documentar as razões de tal ou qual personagem dentro da história. Ou mesmo poder colocar pontos de comparação entre vertentes diferentes, como por exemplo adivinhar quantos cavaleiros tinha a távola redonda.

Curti muito pesquisar as imagens de alguns posts, especialmente os manuscritos. Sair caçando parágrafos, buscando evidências de tradução imprecisa, e que podiam alterar a interpretação. Ou mesmo a surpresa de encontrar preconceitos datados da idade média, como a já famosíssima frase "anão filho da p*ta!"

Sendo totalmente honesto, ainda não deu 100 posts, ao menos não para mim.. Porque o fato de ter escrito 100 posts não quer dizer que os 100 tenham conteúdo pra valer; teve uns poucos (menos de 5 eu acho) em que por x motivos não consegui escrever ou estudar, e esses posts acabaram no "enrolation". Por isso, os 100 de hoje significam que escrevi muita coisa, mas especialmente que nesses 2 anos consegui uma constância que implica respeito com o leitor, com o freqüêntador do blog. Porque sem leitores, o blog perde a razão de ser.

Tá, e o post de hoje?

A semana inteira fiquei matutando sobre o que ia escrever, mas nada de vir idéia boa. Tive algumas, mas nada que preste. No sábado por volta do meio-dia, surgiu o assunto: O que era o Castelos das Mulheres?
A lenda arturiana é recheada de locais misteriosos, cenários de aventuras extraordinárias e fascinantes. Os lugares são muitos, passando por reinos como Corwall ou Logres, mas também existem no conto alguns lugares sem muita definição geográfica, como as tantas hermidas e cidadelas.

O castelo das mulheres, ou Castle of Maidens, é um desses lugares que fazem parte do repertório épico de "locações sem local definido", por chamá-las de algum jeito. Este castelo, aparentemente habitado apenas por jovens mulheres reféns, é parte das óbvios obstáculos que o Galahad vai encontrar no seu caminho na busca do graal, mas antes disso ele serve como cenário das proezas em batalha de otros cavaleiros, como Uwaine ou mesmo o Lancelot.

Encontrei um texto bastante longo no Malory, que se estende por capítulos. É claro que não consegui ler esse texto todo, e na verdade nem consegui pesquisar se existem menções anteriores a este castelo, como por exemplo no Chrétien. Mas vamos fazer assim: vou pesquisar direito, ver tudo o que encontro, ler o que precisar durante a semana, e quando tiver tudo claro na cabeça eu conto para vocês o lance do castelo. Só posso adiantar uma coisa: aí tem rolo.

Até a semana que vem!

Saturday, March 28, 2009

E a Criança está Feliz :-)

Então, terminei de montar o castelão, e posso dizer que é um baita brinquedo. Posso não ter mais idade para brincar (pelo menos não a idade recomendada na caixa), mas sem dúvida nenhuma é um brinquedo que grita na tua cara para ser usado. Vamos aos detalhes:

A clássica cena da espada na pedra aparece logo na entrada do castelo, e é a espada que ao pressionar um interruptor secreto (ooohhh!!!) abre o portão do castelo.

Aqui o portão aparece aberto, mas a grade ainda está baixa. É um barato ver o portão descendo, as correntes tensando pelo peso do portão. Fica bem "épico" de assistir.

Visão das ameias do castelo; uma das poucas peças que deve ser montada tijolo por tijolo.

Os tijolinhos acima formam duas dobradiças (uma de cada lado do castelo), que permite abrir o castelo e deixar todo o interior exposto. É a configuração perfeita para brincar de sitio, com direito a invasão, catapultas, etc...


As duas fotos acima mostram a parte de trás do castelo, em modo "pacífico" ou mostrando as "armas secretas". Os pregos e machados na parte inferior são de borracha, mas ainda assim muito detalhados.

Detalhe para o canhão em forma de dragão. É uma das peças que mais gostei do kit, pelo grau de detalhe e o potencial de brincadeira.

Finalmente, este é o castelo aberto. Observem a quantidade de escadas, cantinhos e tal, é muito detalhe mesmo! Nesta foto dá para ver também as dobradiças que comentei acima.

A távola redonda não podia faltar, e nela podemos encaixar os escudos dos "bões" da coleção, fora o rango (pão e frango!). Acredito que no barcão do Mordred possa encaixar os escudos dos vilões, mas só vou saber quando for acrescentá-lo na coleção. Aliás, graças a esta távola redonda que percebi que tem alguns kits que não estão à venda no Brasil, e vou ter que caçar fora antes de sumir. Será que acho uma boa loja de brinquedo que mande para o exterior?? Bom, nas fotos abaixo mostro para vocês os acessórios:

Arthur. O trono. A fortuna. Tudo de plástico, mas bacana pra caramba!

Então, não saquei qual é essa de vir no kit um par de canecos e a jarra. Tudo bem que tem muito filme com cenas de gente bebendo, mas quando vi estes objetos lembrei na hora dos joguinhos de chá de brinquedo da minha irmã mais nova, que ganhava quando era criança. Na cena acima, eu fiquei me perguntando como fariam para beber de armadura...

Barris, uma escada, uma bigorna com martelo e tudo, e uma pequena catapulta fazem parte do kit. Destes, gostei mais da escada, que vem em 3 partes e encaixam em outras peças, complementando o castelo por dentro, ou fazendo parte da invasão do lado de fora.

A fauna reunida. Dois ratos pretos (que todo castelo tem, convenhamos), um cachorro (será Cavall, o cachorro do Arthur?) e um grifo, que batizei de Tobias. Acho que tem cara de Tobias.

Como brincadeira final, vemos dois engraçadinhos dando banho na turma que passa por baixo da ponte levadiça... As possibilidades que dá a flexibilidade dos bonequinhos é absurda, e surgem coisas bem engraçadas. Estou me animando em produzir um stop motion, ou mesmo uma historinha em quadrinhos... quem sabe como projeto de férias.

Próximo passo: correr atrás dos outros kits e completar a coleção!!!

Até a semana que vem!

Sunday, March 22, 2009

Criança Feliz

Por razões de força maior hoje não haverá post. Mas não se preocupem, é por uma boa razão.

Ontem a Renata e o Gabriel e o herdeiro/a vieram nos visitar; depois de almoçar fomos para um shopping ver um filme (isso deixo que a Marion conte direito), e passamos em uma loja de brinquedos, para ver se tinha o jogo "Uno", que a Rê estava querendo. Fiquei admirando uma figura do decepticon Megatron (quem não sabe quem é não teve infância... ou nunca viu Transformers). Enquanto isso, a Marion gritava do outro lado da loja, mas eu nem ouvi. O lance é que estava me chamando para admirar o que posso chamar de "Santo Graal" dos brinquedos arturianos: O set 96121 da Mega Bloks da série King Arthur, o Battle Action Castle. O mais interessante, mesmo para um brinquedo caro, estava com um preço muito abaixo do que se vê por aí.

AAAHHH!!!

Vai a dica, ainda sobraram dois kits como o comprei na loja. Sim, comprei. Não quis nem saber. Que se lasque o selinho "de 9 a 14 anos". A criança feliz da vez vou ser eu, pensei. Na ToyMania o set custa 319 reais. Eu paguei 184, na BMart brinquedos do Shopping Bourbon. Quem quer, CORRA.
Então, como estava dizendo, por razões e força maior, não haverá post hoje. Além de outras obrigações, hoje é dia de trazer a magia de Camelot para uma das prateleiras de um dos quartos da casa. É dia de voltar a infância, de brincar com tijolinhos de montar.
Querem fotos? Vão fotos!


Além das peças maiores que servem de base do castelo, o conteúdo vem dividido em três sacos identificados com os números 1, 2 e 3, seguindo a ordem de montagem que aparece no manual. Convém seguir a ordem, abrindo um saco de cada vez e montando até acabar as peças; só então passar para o próximo.


Aqui tem no destaque uma das bandeiras do castelo, e um relance da távola redonda, com os nomes gravados em ouro. Tá legal, decalque dourado... mas a qualidade do kit é surpreendente.


O manual é super-detalhado, e tem a relação total de peças. Para cada passo, relaciona as peças necessárias e vai montando aos poucos, indicando o ponto de encaixe. Papel em full color, enorme, boa qualidade tanto no papel quanto na impressão. Até agora encontrei apenas um erro no manual, mas que não atrapalha na montagem final. Talvez reporte o erro para a Megabloks, quem sabe não ganho um brinde, sei lá... heehee!

A variedade de peças é gigantesca. Eu acho que o kit poderia ter maior quantidade de peças menos rebuscadas, ou em outras palavras menos peças customizadas. Passa a impressão de que dificilmente possa construir qualquer coisa diferente do castelo proposto no manual, mas com um pouco de criatividade acho que dá para fazer algumas coisas interessantes, dentro do modelo de castelos. Alguns corredores diferentes, talvez, ou torres mais altas. Ainda assim, tem que ser bem organizado, e como em todo kit grande, separar as peças por tipo antes de começar. E arranjar um espaço amplo, plano e livre de outras coisas para trabalhar.

Marion não parava de tirar fotos enquanto montava o castelo, e me arrancou esse sorriso; estava engraçado sentir um flash cada vez que pegava uma peça. Foi divertido para os dois...


























Aqui a primeira parte do kit concluido; a primeira torre do castelo, e na direita mostrando as "armas secretas". Embora vieram personagens com o kit, eles estão no saco 3, que ainda não abri. Para a foto, coloquei o kit 96103, Gaheris Vs. LCP, que ganhei no meu níver. Com isso dá para ter uma relação da escala, do tamanho do castelo.


Aqui um destaque da base do castelo, apenas para mostrar a qualidade das peças, e especialmente das peças pintadas. Impecável.


Detalhe do interior da torre; gostei especialmente do fato que pensaram tanto nas brincadeiras fora como dentro do castelo. Reparem os pontos de encaixe para os personagens, espalhados nas bases do castelo, nas escadas e por todas as ameias.

O Rei Artur e sua égua Llamrei vieram como destaque da caixa, no clássico "try out" onde você mexe uma peça para acionar o brinquedo. Por isso Artur, Llamrei e Excalibur já podem começar sua busca pelo resto do castelo e os cavaleiros... Semana que vem falo do castelo terminado, e alguns outros detalhes bem bacanas que fazem deste kit algo fascinante.

Até a semana que vem!

Sunday, March 15, 2009

Low Budget

Se chama de low budget ou baixo orçamento aqueles seriados, filmes e produções de TV em geral feitas com pouco ou nenhum investimento; aconteceu por total acaso que achei um filminho baratinho sobre o Merlin, feito em 2008. O filme tem por nome "Merlin: Guerra dos Dragões" (Merlin - War of the Dragons), e segundo os primeiros minutos a história acontece no ano 420, o que o filme chama de Dark Ages.

Eu assisti o filme sem muita expectativa, sem esperar nada mesmo, e ainda assim me desapontou. Vou tentar dimensionar o tamanho do mico:

1) Atores: Ninguém que eu conheça, e de fato nenhuma atuação memorável. Não passa emoção, e não me convencem da situação, do papel que estão vivenciando.
2) Roteiro: Práticamente inexistente. Tanto é assim, que a maior parte dos fatos são muito previsíveis; a falta de cuidado é tal que tem vários personagens que tem papéis importantes mas você não fica sabendo o nome do personagem, porque ninguém fala. Tem uma mulher que até agora não sei quem era, mesmo depois das letrinhas. Nem o nome do vilão sei ainda. É, nas letras do final não diz a relação ator/personagem.
3) Efeitos: Como é de se esperar em uma produção de baixo orçamento, os efeitos são lastimáveis. A animação dos dragões é bastante mecânica, mas o que perturba mesmo são os feitiços. tem cada raiozinho saindo dos dedos dos atores que parece filme dos 80 quando toma choque. Sem falar das pedras de isopor.
4) Valor Histórico/Literário: Nenhum. Mistura Merlin, dragões, um rei que talvez seja Vortigern contra um coitado que se diz Uther (aliás, o ator parece o cantor Moby), e uma salada de coisas que não fazem muito sentido. Lady Viviane e Nimue vivem dentro de uma poça, e tem um visual pseudo-favelado.
5) Entretenimento: Não via a hora do filme terminar. É chato, ou em perfeito espanhol, aburrido. Não conseguiu me divertir em nada.

Se me perguntarem para falar alguma coisa boa do filme, talvez possa dizer que a intro com imagens da idade média ficou legal, mas não combina com o ano 42o. As imagens no mínimo uns 600 anos mais novas... mero detalhe.

Então, nem vou me dar o trabalho de procurar uma imagem do filme para colocar; já gastei meu tempo nele, vocês não precisam fazer o mesmo.

Estou cogitando o post da semana que vem, talvez fale um pouco de Gaheris... alguém quer puxar assunto?

Até a semana que vem!

Sunday, March 8, 2009

Cara de pau, eu? Imagina!

Para quem segue o blog e os comentários (quando tem, hehe..), a Bela fez uma pergunta na semana passada, que respondi nos comentários. Vou detalhar um pouco mais a resposta que dei.

A pergunta da Bela era:

"Qual o nome da obra de Shakespeare que fala da lenda arturiana?"

O primeiro que pensei é "viajou, nada a ver com o Shakespeare!". Mas nunca respondo sem pesquisar, e por isso meti a cara nos livros. Fato é fato, o Shakespeare fez muita coisa, e embora poderia ter escrito algo sobre o Arthur (até pela época) ele nunca o fez. O maior mérito do William (olha, já tô amigão do cara) foi unificar o zilhão de dialetos de inglês que havia na ilha britânica, e serviu de base para unificar a língua escrita. Seus contos, romances e histórias foram a base nada mais e nada menos que para o idioma inglês. Apenas isso. Moral, né?

Lógico que com essa fama toda, muita gente cara de pau tentou pegar carona, e lançaram obras se declarando "co-autores" junto com Shakespeare. Daí surgem os textos apócrifos, ou textos que comprovadamente não são de Shakespeare. Ao menos, é o que os estudiosos do assunto afirmam... The Birth of Merlim é uma peça cômica, que conta a história do Merlim nascendo adulto, ou em outros termos, o lance do Benjamim Button. É, o filme interminável do Brad Pitt não é um conto precisamente original.
Voltando ao The Birth of Merlin, ele foi lançado em 1662 como autoria de William Rowley e "William Shakespeare". Pena que Shakespeare morreu uns 4 anos antes... O mais provável é que Rowley tenha escrito com ajuda de alguém, mas não foi do seu falecido xará. E o texto não tem em nada o toque do Shakespeare.
Curiosamente, tem uma outra obra de autores diferentes chamada "A vingança de Cupido", que compartilha partes inteiras do texto do "The Birth of Merlin"; seria isso cópia da cópia?

Então Bela, acho que de fato o Shakespeare não escreveu nenhuma obra arturiana, mas é provável que você tenha confundido alguma obra arturiana como de autoria dele. Qualquer coisa me avisa.

Mandem suas perguntas, eu respondo!

Até a semana que vem!