Saturday, January 2, 2010

N97

Galera, estou testando blogar do N97, sem acentos nem nada, so para ver como fica. Are agora vai que eh uma beleza!!! A unica coisa que nao funcionou eh o enter, dai tudo fica no mesmo paragrafo. Eh claro que isto nao conta como post, mas vale como teste caso esteja "on the road" sem acesso a outra coisa alem do celular. Nao quis usar nenhum programa para blogar, vou direto pelo web browser do N97. Vamos ver se consigo escrever um post neste finde, mas caso nao consiga o post vai rolar no meio da semana, ok?

Sunday, December 27, 2009

Resultados

Ok, antes que me venham com a clássica "pô, não vai falar nada do Arthur hoje?", posso dizer que tive um resultado inesperado ao colocar "Excalibur" no Google. Olha só a PRIMEIRA entrada:



Aí eu disse pra mim mesmo, "Camelot... or What." E fiquei sem assunto de vez... Assim que decidi refletir sobre o fim de ano. Quem estiver a fim, faça a mesma busca e clique... vão dar risada com o nome das "suites".

Como passaram o Natal? Espero que melhor que o pessoal que saiu no quebra-pau no Suriname, ou os passageiros do vôo do idiota fundamentalista com biribinha na meia. E sei que o Natal do Papa foi agitado, no mal sentido.

Não lembro de outros Natais com tanta bagunça como o deste ano. Mas o meu foi legal, bem legal aliás; foi minha vez de cozinhar, e não por me gabar mas cozinho muito bem. Ao menos, na opinião popular do júri (incontáveis amigos que já vieram pra casa e deram a mesma opinião; alguns até marmita levaram, imagina!). Dessa vez o prato foi surpresa até para mim, foi a primeira vez que fiz, e saiu espetacular. Achei num momento que o prato não ia chegar até a ceia de Natal, e íamos comer antes, hehe...

Estou de férias ainda, e felizmente muito cansado de tantas coisas que fiz. Tenho bastantes planos ainda para as semanas que restam, e se tudo der certo vou me cansar muito mais. É fundamental saber dedicar nosso tempo livre às coisas que gostamos, mas também saborear as coisas simples; tirar tempo para ler, apenas ler, sem fazer outra coisa; escutar música, não como pano de fundo de outra atividade, mas apenas ouvir música, reconhecendo cada som, apreciando cada acorde; sentar à mesa para se deliciar com um bom prato, uma bebida refrescante, sem fazer outra coisa além de saborear e conversar. O tempo corre, sempre, mas nós não precisamos correr. Nós corremos por querer fazer mais, mas não podemos correr mais do que nossas pernas. Isso frustra, e começamos a achar que não fizemos nada, mesmo quando faltou uma coisinha ou outra. É como se ocupar demais; querer fazer inglês, dançar tango, faculdade e cozinhar ao mesmo tempo. Não rola, porque não é para rolar.

Muitas pessoas costumam fazer pautas, resoluções para o novo ano, objetivos, propostas de mudança. Acho saudável, mas somente quando elas são objetivas. Não podemos dizer coisas como "vou comer menos". Menos quanto? Um biscoito a menos por dia? Uma pizza a menos no sábado? Vou comer menos tomate e mais alface? Gente, comam o que tenham vontade, desde que não afete a saúde. E isso vale para tudo. Digam "este ano vou aprender a dançar tango", ou "este ano vou aprender 2 receitas novas por mês". Façam propostas para o ano que possam cobrar de vocês mesmos, que possam acompanhar, e que no fim fiquem com vocês. Eu por exemplo quero manter a regularidade que tenho com o blog; um post por semana. Não importa se estou viajando, se estou doente, se estou de mudança, se fiquei sem computador; eu quero ter um post no blog por semana. Podem me cobrar.

Eu vou me cobrar também outras duas coisas: Terminar de ler todos os livros do Bernard Cornwell que não li ainda, e arrumar uma estante que preste para armazenar os livros como corresponde. São duas resoluções que devo cumprir, sei que posso, agora é só fazer.

E uma que quero me cobrar e não engordar de novo; 2009 vai ser o ano que vou lembrar como o ano que tirei a engordada que ganhei depois de casado, e embora não cheguei no peso de solteiro estou me sentindo muito bem fisicamente. Posso correr, posso pular, posso até cortar a unha do pé sem lembrar da barriga me incomodando. E com isso, tudo melhora. Estar bem significa ficar bem com os outros, e ganhar disposição para mais um monte de coisas. Estou com um pique que me surpreende; e meu objetivo é manter esse pique todo o ano inteiro.

Não sei o que me espera para esse novo ano, mas que venha!

Até o ano que vem!

Sunday, December 20, 2009

Natal? Em Junho?

Na curta vida que o blog leva até agora, já me ocorreu repetidas vezes (como é de se esperar) de não saber sobre o que falar. Em outras ocasiões, o assunto vem fácil por causa da data, mas nem sempre é fácil de explorar, ou de escrever sem ser repetitivo. Em 2007 ignorei completamente o Natal no blog, apenas cumprimentando os leitores; já em 2008 comentei sobre o Natal medieval. Aí disse para mim mesmo, "E este ano? Do que falo no Natal?"

Queima do tronco de Natal... Costume europeu, não me olhem assim!!

Como nota introdutória, vale dizer que esta semana estive afastado do computador em geral, aproveitando uma semana das férias para viajar e espairecer as ideias. Foi muito bacana, porque longe das distrações tive um bom tempo para ler, e estou próximo do fim do primeiro livro das crônicas saxônicas do Bernard Cornwell. "O Último Reino" é o nome do livro, e nos conta da queda dos reinos saxões durante a invasão dinamarquesa em 871 d.C., através dos olhos de um jovem saxão de nome Uthred. Foi lendo este livro que lembrei de um fato; antes do Natal, se celebrava o Yule. E o que seria o Yule, exatamente?

Yule é a festividade ou Sabbat que corresponde ao solstício de inverno, que no hemisfério sul (a.k.a. "o nosso" na América Latina) corresponde ao dia 21 de Junho. Logicamente, para os nórdicos esta data era o 21 de Dezembro.

O Yule era para todos os fins práticos o Natal pagão. Ele ocorria exatamente na noite mais longa do ano, ou o dia com menos horas de sol.

Eu imagino a confusão na cabeça das pessoas ao falarem de Natal, do Deus Cristão, dizer que era razão para comemorar o nascimento de uma criança, e ao mesmo tempo proibir as festas pagãs. Provavelmente no meio dessa confusão que surgiram concessões, permitindo aos pagãos fazer determinadas práticas associadas ao Yule "como se fossem" do Natal. Assim, coisas como decorar a árvore, o visco e algumas outras foram adotadas para a nova celebração.

Pesquisei algumas fontes na internet com resultados variados sobre as origens do Yule, e o fator comum parece ser a origem germânica da coisa (ou seja, nórdica em geral). Vi também algumas menções à Saturnália, a festa de inverno dos Romanos. O que parece ser fato mesmo é que a festa do Natal existia antes do Natal, e o cristianismo pegou carona na data para associar as festas ao nascimento de Cristo na Terra. Seja como for, isso tudo me trouxe algumas lembranças de sermões que escutei quando ainda era criança; de como deveríamos entrar na festa de Natal com a nossa alma recatada, pensando que o que estamos celebrando era o nascimento do nosso Salvador, e não era uma festa de comida e bebedeira. Concordei com essa visão, como toda criança nova concordaria com o que os adultos dizem. Mas hoje minha impressão é outra, provavelmente por ter crescido, pela experiência de vida, por ser o adulto esta vez.

Acho que devemos aproveitar as oportunidades que temos de celebrar. A festa de Natal é um feriado, e quem não trabalha nesse dia está no seu direito de comemorar, de comer e beber, de ser feliz ao lado de pessoas que goste. O Yule era uma festa de quase duas semanas, e nós temos dois dias, o Natal e a virada do Ano. Então, independente às nossas religiões e crenças, acho que temos o direito de comemorar sim. Assim como comemoramos aniversários, formaturas, conquistas de bens, casamentos, nascimentos... Temos que festejar sim.

Para encerrar o post Yuleico de hoje, vou deixar uma canja do livro que estou lendo, onde Uthred reflexiona sobre esta data. Olha só:

Passei muitos Natais na corte dos saxões do oeste. O Natal é o Yule com religião, e os saxões do oeste conseguiram estragar a festa do meio do inverno com monges cantando, padres arengando e sermões violentamente longos. Yule deveria ser uma comemoração e um consolo, um momento de calor e alegria no auge do inverno, uma época de comer porque a gente sabe que estão chegando tempos magros em que a comida será escassa e o gelo trancará a terra. É uma ocasião de ficar feliz, se embebedar, comportar-se de modo irresponsável e acordar na manhã seguinte imaginando se algum dia irá se sentir bem de novo, mas o saxões do oeste entregaram a festa aos padres, que a tornaram alegre como um funeral. Nunca entendi realmente por que as pessoas acham que a religião tem lugar na festa do meio do inverno, mas, claro, naquela época os dinamarqueses se lembravam dos seus deuses e faziam sacrifícios a eles, mas também acreditavam que Odin, Tor e os outros deuses estavam festejando em Asgard e não tinham desejo de estragar as festas em Midgard, o nosso mundo. Isso parece sensato, mas aprendi que a maioria dos cristãos sente uma suspeita temerosa com relação à alegria, e Yule oferecia alegria demais para o gosto deles. Algumas pessoas em Wessex sabiam como comemorá-lo, e eu sempre fiz o máximo possível, mas se Alfredo estivesse por perto você podia ter certeza de que teríamos que jejuar, rezar e nos arrependermos durante todos os 12 dias de Natal.

Felizmente nosso Natal é mais animado que o da corte de Wessex do século 9, mas a mensagem que quero deixar é essa. Comemorem, se divirtam, respeitem uns aos outros e boas festas para todos!!
Até a semana que vem!

Nota: Mais curiosidades sobre o Natal? Vejam o livro "Christmas: Its Origin and Associations" de W.F. Dawson de 1902, de graça no projeto Gutenberg.

Saturday, December 12, 2009

Hands On: King Arthur The Wargame


Faz algum tempo publiquei um post sobre a evolução dos videogames, focado em jogos sobre o Rei Artur e sua lenda. Nesse post mencionei que estava em desenvolvimento um jogo novo, um RTS (Real Time Strategy) com toques de RPG. A Neocore concluiu seu trabalho, e lançou o "King Arthur - The Wargame" no último 24 de Novembro. O jogo foi lançado em meio digital, e em algum momento será lançado também como mídia, com direito a manual impresso entre outras coisinhas.

Felizmente, a plataforma escolhida para o lançamento do jogo foi o mundialmente conhecido Steam, plataforma online para venda de jogos da Valve (Halflife, Left 4 Dead, e tantos outros). Usei minha conta para pesquisar o preço do jogo, e paguei uns 35 dólares na promoção; neste momento o jogo custa 40 dólares. E na minha opinião, vale cada centavo. No fim das contas, paguei uns 50 reais pelo jogo; bem abaixo da média nacional. Por coisas como essas que gosto tanto do Steam e do PayPal.

A Neocore apostou pesado ao desenvolver um jogo relativamente complexo, com uma curva de aprendizado bastante íngreme; leva umas boas horas aprender todos os clicks que a interface oferece. Aliás, a interface do jogo é uma das coisas mais mutantes. Vou tentar me explicar daqui a pouco.

A trama do jogo começa no instante em que Arthur puxa a espada da pedra, e é o soberano escolhido para governar a Britania. Os reinos estão em conflito, e fazemos inicialmente o papel de Kay, filho de Sir Ector. Como a lenda conta, Sir Ector foi o tutor de Arthur, e Kay o filho legítimo de Ector; é por isso que Arthur nutre amor fraterno com Kay, e o nomeia seu senescal. Voltando ao jogo, estamos no papel de Kay, e devemos enfrentar uma pequena rebelião provocada pelos que não aceitam Arthur como legítimo rei. Esta é a primeira batalha do jogo, e serve como tutorial para o que virá.

Como o tempo e outras batalhas (na mão do Kay e outros cavaleiros que vamos conhecendo) podemos conquistar o reino completo, e fazê-lo aliado do Arthur. O jogo vai apresentando situações conflitantes, onde dois reis pedem nossa ajuda para combater do lado deles; estas decisões são tomadas na batalha, não é preciso escolher qual o caminho que vamos seguir. Combater um lado implica se aliar ao outro. Estas decisões inclinam nossa conduta, tornando nosso rei Arthur um governante justo ou um tirano, conforme a escolha na batalha. Ao mesmo tempo, nossas decisões servem para apoiar os seguidores da velha religião, ou os novos cristãos. O peso desta orientação de conduta acaba habilitando novas possibilidades, como por exemplo chamar druidas para lutar do nosso lado, ou receber bençãos divinas; soltar nossos prisioneiros de guerra ou torturá-los por informação. Antes que me perguntem, meu Arthur é um rei justo, seguidor da velha religião.

O jogo tem um visual imponente. Tão imponente, que não consigo jogar na máquina que tengo, snif... vou ter que fazer o upgrade do ano. Lá se vá o 13 salário em hardware... O pior que aqui as coisas de micro custam uma fortuna. Bem que podia sair uma viagenzinha para outro continente mais civilizado...

Fiquei de falar sobre a interface. A mecânica do jogo é baseada em turnos, onde podemos fazer uma série de ações por estação do ano; por exemplo, no verão as distâncias que podemos percorrer são maiores graças ao bom tempo, enquanto no inverno todas as tropas ficam acampadas onde estiverem. No caso que nossas tropas se encontrem com qualquer outra, surge o confronto, e o jogo muda para o cenário 3D, onde acontece a batalha em tempo real. Podemos dividir os exércitos, coordenar cada tipo de ataque, posicionamento, estratégia, tudo enquanto o tempo corre. Para ganhar uma batalha, basta acabar com a moral do outro (no precisa matar todo mundo!). A moral é medida pela quantidade de pontos estratégicos conquistados, e pelo desempenho nos combates. Os arqueiros são mais eficientes ao atacar grupos fechados, assim como os cavaleiros são excelentes para provocar o caos em grupos abertos. Os combates são deliciosos, mas eu melhoraria um pouco o controle de câmera, que achei confuso demais, e meio desgovernado. Isso pode atrapalhar a estrategia ao perder de cena coisas que estão acontecendo. Cabe um pequeno comentário: o jogo está recebendo updates automáticos pelo Steam, que já melhoraram boa parte dos problemas das câmeras, e outras frescurinhas que são muito bem-vindas e fazem o jogo mais domesticado para jogar. Tomara continuem com essa boa vontade de melhorar as coisas!

Todo combate inclui como mínimo um grande cavaleiro, que pode fazer a diferença ao usar recursos especiais, como por exemplo chamar as brumas de Avalon (que escondem as tropas), ou o fôlego do dragão, que torna os ataques incendiários. É uma boa mistura e dá variedade aos combates.

Voltando à interface 2D, temos o mapa da Britania, que mostra os territórios aliados, neutros e inimigos; os objetivos, dispostos como um pergaminho com opções de escolha; a organização dos exércitos; a távola redonda (YESS!!!), onde gerenciamos os cavaleiros, os artefatos que carregam (que dão poderes especiais), os eventuais casamentos (onde uma dama fica sob os cuidados de um cavaleiro, o que pode dar vantagens estratégicas como por exemplo aliados), e os prisioneiros, que servem para cobrar imposto dos seus territórios.

O que ficou como impressão geral é que não descartaram absolutamente nenhuma ideia, todas foram colocadas no jogo. É como se os desenvolvedores jogaram vários jogos, e pegaram um monte de coisas de todos os RPGs e RTS que encontraram. O jogo é por turnos, as batalhas são em tempo real, tem mapa de alianças, armadura de todos os cavaleiros, planejamento de ataques, gerenciamento de recursos, orientação de caráter... É como se a Estrela decide juntar o Banco Imobiliário com o Jogo da Vida, o War e o super triunfo. Tentem imaginar o jogo de tabuleiro juntando esses quatro.

Agora, o que realmente é de responsa no jogo é o respeito à lenda arturiana. A Neocore fez o dever de casa, e pesquisou material à beça, e isso aparece nítido na maneira em que as missões batem certinho com muita coisa da lenda clássica do Arthur medieval. Coisas como o caráter dúbio do Rei Mark, e o jeito espirituoso do Gawain. Estou à espera do Tristão, e quem sabe nomes mais obscuros, como o Lamorak.

A imagem como disse é impressionante, colocar qualquer tela aqui é um despropósito. As cenas em movimento, a sensação de vento, a tensão dos arcos, o barulho ensurdecedor da carga dos cavalos, o cheiro do orvalho pisoteado pelos caval.. ok, exagerei. Mas serve como intro do que quero escrever no meu livro :-)

O som do jogo é perfeito. É um épico, ponto. Na medida que tinha que ser. Inspirador, variado o bastante para não aborrecer, e empolga sem se destacar mais do que o jogo em si.

Mais info sobre o jogo no site do desenvolvedor (link). Agora se me disculpam, o reino da Britania precisa da minha ajuda!!

Até a semana que vem!

Sunday, December 6, 2009

Eu também quero!

Na semana passada a BBC2 de Wales passou um curto documentário "on-the-road" com os protagonistas do seriado "Merlin", o Colin Morgan e o Bradley James. A idéia por trás deste programa foi colocar os atores em um carro, e procurar por fatos sobre os verdadeiros Arthur e Merlin; em resumidas contas, eles viajaram por Wales encontrando pessoas que pudessem contar sobre os lugares onde supostamente Arthur e Merlim viveram de fato.

O passeio deles começa com os dois fazendo café da manhã. O Colin se mostra muito empolgado, e um verdadeiro conhecedor da lenda, rodeado de livros e mapas, enquanto o Bradley não parece saber nada sobre seu personagem, mas curioso para ver no que vai dar o passeio. É bem engraçado o momento em que começam a estudar o mapa, totalmente perdidos sobre a distância que vão fazer, e o caminho que tem que seguir.

- Deveríamos ir a cavalo, para ficar mais real...
- Hein?

O primeiro destino deles foi uma livraria que reúne a maior coleção de livros arturianos concentrados em apenas uma sala. Imaginem, mais de 20.000 livros em um único quarto, catalogados por nomes como Camelot, Excalibur, etc... Acho que poderia morar em um lugar assim, pesquisando entre livros, comparando o texto, buscando cada nuance das histórias. Somente me falta aprender galês, afinal boa parte dos textos são cópia dos manuscritos, nada traduzido para tempos mais modernos. Vantagem de quem já mora em Wales, né?

Os atores demoraram demais para chegar e nem conseguiram entrar na livraria, mas encontraram com o responsável por ela e trocaram uma idéia no hall de um famoso teatro. Foi através dele que conheceram os textos do Nennius, do Gildas, e outros textos antigos sobre o Arthur histórico, e quais os lugares prováveis onde teriam acontecido as histórias.

Assim, foram para Camlann, onde foi a última batalha de Arthur. É interessante notar que romanticamente sempre entendemos que Arthur e Mordred se mataram nessa batalha, mas o texto mais antigo a falar sobre este lugar diz somente que houve "a batalha de Camlann, onde Arthur e Mordred morreram". Quer dizer, quem sabe eles não lutaram do mesmo lado? Coisas como essa fazem a história cada vez mais fascinante.

Foram também para outra cidade de nome impronunciável, dessas que começam com WY e terminam com CYCH. Pela dica do livreiro, esse seria o lugar onde Arthur passou sua infância junto com o Kay, filho de Sir Ector. Cada lugar pelo que passam é uma paisagem deslumbrante, uma beleza natural única. É fácil imaginar cavaleiros, batalhas e castelos em cada morro, em cada encosta.

Finalmente eles foram bem ao sul da ilha, para conhecer as ruinas de um antigo anfiteatro romano, que com o tempo ficou conhecido como "a távola redonda". O fato é que nunca encontraram mesa nenhuma no lugar, mas a lenda fica :-)

Vai uma canja:





Foi bem legal de assistir, e me fez pensar muito sobre minha idéia do livro que quero escrever em algum momento. Como alguns já sabem, quero viajar para as terras do Arthur e conhecer lugares, alguns mais turísticos e outros nem tanto; quero ver Glastonbury, Stonehenge, Tintagel, e tantos outros lugares. Como falam os fãs de qualquer coisa, "quero respirar o mesmo ar que o Arthur respirou", hehe...

Agora é juntar a vontade com a oportunidade. Quem sabe nem falta tanto assim para fazer isso. Vocês gostariam de um livro com minha história por lá? Com meu jeito de escrever?

Até a semana que vem!

Saturday, November 28, 2009

As loucas aventuras de Ivain

Terminei! Terminei de ler o livro do Ivain. Claro que não ia deixar vocês de fora nessa, né? Vamos lá:

Na última cena que comentei, Ivain curou-se da loucura por um unguento mágico da Morgana, e acompanhou a jovem que o fez sarar. Ele chegaram no castelo onde esta moça servia, e a senhora do castelo estava necessitada de ajuda, pra variar. Um conde ficava saqueando as terras dela, e por isso Ivain ficou por lá até sarar, e quando sarou pegou o conde de jeito, até ele se render, com a promessa de reconstruir tudo o que destruiu e plantar tudo o que arrasou. A dama desse castelo queria Ivain por marido, mas ele de novo caiu fora, dizendo que não podia mais ficar (sabe tipo trem das onze? então..).

Eis que vaza, e vai perambulando pensativo pela floresta, até que escuta um grito, um choro, um lamento. Foi assim que encontrou um leão brigando com uma serpente. Ele pensou, "Qual criatura eu devo ajudar?", e achou o leão mais nobre animal que a serpente, sempre tida por traiçoeira desde os tempos bíblicos. Ele ataca a serpente, mas ela cuspe fogo! Ele se defende, e mata a tal, mas a cabeça fica presa, mordendo o rabo do leão. Ele então corta com a espada o rabo, apenas o mínimo que pudesse para soltar a cabeça da serpente.

Ivain esperava que imediatamente o leão o atacasse, e preparou seu escudo. Mas o leão simplesmente olho para ele, ficou de frente, e sentou, como todos os gatos sentam: como a esfinge. Relaxado, calmo. O leão abaixou a cabeça, e mostrava gratidão pelo ocorrido; Ivain entendeu, e fez uns cafunés no gatão. A partir desse momento viraram companheiros inseparáveis, e onde Ivain ia o leão o seguia.

O leão caçava animais para Ivain, que cozinhava e deixava o resto para o seu novo bicho de estimação. Ficaram no bosque uma quinzena levando essa vida, até por acaso dar de frente com a fonte,a bacia, a pedra e a capela onde começou o conto. Desmaiou no instante, e ao cair a espada soltou da bainha e o cortou. O leão, ao ver o que aconteceu, tentou reanimá-lo, mas finalmente o carregou próximo de uma árvore, e o deixou sentado. Quando acordou, percebeu que o leão salvou sua vida, mas se lamentou por ter falhado na sua promessa de voltar em um ano. Enquanto choramingava, escutou uma moça chorando na capela; depois de conversarem um pouco, percebeu que era Lunete, quem o tinha ajudado em primeiro lugar.

Ela foi acusada de prejudicar sua senhora, e foi condenada a morrer queimada. Estava aguardando sua pena, que seria no dia seguinte. Ivain disse que a defenderia perante aqueles que lhe acusavam, mas perguntou porque nenhum cavaleiro se ofereceu antes; ela disse que procurou na corte pelo Gawain, mas ninguém o encontrava. Ele tinha partido para buscar Guinevere, que foi levada aparentemente por culpa do Kay. Olha só o crossover com a história da charrete!

Ivain prometeu que estaria no castelo para defendê-la, e partiu com seu leão. Achou perto um castelo, onde foi se refugiar pela noite; descobriu todo mundo triste, e soube que um gigante ameaçava o castelo, e tinha aprisionado os filhos do dono do castelo. O gigante queria a filha do castelão, não para ele, mas para vendê-la; em troca devolveria os filhos vivos. A filha do castelão era prima de Gawain, mas ninguém o encontrou na corte de Arthur para defendê-la.

Ivain disse que podia ficar e resolver a questão, mas precisava defender a Lunete e portanto não podia demorar. Eis que passou a noite, estava indo embora enquanto todo mundo pedia para ele ficar, mas deu de cara com o gigante enquanto saía. O nome do gigante era Harpin, e trouxe os filhos do castelão, todos maltratados e estropiados. Depois da típica briga verbal partiram para as vias de fato, e Ivain e Harpin se pegaram. O leão não se aguentou quieto, e foi ajudar, até derrotarem o gigante.

Ivain somente virou o cavalo, e disse para levarem a notícia até a corte do rei Arthur, dizendo que o cavaleiro do leão tinha feito isso. Assim nasce a lenda do cavaleiro do leão, já que não revelou para ninguém em momento algum que era Ivain.

Chegou ao galope para defender o nome de Lunete, ela já quase na fogueira. Minutos depois estava brigando com o senescal e seus dois lacaios que acusaram Lunete de traição; a briga foi muito desigual até o leão se meter no meio. O leão matou um dos lacaios, e ficaram dois contra dois. Finalmente venceram Ivain e seu leão, mas ficaram na enfermaria um tempo. A senhora do castelo pediu para ficarem (sem saber que era Ivain), mas ele disse que somente poderia ficar o dia que sua dama o perdoasse de coração, e partiu novamente, carregando seu leão ainda ferido, usando o escudo como maca. Chegou em uma casa onde foi bem recebido, e as duas filhas do homem, hábeis em medicina, cuidaram dele e do seu leão até sarar.

Nesse meio tempo, um tal e senhor do Espinho-Negro morreu, deixando duas filhas. A mais velha fez de conta que o pai tinha deixado tudo aos cuidados dela, enquanto a mais nova exigia sua metade na herança. A briga foi tal que a mais nova foi até Camelot para pedir por um cavaleiro para defender seu nome. Ela encontrou Gawain, que já tinha voltado assim como Guinevere do sequestro de Meleagrant, mas Gawain já tinha prometido à irmã mais velha que a defenderia. A mais nova pensou, "estou fod..", mas enquanto pensava chegaram noticias de um tal de cavaleiro do leão, que matara um gigante e defendera uma moça em Broceliande. A irmã mais nova pediu ao rei Arthur por justiça, e que desse tempo para ela procurar por um cavaleiro idôneo para enfrentar Gawain; assim o rei deu 14 dias para ela.

A jovem partiu e procurou por muitas terras pelo cavaleiro do leão, até ficar doente de tão desolada por não encontrá-lo. Se hospedou em uma casa onde outra jovem disse que a ajudaria, e a outra jovem partiu para buscar o tal do cavaleiro do leão, até encontrar a casa onde esteve sarando, e ouvir maravilhas dele. Partiu novamente no sentido que ele tinha partido, até felizmente encontrá-lo e contar a história das irmãs.

Ivain, seu leão e a jovem empreenderam o caminho para Camelot, até passar perto de um castelo, chamado de Castelo do Mal Descanso. Enquanto passavam, as pessoas do castelo o mandavam ir embora, falando "Eres mal-vindo! Eres mal-vindo"; ele claro que não se aguentou e foi ver qual era o lance.

Bom, o castelo estava cheio de moças, todas enfraquecidas de trabalhar constantemente sem descanso; elas contaram que nesse castelo tinha dois filhos do capeta (mesmo). O rei das donzelas passou pelo castelo, e foi derrotado, desde então, pagava enviando trinta jovens todos os anos para o castelo, até os filhos do maligno morrerem. Ivain então decidiu enfrentar os dois, e mais uma vez quando estava para ser derrotado o leão o ajudou e acabaram com os malignos.

A questão é que o castelo era antes disso de um homem já velho, que ainda estava no castelo, e depois de Ivain derrotar os capetas o homem insistiu em dar a sua filha para Ivain como mulher, para que o castelo seja dele. Ele não aceitou, e ordenou libertar todas as moças. Assim elas sairam, e ele junto com a jovem partiram para Camelot, chegando exatamente no dia que vencia o prazo da irmão mais nova.

Ivain e Gawain se enfrentam totalmente armados, sem se dirigir a palavra e sem um sacar que o outro era seu grande amigão da vida inteira. Combateram o dia inteiro, até ambos se declararem vencidos! Ao descobrirem que eram eles, ambos insistiram ainda mais em dar a vitória um ao outro. O rei Arthur então achou justo escolher ele mesmo, e viu mais justiça em prevalecer a herança entre as irmãs, defendendo o direito da irmã mais nova; e pedindo que haja amor entre elas como irmãs.

Ivain e Gawain foram curados, mas Ivain partiu prontamente, sem nada dizer. Foi até a fonte e a pedra, e decidiu fazer chover; tanto fez que a dona do castelo temeu, e percebeu que precisava de um defensor. A Lunete (que de burra não tem nada) disse para procurar o cavaleiro do leão, e que o ajudasse a obter o perdão da sua senhora...

Lunete busca Ivain e seu leão, e os leva até Claudine, sua senhora. Claudine diz que fará tudo para que um homem justo e valente como ele receba o perdão da sua senhora, e eis quando Lunete revela que esse poder já estava na sua mão; assim Ivain se revela a Claudine.

Ivain conta da sua loucura, e de como procurou seu perdão; assim Claudine, olhando novamente para o cavaleiro, decide perdoá-lo. E Ivain finamente encontra a paz, do lado de Claudine e do seu leão.

Fim! Ufa!

Só queria trazer para vocês um pensamento: Ivain é de fato o clássico cavaleiro errante. Reparem a quantidade de aventuras diferentes que passou, quase sem apear do cavalo. Ele ia onde a aventura o procura-se, sempre buscando prestar serviços como cavaleiro, enfrentando o que tivesse que enfrentar. Gostei também do cruzamento de histórias com o conto da charrete, achei bem sacado; afinal Gawain, sobrinho de Arthur, nunca teria razões para rejeitar um combate. Era um dos cavaleiros de maior renome!

E vocês, gostaram do conto?

Até a semana que vem!

Sunday, November 22, 2009

E o Leão?

Finalmente separei um tempo para ler com mais dedicação o conto de Ivain, o cavaleiro do Leão. Para quem tem boa memória, era um dos candidatos a post na enquete que fiz há um ano e meio; acho que isso basta para dizer até que ponto o livro não se encaixou nos meus horários. Para falar a verdade, tenho lido muito pouco ultimamente. Preciso retomar esse costume. Parece que a lista de coisas que deixo de fazer só cresce. Tanto é assim, que tem caixas de DVDs (seriados e minisséries) que ainda estão com o plástico. Na prateleira, mas com o plástico.

O que posso contar hoje é que a história de Ivain (ou Yvain, ou Owein) é uma das mais chatas que já li. Sério. Muita enrolação, muito lero-lero e pouca trama. Diálogos intermináveis, que se estendem por páginas e terminam onde começaram. Não me animou até agora, mas vou terminar de ler. Acho que o mais frustrante é que o nome da história é o tal do "Cavaleiro do Leão", mas tive que ler 70% do conto para o tal do leão aparecer. Por assim dizer, ou a intro ficou muito longa, ou o nome do conto não bate... Que tal chamar de "Ivain, o cavaleiro que fez um bocado de coisa e viu um leão"?

Certo, certo... vamos deixar o Chrétien de Troyes descansar em paz, afinal ainda é um dos meus escritores favoritos. Este livro traz (de novo!!) uma história de amor cortés, só que bem superficial.

Tudo começa com uma reunião de cavaleiros na corte do Arthur, onde Sir Calogrenant (alguém conhece??) conta a pedido da rainha Guinevere sua desgraça em uma aventura ocorrida nas florestas de Broceliande: ele estava por aí cavaleirando a beça, até que encontrou um sujeito feio pra caramba cuidando de touros, enfrentando os bichos apenas com as mãos. Calogrenant se espantou desta visão, e foi perguntar para o cara se sabia de alguma aventura por aí que ele pudesse fazer. O feioso contou pra ele que na floresta tinha uma bacia de mármore com água. Do lado dela havia uma pedra enorme e brilhante, como de fosse uma esmeralda gigantesca esculpida como pilastra. o topo da pedra era enfeitado com outras pedras, e pendurada em cima delas havia uma jarra de ouro. Se ele recolhesse água da bacia com a jarra e a jogasse por cima das pedras, o tempo fechava (literalmente!) e chovia como se fosse o fim do mundo. Assim que a tormenta passava, toda a vida voltava à floresta, com pássaros cantando e tal.

Calogrenant se animou e foi ver a tal pedra, fez a caca de molhar a pedra, e choveu pacas. Assim que a chuva parou, escutou um cavaleiro vindo ao galope, totalmente armado. O cavaleiro gritou para ele: Quem sois para me desafiar! Eu sou o guardião da fonte!; e partiu pra cima do Calogrenant, o derrubou do cavalo, e levou seu cavalo embora.

O lado bom desse conto é que Calogrenant foi honesto, reconheceu que perdeu e tal... gente fina, gostei dele. Claro que todos os cavaleiros ouviram a "maravilha", e decidiram buscar a fonte. Só que Ivain não quis esperar e saiu de fininho para fazer tudo sozinho, e depois contar como foi.

Cabe dizer que o Kay está mais atacado do que nunca neste livro, asqueroso e de má índole como não lembro dele em nenhum outro livro. Estou avisando porque não sei se ele aparece em algum momento crítico da história, mas até agora somente encheu linguiça falando besteira.


Ivain combate com o defensor da fonte, miniatura de 1433.

Bom, Ivain foi até lá, fez tudo, e enfrentou o cavaleiro quase que de igual para igual. Os dois terminaram destroçados, só que o cavaleiro levou a pior, e percebeu que ia morrer pelo sangue que estava perdendo; assim subiu no cavalo e correu para seu castelo. Ivain foi atrás dele, tentando acabar de vez com o sujeito. Os dois entraram no castelo por um corredor muito estreito, uma armadilha típica de castelos. Assim que o cavaleiro passou, duas grades afiadas cairam no corredor, fechando o mesmo. A que fechou por trás caiu com tal força que cortou o cavalo do Ivain no meio, mas ele que estava inclinado sob o pescoço do cavalo acabou se salvando. O lance é que Ivain ficou preso entre as duas grades, e sabia que ia morrer quando o encontrassem. Uma dama do castelo o viu e o tirou de lá antes que o resto viesse, usando um anel que o deixou invisível, e o escondeu no castelo. O castelão morreu, e a mulher dele queria a cabeça de quem tivesse matado o marido.

A dama que ajudou Ivain a se safar é Lunete, uma das damas de companhia da mulher do castelão. Lunete ficou enchendo a cabeça da sua dama até convencê-la que precisava desposar novamente, ou o castelo cairia nas mãos de quem fosse atacá-lo. Feito isto, ela disse que em um confronto entre cavaleiros, quem ganha é superior, portanto quem derrotou seu marido bem podia ser melhor do que ele. Finalmente, disse quem foi quem matou seu marido, e que devia tomá-lo em casamento para ter como se defender. Inacreditavelmente, ela topa. E assim, Ivain desposa a Laudine, Dama de Landuc, filha de Landunet, ex mulher do defunto Esclados. Olha quanto nome bonito para filho!

Arthur e os cavaleiros partem (finalmente) para ver a tal da fonte de pedra, e molham a pedra, chove, etc.etc. Agora quem aparece para defender a fonte é Ivain, e Kay decide enfrentá-lo. Claro que cai do cavalo, mas Ivain leva o cavalo até Arthur e diz que nada podia tirar dele. Nesse momento tira o capacete e se revela como Ivain, ao que todos comemoram. Todos vão ao castelo de Ivain, e ficam lá uns 8 dias.

Gawain diz para Ivain que porque está casado não pode deixar de ser cavaleiro e virar um encostado, e pede para acompanhá-lo nas aventuras; ele pede permissão para a mulher, que o autoriza com apenas uma condição: que volte em um ano. Sendo assim, ela lhe dá um anel que o protege.

Passa o ano, e Ivain não volta. Um dia chega uma dama no castelo de Arthur, e pergunta por Ivain. Ao encontrá-lo, o chama de mentiroso e vil, destruidor de corações e etc., e arranca o anel da mão dele dizendo que não era mais merecedor de carregá-lo no dedo, e que a dona do anel o queria para si novamente.

Ivain fica envergonhado, mas banca pose na frente dos outros cavaleiros. Quando pode sai de fininho, vai para a floresta, fica louco e arranca as roupas, e vive como selvagem um tempão até que uma moça o encontra dormido e percebe pelas cicatrizes do rosto que era Ivain. Passa um hipoglós mágico da Morgana na testa dele enquanto dorme, o que tira a loucura, e antes dele acordar largou umas roupas para que ele coloque. Ele acorda, percebe que está nu, se veste, e a damisela que ainda estava por aí faz de conta que o acaba de encontrar, e pede para lhe acompanhar.

Até aqui passou mais da metade do livro. E pergunto eu, cadê o Leão??

Até a semana que vem!