Sunday, April 11, 2010

Crônicas Saxônicas e Fé

Então, como foi a páscoa de vocês? Curtiram o feriado, comeram chocolate?

Eu tive uma viagem na semana, estive em BH a trabalho, e claro que levei um livro comigo. Meu companheiro da vez foi o livro " Os Senhores do Norte", terceiro volume dos quatro que compõem o conjunto "Crônicas Saxônicas" do Bernard Cornwell.



Este livro nos conta a história de Alfredo o Grande, o rei que unificou a Inglaterra por volta do ano 880 d.C., desde a ótica de Uthred, um jovem saxão levado pelos dinamarqueses quando ainda era criança, e que mais tarde retornaria ao reino para participar das batalhas decisivas na reconquista da Inglaterra.

Toda esta história está baseada e inspirada (já que há umas quantas liberdades no livro) nas verdadeiras crônicas saxônicas, provavelmente os documentos mais antigos que existam sobre o surgimento do que conhecemos como Inglaterra.

Foi feito um filme de baixo orçamento (tem até este trailer), mas sem ver o filme prefiro não opinar. Vou ver se consigo localizar o filme e ver para poder comentar sobre ele.

Uma das coisas interessantes desta coleção de livros é ver os eventos desde múltiplos ângulos. Temos a visão dos saxões, e suas disputas constantes de poder; os dinamarqueses, com seus navíos poderosos e guerreiros implacáveis almejando as ricas terras da ilha; e os bretões e irlandeses dando dor de cabeça o tempo inteiro, também guerreando para conquistar novas terras.

Neste livro há poucas menções ao Rei Arthur ou a lenda de Camelot e Excalibur, o que tem muito sentido já que era uma lenda bretã. Nestas curtas aparições, se fala de um rei que está dormindo, e voltará no dia que seu povo precisar dele, só que como o próprio Uthred disse ao ouvir essa história, "mas os bretões estão precisando dele agora"... O fato é que Arthur não apareceu, e os bretões foram novamente repelidos pelos saxões.

Esta saga de livros conseguiu mostrar duas coisas bem importantes até agora. Primeiro, como nas guerras e nas batalhas todo mundo é vítima; não tem lado bom e lado ruim, todos no fim sofrem com isso, ninguém ganha de fato. A segunda coisa, que também acho fascinante, é como com o tempo as culturas se misturam, se fundem, e os que eram inimigos aos poucos viram a mesma coisa, forçados pelo convívio.

Neste terceiro livro aparece um dinarmarquês que é nomeado rei da Nortumbria, e fica encantado com o cristianismo. Ele vê magia poderosa nas reliquias, mesmo quando as tais reliquias normalmente são partes dos cadâveres de santos antigos guardados em cofres ornamentados. Ele começa a acreditar no que ele chama de "magia cristã", o que deixa os padres com os cabelos em pé. É um tempero saboroso, essa mistura de culturas. Ver como tentamos sempre encaixar o que não conhecemos em alguma categoria que nos permita assimilar o que vemos. Nessa visão do rei dinarmaquês, os padres são bruxos do deus único dos cristãos, o Deus como eles dizem, e sem entender como funciona ele acredita que para aceitar a religião dos cristãos também precisa ser pregado em uma cruz. Finalmente, Uthred explica para ele que só vão dar um banho nele, e com isso vira cristão. Achei esses momentos de confronto religioso particularmente hilários, e o Cornwell consegue tirar momentos únicos desses encontros.

Mas teve também um momento que achei cinematográfico, digno de uma produção caprichada. Tem uma jovem que é capaz de se comunicar com os cachorros, falando de forma incomprensível, mas o fato é que ela parece ser a rainha da matilha. Esses cachorros são ferozes máquinas da morte, grandes e furiosos como lobos, e quando atacam o fazem em grupo. Não há como sobreviver a um ataque desses. Mais de 40 cachorros enormes avançando contra uma pessoa, simplesmente não há escape. Mas eis que o livro ainda guarda uma surpresa de magia cristã.

O padre Beocca, um coitado caolho e paralítico de um braço, se arrasta manco para dentro da fortaleza onde estão os cachorros. A jovem grita com fúria, aponta para o padre e fala como os cachorros. "Matem! Matem ele!". Os cachorros avançam contra o padre em uma onda de fúria. Mas param apavorados, e começam a ganhir, a 5 passos do padre. Ele anda no meio dos cachorros, como se nada, e os animais apavorados. Ele chega até a jovem, e o rosto dela se transforma. Mostra dor, e começa a ganhir também, no mesmo tom e ao mesmo tempo que seus cachorros.

O padre a cabeça da jovem pelos lados, olha firmemente para ela. A jovem fica apavorada. O padre segura os cabelos desgrenhados e puídos da moça por trás da nuca, apoia a mão na testa, e joga a cabeça dela para trás com violência. Nos olhos de todos os que testemunham a cena, parece que vai desnucar a jovem. Ele repete este movimento, e grita:

"Saiam dela! Saiam dela, seus demônios! Eu, os mando de volta para o ceú, com o poder que Cristo me dá! Vocês estão expulsos, e voltam para o ceú agora!"

A jovem cai de joelhos, e leva as mãos ao rosto. O padre se ajoelha na frente dela. Ela começa a chorar, como uma criança. E o padre simplesmente a abraça, a conforta. Os cachorros se aproximam, devagar, intrigados. O padre olha para eles, e diz: "xô, podem ir agora, vão embora", balançando a mão levemente. E os cachorros, que tinham deixado mais de 50 cadáveres estendidos no chão, agora saem correndo pelo portão, sem olhar para ninguém.

Foi assim o primeiro milagre, ou a primeira vez que leio de Cornwell uma magia inexplicável, uma manifestação divina. Nem mesmo o Merlin, com toda sua sabedoria, mostrou um evento inexplicável nos livros dele; todas as magias dele, todos os feitiços se resumiam ao fato das pessoas acreditarem nelas. Mas, se pensamos friamente, o padre acreditou que a moça estava possuída, e não tinha medo dos cachorros, tamanha sua fé. Tudo, no fim das contas, se resume a fé.

A fé move montanhas diz o ditado, agora só falta acreditar!

Bom final de semana!

Sunday, April 4, 2010

Páscoa e Amor

Já se perguntaram como foram as Páscoas do Rei Arthur? Bom, eles não tinham ovos de chocolate (afinal, o cacau ainda não tinha chegado na Europa), mas como toda festa religiosa era muito movimentada, com festins e tal. Vou trazer a lembrança de duas Páscoas bem importantes na lenda arturiana.

Uma coisa que aconteceu nas festas da Páscoa foi a cena da espada na pedra. Sim, vocês devem lembrar que Britania não tinha rei, e assim apareceu a pedra com a espada incrustada, o que foi chamado de milagre, de sinal divino. "Coincidentemente", logo a data do maior milagre da cristandade foi a data escolhida para o Arthur puxar a espada. Quem quiser ler mais, pode ver minha tradução do Malory neste link.

Outra coisa que vinha junto com a Páscoa era a mudança de estação, e o mês de Maio. O mês das noivas, do romance, dos trê-le-lês... Como não lembrar da Jenny, a versão mega-assanhada da Guinevere do filme Camelot? Então, eis que logo com a Páscoa as coisas começavam a esquentar, e foi novamente com a Páscoa que veio o "A-Maying", onde a rainha saiu com outros cavaleiros, bem como aparece no filme. Só que foi em uma dessas saídas que foram atacados por Meleagrant, quem acabou abduzindo a Gui para suas terras distantes, abrindo a oportunidade para o cavaleiro da charrete fazer a sua parte. No link da charrete podem ler novamente tooooda a história, é bem épica.

Como meu último post foi uma tradução, não vou fazer uma traduçaõ novamente, mas até caberia. Procurando no Le Mort d'Arthur, encontrei somente as duas referências acima à Páscoa, mas também encontrei um texto bem curioso, uma dissertação sobre o Amor. Sim, Amor com letras maíusculas. Achei o texto muito rico, e por isso nem quero me arriscar a traduzí-lo. Este texto está no fim do livro 18, e gravado como capítulo 25.

O título? "Por que o verdadeiro Amor é como o verão". Segue.

CHAPTER XXV

How true love is likened to summer.


AND thus it passed on from Candlemass until after Easter,
that the month of May was come, when every lusty heart
beginneth to blossom, and to bring forth fruit; for like
as herbs and trees bring forth fruit and flourish in May,
in like wise every lusty heart that is in any manner a lover,
springeth and flourisheth in lusty deeds. For it giveth
unto all lovers courage, that lusty month of May, in
something to constrain him to some manner of thing
more in that month than in any other month, for divers
causes. For then all herbs and trees renew a man and
woman, and likewise lovers call again to their mind old
gentleness and old service, and many kind deeds that
were forgotten by negligence. For like as winter rasure
doth alway arase and deface green summer, so fareth it
by unstable love in man and woman. For in many persons
there is no stability; for we may see all day, for a little
blast of winter's rasure, anon we shall deface and lay apart
true love for little or nought, that cost much thing; this
is no wisdom nor stability, but it is feebleness of nature
and great disworship, whosomever useth this. Therefore,
like as May month flowereth and flourisheth in many
gardens, so in like wise let every man of worship flourish
his heart in this world, first unto God, and next unto the
joy of them that he promised his faith unto; for there
was never worshipful man or worshipful woman, but
they loved one better than another; and worship in arms
may never be foiled, but first reserve the honour to God,
and secondly the quarrel must come of thy lady: and
such love I call virtuous love.

But nowadays men can not love seven night but they
must have all their desires: that love may not endure by
reason; for where they be soon accorded and hasty heat,
soon it cooleth. Right so fareth love nowadays, soon hot
soon cold: this is no stability. But the old love was not
so; men and women could love together seven years, and
no licours lusts were between them, and then was love,
truth, and faithfulness: and lo, in like wise was used love
in King Arthur's days. Wherefore I liken love nowadays
unto summer and winter; for like as the one is hot and the
other cold, so fareth love nowadays; therefore all ye that
be lovers call unto your remembrance the month of May,
like as did Queen Guenever, for whom I make here a little
mention, that while she lived she was a true lover, and
therefore she had a good end.

Bom final de semana!

Saturday, March 27, 2010

Preiddeu Annwn - Os espólios do Outro Mundo

Muito bem, hoje trago uma peça estranha, bem clássica e que já mencionei outras vezes porém sem muitos detalhes. Trata-se de um poema do século 14, extraido do Lliyfr Taliesin (Livro de Taliesin), que sugere que Arthur levou guerreiros até o outro mundo galés, na busca de um caldeirão misterioso.

Este trecho do livro ficou bem conhecido pela menção de Arthur, e por essa mesma razão entrou em todas as compilações de literatura arturiana. Hoje em dia, há um certo consenso que o ponto principal deste poema não era contar uma história sobre Arthur, mas mostrar o talento do Taliesin como bardo excepcional.

Assim, segue minha tradução do poema, baseada na tradução da Sarah Higley e publicada aqui.

I

1. Golychaf wledic pendeuic gwlat ri.
Eu imploro ao Senhor,
príncipe do reino, Rei.

2. [r]y ledas ypennaeth dros traeth mundi.
Sua soberania se estende
por sobre as terras do mundo.

3. bu kyweir karchar gweir ygkaer sidi.
Forte era
a prisão de Gweir
em Kaer Sidi (a fortaleza do morro)

4. trwy ebostol pwyll aphryderi.
Pelos cuidados de
Pwyll e Pryderi.

5. Neb kyn noc ef nyt aeth idi.
Ninguém antes dele
veio até ela,

6. yr gadwyn trom las kywirwas ae ketwi.
nas pesadas correntes cinzentas;
um fiel servo é mantido.

7. Arac preideu annwfyn tost yt geni.
E ante os espólios do Outro-Mundo
amargamente ele cantou.

8. Ac yt urawt parahawt ynbardwedi.
E até o dia do Juizo
deve durar
nosso lamento bárdico.

9. Tri lloneit prytwen yd aetham ni idi.
Três vezes o Prydwen cheio
foi como chegamos nela

10. nam seith ny dyrreith ogaer sidi.
Salvo sete
nunca voltaram
da fortaleza no morro.

(as duas últimas frases dizem que chegou ao morro um exercito equivalente a 3 vezes a capacidade de Prydwen, o navio de Arthur, mas apenas sete voltaram com vida).

II

11. Neut wyf glot geinmyn cerd ochlywir.
Estou honrado por louvar.
O canto foi ouvido

12. ygkaer pedryuan pedyr ychwelyt.
Na fortaleza de Quatro-Torres
quatro eram suas revoluções.

13. yg kenneir or peir pan leferit.
Minha poesia
do caldeirão
era proclamada.

14. Oanadyl naw morwyn gochyneuit.
Do hálito de nove donzelas
foi nutrido.

15. Neu peir pen annwfyn pwy y vynut.
O caldeirão do mestre do Outro-Mundo:
Qual a sua aparência?

16. gwrym am yoror amererit.
uma crista preta na sua borda
e pérolas.

17. Ny beirw bwyt llwfyr ny rytyghit.
Ele não cozinha a comida de um covarde;
não é esse seu propósito.

18. cledyf lluch lleawc idaw rydyrchit.
A reluzente espada de Lleawch
foi erguida dele.

19. Ac yn llaw leminawc yd edewit.
E na mão de Lleminawc
foi deixada.

20. Arac drws porth vffern llugyrn lloscit.
E perante a porta do inferno
lanternas arderam.

21. Aphan aetham ni gan arthur trafferth lechrit
E quando fomos com Arthur,
excepcional dificuldade,

22. namyn seith ny dyrreith o gaer vedwit.
Salvo sete
nunca voltaram
da fortaleza dos festins.

III

23. Neut wyf glot geinmyn kerd glywanawr.
Estou honrado por louvar.
O canto foi ouvido

24. ygkaer pedryfan ynys pybyrdor
Na fortaleza das Quatro-Torres,
ilha da porta forte.

25. echwyd amuchyd kymyscetor
O córrego e a niebla
se misturam.

26. gwin gloyw eugwirawt rac eu gorgord.
Vinho e licor
ante seu cuidador.

27. Tri lloneit prytwen yd aetham ni ar vor.
Três vezes o Prydwen cheio
fomos ao mar.

28. namyn seith ny dyrreith ogaer rigor.
Salvo sete
nunca voltaram
da fortaleza da resistência.

IV

29. Ny obrynafi lawyr llen llywyadur
Eu não dou valor
para os homens de letras.

30. tra chaer wydyr ny welsynt wrhyt arthur.
Além da fortaleza de Vidro eles não viram
o valor de Arthur

31. Tri vgeint canhwr aseui ar y mur.
seiscentos homens
estiveram frente ao muro.

32. oed anhawd ymadrawd aegwylyadur
Foi dificil
falar
com seu sentinela.

33. tri lloneit prytwen yd aeth gan arthur.
Três vezes o Prydwen cheio
foram com Arthur.

34. namyn seith ny dyrreith ogaer golud.
Salvo sete
nunca voltaram
da fortaleza das entranhas.

V

35. Ny obrynaf y lawyr llaes eu kylchwy
Eu não dou mérito a pequenos homens,
negligentes as tiras dos seus escudos.

36. ny wdant wy pydyd peridyd pwy.
Eles não sabem em que dia
quem foi criado.

37. py awr ymeindyd y ganet cwy.
Que horas do dia
Cwy nasceu.

38. Pwy gwnaeth arnyt aeth doleu defwy.
Quem o fez
quem não foi
às pradeiras de Defwy?

39. ny wdant wy yrych brych bras y penrwy.
Eles não conhecem o boi listrado,
dura sua frente.

40. Seith vgein kygwng yny aerwy.
Sete argolas torcidas
no seu pescoço.

41. Aphan aetham ni gan arthur auyrdwl gofwy.
E quando fomos com Arthur,
dolorosa travesia,

42. namyn seith ny dyrreith o gaer vandwy.
Salvo sete
nunca voltaram
da fortaleza no morro divino.

VI

43. Ny obrynafy lawyr llaes eu gohen.
Eu não dou mérito para homens pequenos,
negligente sua vontade.

44. ny wdant pydyd peridyd pen.
Eles não conhecem qual dia
o foi criado,

45. Py awr ymeindyd y ganet perchen.
que horas do dia
seu dono nasceu,

46. Py vil agatwant aryant ypen.
que animal eles guardam, prateada sua cabeça.

47. Pan aetham ni gan arthur afyrdwl gynhen.
Quando fomos com Arthur,
deprimente confronto,

48. namyn seith ny dyrreith o gaer ochren.
Salvo sete
nunca voltaram
da fortaleza do enclausuramento.

VII

49. Myneich dychnut val cunin cor.
Monges uivam
como um coral de cachorros

50. o gyfranc udyd ae gwidanhor.
de uma reunião com senhores
que sabem:

51. Ae vn hynt gwynt ae vn dwfyr mor.
Tem um sentido no vento?
Tem um curso nas águas?

52. Ae vn vfel tan twrwf diachor.
há uma faísca de fogo
de brutal agitação?

VIII

53. Myneych dychnut val bleidawr.
Monges ficam juntos
como jovens lobos

54. o gyfranc udyd ae gwidyanhawr.
de um encontro com senhores
que sabem.

55. ny wdant pan yscar deweint agwawr.
Eles não conhecem quando a meia-noite
e o amanhecer se dividem.

56. neu wynt pwy hynt pwy yrynnawd.
Nem o vento, qual seu curso,
que é furioso,

57. py va diua py tir aplawd.
Que lugar ele devasta,
que região ele ataca.

58. bet sant yn diuant abet allawr.
O túmulo do santo
é oculto
tanto o túmulo quanto a terra.

59. Golychaf y wledic pendefic mawr.
Eu louvo o Senhor,
grande príncipe,

60. na bwyf trist crist am gwadawl.
que eu não ficarei triste;
Cristo me garante.

É claro que há muitas dúvidas sobre a interpretação, já que o galés do texto é muito antigo e rudimentar, e com isso muitas palavras podem ter mais de uma interpretação. Por exemplo, no caso do ponto 58 do texto, diuant pode ser oculto, como desaparecido, neste caso no outro-mundo, e allawr pode ser tanto terra quanto campeão. Assim, o texto pode se referir ao sumiço dos túmulos dos campeões da batalha, ou ao sumiço dos túmulos tanto na terra como embaixo dela (de novo, no outro-mundo).

Tem mais um ponto interessante, que é a crítica aos monges no final do poema. Podemos entender que Taliesin sentia revolta com os monges, até pelo tom que usa ao chamá-los de "gente pequena que mexe com livros, meros covardes". Isto não tem nada a ver com o Arthur, e mostra apenas um ressentimento do bardo com os monges que documentavam os contos, como se não tivessem talento algum (e o talento fosse apenas dos bardos, os verdadeiros poetas).

Quem quiser estudar um pouco mais, visite o link e veja a tradução do site original, que inclui muitos comentários da tradutora bem interessantes para desvendar o texto. Como se isso não bastasse, ainda tem a oportunidade de OUVIR o poema no site!

Até a semana que vem!

Sunday, March 21, 2010

Viagem no Tempo

Últimamente estou com uns probleminhas de agenda. Não consigo separar tempo para blogar do jeito que gosto; até meus hábitos de leitura andam meio abandonados. Preciso retomar isso! De novo, trago um post curto. Acho importante manter a continuidade no blog, mesmo que o post não traga muito estudo. Nem todo post pode ser épico, não é?

Volta e meia encontro coisas curiosas na internet. Desta vez, cai no site do Regia Anglorum. Eis um grupo de pessoas que há mais de 25 anos encenam a vida medieval para eventos, demonstrações e por aí vai.

O que achei mais curioso é que não são um monte de marmanjos fantasiados com armaduras e que brincam de guerrinha. Eles reproduzem de fato a vida social, tanto da nobreza como dos peões nas vilas. Tem todo tipo de profissões, com pessoas trabalhando de fato como ferreiros, artesãos, cozinhando... O objetivo deles é mostrar como era a vida, a moda e os costumes nos reinos dos Ingleses (ou Regia Anglorum, como era chamado nos textos da época), e por questões históricas decidiram se apegar a um periodo que vai aproximadamente do ano 950 até o 1066. Assim, temos pouco mais de um século transportado para nosso dias.

A brincadeira é muito séria, mesmo. Eles celebram festas, casamentos, e usam suas próprias moedas como pagamento pelos trabalhos, movimentando a economia da maneira que era naqueles tempos.

Falando em riquezas, o projeto mais ambicioso é Wychurst. Este é o nome da cidade permanente que estão construindo. Imaginem isso, a mais nova fortaleza medieval, com direto a barcos vikings fazendo ataques. Só a idéia de poder visitar um lugar assim é como poder entrar em um livro de história e respirar, viver lado a lado a experiência de viver no periodo. Para mim, é sem dúvida alguma parte do roteiro do meu livro. Tenho que conhecer esse lugar!

Quem quiser conhecer mais, não deixem de clicar o link "Who we are" na página do Regia Anglorum.

Até a semana que vem!


Tuesday, March 9, 2010

cineminha?

Olá a todos... Está tarde para blogar, mas me sinto quase que obrigado a comentar por aqui que o Níver deste ano foi espetacular. De manhã cedo o corte de cabelo para me sentir eu mesmo de novo (e não o ET cabeludo que via no espelho), depois o ensaio na bateria, mais tarde o churrascão com a galera do trabalho (e dá-lhe GH, chimichurri e cerveja, rá!), depois voar pra casa e preparar tudo para a parte dois da festa, com mais GH, casa lotada, comidas, bebidas e claro, amigos e altos papos! Obrigado a todos por esse dia, vai durar bastante na memória.

Esta semana a Mara e a Marion me avisaram que o diretor do último Sherlock Holmes está preparando um filme (ou talvez uma série de filmes) sobre o Rei Arthur, mas especificamente sobre o livro Le Mort d'Arthur, na versão de Malory de 1485. E eu disse para mim mesmo uhu!, e digo mais uma vez, o Arthur voltou cada dia mais pop.

Tem boatos de outro filme também, mas engavetado por enquanto. Falando em filmes, caí em uma página que quero compartilhar com vocês, e vou concluir o post de hoje por aqui, apenas por questões de ressaca after-party.

O Celtic Myth Podshow é um cantinho da internet onde podemos ouvir (literalmente) histórias antigas, focando contos celtas, o que abrange Irlanda, Escocia, Inglaterra, Gales, e por aí vai. Nesse mesmo site encontrei uma lista de filmes super completa, muitas das quais já vi e comentei por aqui. Recomendo clicar no link e descobrirem quanta coisa bacana já foi filmada sobre estas histórias, a lista é longa!

http://celticmythpodshow.com/Resources/films.php

O site permite RSS feeds entre outros, e por isso já está na minha lista de visitas semanais. Aproveitem, poucas coisas são na faixa hoje!

Até a semana que vem!

Sunday, March 7, 2010

O Espartilho da Guinevere

Apenas como comentário fora de nota e que gostaria de divulgar, as aulas de bateria estão indo muito bem. Estou me divertindo bastante, consigo me distrair por completo do dia a dia, clareando a mente por assim dizer. Comecei a duas semanas, portanto foram duas aulas (sem contar a de demonstração, que foi antes do carnaval) e duas manhãs de ensaio aos sábados, dia que o estúdio está livre e tenho o espaço só pra mim. Apenas gostaria que não chovesse nos dias que vou, porque até agora não falhou uma vez, hehe!

Mas, vamos voltar ao nosso subject. No último post comentei de livros para vocês, e tem uma loja internet bastante bacana, a alibris.com. É um site de busca com o catálogo de muitas livrarias nos Estados Unidos, e como livro é isento de impostos (desde que a papelada do correio seja feita corretamente) é uma ótima oportunidade para achar aqueles livros que nunca vieram pra cá.

Tem uma iniciativa nacional muito parecida com a do Alibris, porém concentrada em sebos: é o Estante Virtual, com o catálogo de mais de 1600 sebos espalhados pelo país. A idéia é simples, porém excelente: os sebos entram em contato com o site e fazem o cadastro, e documentam seu catálogo no site. Um percentual da venda vai para o site, e todos ganham. Os sebos vendem mais, os leitores acham o que procuram mais facilmente, e o site se mantém com o que recebe das vendas.

Como disse na semana passada, descobri por acaso uma trilogia sobre a Guinevere, que tem por autora a Persia Woolley. Pesquisei um pouco mais pelo nome dela, e não parece ser uma pessoa muito conhecida; ainda assim, sua trilogia rendeu um filme para TV chamado Guinevere, que também é bastante obscuro.

As críticas dos livros são diversas. Tem pessoas que adoraram, e não emprestariam seus livros para ninguém por medo de perdê-los, enquanto outras pessoas não conseguiram terminar de ler por achar entediantes.

A trama apoia-se na lenda arturiana (não sei com qual grau de precisão), contando a história desde a ótica da Guinevere. Sendo assim, podemos esperar uma história feminina provavelmente no tom do bem mais conhecido Brumas de Avalon, com uma importante exceção: se a heroína é Gui, é bem provável que Morgana seja a bruxa má, a vilã da vez.

Encontrei fotos da capa dos livros na internet, e me deixaram pensativo. Sabem aqueles livros fininhos de romance clássicos, de autores poucos conhecidos? Então, Olha só:


Digamos, as capas são bem bregas... Mas como disse desde o começo, o Arthur é pop, e isto é apenas mais uma faceta que prova minha teoria.

Se diz que o "romance" ganhou status de gênero com "Orgulho e Preconceito", livro de Jane Austen publicado em 1813. É dela também o livro "Jane Eyre", publicado em 1847. Estes livros colocam o papel clássico da heroína, a mulher protagonista da história e sua perspectiva da história. O romance moderno consiste em histórias de amor monogâmico que desenvolvem o cortejo ao longo da história, e terminam invariavelmente em final feliz. O gênero é bem conhecido pelos livros de capa mole (que foi uma novidade na época), e por ser vendido em locais mais populares, como drogarias e bancas de jornal.

Falando nisso, descobri uma palavrinha que não conhecia ao pesquisar sobre o assunto. Os livros normalmente colocam a protagonista em alguma encrenca, e sempre vai ter o herói que chega no momento certo para salvá-la. Assim, as capas normalmente mostram uma mulher entregue nos braços de um homem, o que deu a estes livros um apelido hoje considerado ofensivo: "bodice-rippers", o que traduzido seria arrancadores de espartilhos. Sabem aquele colete medieval que as mulheres usavam, aquele clássico de roupa de aldeã medieval, ou de alemã da OktoberFest? Então, isso é um bodice. Que por sinal, era sempre a primeira peça que piratas e outros vilões arrancavam das mocinhas. Foi um jeito bem depreciativo de se referir a estes livros, mas ao mesmo tempo não acho tão impreciso.

Então... Agora só falta comprar!

Até a semana que vem!

Thursday, March 4, 2010

@online

Blog que é blog fica na internet, e por isso precisa de certos recursos. Eles são assunto, tempo, um computador para digitar e acesso a internet. Bom, neste final de semana estava sem o terceiro item, e assim o blog não saiu.
O que posso contar pra vocês é depois de algumas reinstalações e ter restaurado tudo a uma condição utilizável, usei uns minutinhos para pesquisar umas besteirinhas na internet, umas coisas sobre jogos antigos de PC. Sei lá, saudosismo provavelmente.
A questão é que estava buscando pela trilogia da Ubisoft do Príncipe de Persia, e caí em uma coisa nada a ver. Conheci uma senhora com o simpático nome de Persia Woolley. O que ela tem a ver com o Príncipe de Persia? Nada. Mas é autora de uma trilogia sobre a Guinevere, e agora começa a busca por esses livros.
Encontrei para comprar lá fora, mas aqui infelizmente só encontrei o último livro. Por ser um livro antigo, só localizei livros usados, mas até aí não vejo muito problema.
Vou olhar o que acho nos sebos que tem catálogo online, e depois conto pra vocês.

Até o próximo post!