Não, não é da música pop, nem dar uma de pop star. Também não é pra confundir pop com poop, que são diferentes mas muitas vezes parecidos, devido aos oportunistas de plantão que buscam sucesso a qualquer preço.
Minha onda pop foi topar na inclusão do mais novo snippet do BlogSpot: a lista de populares. Vi surgir isso em vários blogs, e como a Marion me insistiu em fazer isso topei com a idéia e botei aqui na lateral do blog. Se você está lendo pelo RSS, que pena... está perdendo a chance de saber quais os posts mais populares do meu blog nesta semana. Tá esperando o quê? Clica aí e vem pro blog!
É, no fundo estou enrolando e sei que faz tempo que não publico, mas tem a ver com mudanças no trabalho e na rotina, que até agora não estabilizou. O bom que nesse tempo todo, a quantidade de visitas não caiu; assim como é com o Arthur, Camelot e a própria lenda, a popularidade não caiu nem um pouquinho.
Obrigado a todos por continuar aqui! Se tudo correr bem, logo logo poderei voltar à "nossa" rotina, e trazer um texto novo toda semana.
Até o próximo post!
Sunday, August 14, 2011
Sunday, July 17, 2011
Castelos, Cavaleiros, e Eu!
No post anterior comentei da exposição na Estação Ciência da USP, organizada pela Historiarte. Com o objetivo de conhecer o trabalho e poder mostrar mais para vocês, sai de casa armado de câmera e aliados para registrar tudo.
Tirando uma quase-batida de carro por causa de uma uneta preta que brecou de súbito na marginal por errar a saída, o trajeto foi tranquilo. Para meu espanto, pego menos trânsito para ir até a Lapa durante a semana do que no sábado, curioso isso... Mas enfim, por ser perto do trabalho achei bem fácil.
A Estação Ciência funciona em antigos galpões da Lapa, e cabe lembrar para que for que não tem estacionamento no local. O mais próximo é metros antes do semáforo, na mesma rua, na mão esquerda. Chegando perto da Estação, é só ficar na pista da esquerda e prestar atenção às placas.
Vou deixar à Marion contar tudo sobre a Estação Ciência, e me concentrar apenas na exposição de Castelos e Cavaleiros; só posso dizer que é um passeio ótimo, bem divertido para crianças e adultos.
Na frente destas bandeirolas encontramos maquetes, explicando a evolução dos primeiros castelos (em madeira), até chegarmos castelos de pedra. Todas as maquetes explicam o periodo, assim como características dessas construções. Todos eles, sem exceção, são trabalhos excelentes de reprodução da vida e os cenários comuns a essa época. Claro, não tem como explicar absolutamente tudo (intervenção da igreja, vida no feudo, etc.) mas não sinto que essa seja a iniciativa; a idéia é incentivar a curiosidade das pessoas. Quem tem interesse e gosta de História, com certeza vai atrás e procura. Não fosse assim, este blog nem existia, não é?
Logo ao lado vemos as estrelas da exposção: as armaduras. Ordenadas por ordem cronolôgica, elas vão das primeiras armaduras de malha, passando pelas armaduras de transição (onde algumas placas de metal foram acrescentadas), até as últimas armaduras, o "topo de linha", ou a última palavra em tecnologia de proteção corporal por volta do século XV. Foram quase 1000 anos onde as armaduras acompanharam o homem na batalha; pena que a pólvora acabou com a graça. No fim, só ficou a imagem do príncipe reluzente na armadura. A realidade não era tão bonita nem elegante quanto os filmes mostram, mas de fato as armaduras tinham que ser polidas para não enferrujar.
Mas, é importante que se diga, a exposição não é só sobre armaduras e castelos. Em duas estantes acomodadas na lateral do espaço reservado a exposição, encontramos objetos de época, como instrumentos musicais e capacetes, assim como alguns jogos de tabuleiro. Neste caso os jogos não são de época, mas tem referências ao medievalismo. Embora a estante tivesse uma reprodução da távola redonda, o que mais me chamou a atenção foi um tabuleiro de xadrez. Este tabuleiro é uma cópia bem próxima do tabuleiro que vi no British Museum, e provavelmente o xadrez mais famoso do mundo: o
"Lewis Chessmen", encontrado na Escócia em 1831, e feito provavelmente Noruega por volta de 1120. As peças originais, feitas de dentes de baleia e marfim de leão marinho são reproduções de reis, bispos e outras peças que conhecemos, incrívelmente bem conservadas. Vejam no detalhe: as peças mais claras são as originais do museu de Londres, enquanto as amareladas, no tabuleiro, são as réplicas.
Por algum motivo que não conheço, entre o original e a cópia o Bispo perdeu a Bíblia, por isso na cópia ficou fazendo V de vitória. Vai que o time dele ganhou esse dia.
A expo inclui algumas brincadeiras, como tirar fotos no trono (real, não o de louça), com direito a capa, cota de malha (rebitada anel por anel como as originais!) e fantasiado de rei ou rainha, conforme sexo ou preferência, cada um sabe né? Assim, tirei algumas fotinhos bem engraçadas. Como fui a convite, tirei algumas fotos para divulgação, vestindo a parte superior de uma armadura. Quem quiser aproveitar e sentir como é vestir uma armadura, aproveita e vai no próximo fim de semana; para mais detalhes sobre dias e horários onde pode vestir armadura, consulte o site oficial.
É claro que ficamos dando risada o tempo inteiro. É bem divertido sentir como cada camada de ferro vai pesando cada vez mais no corpo; o mais impresionante é o capacete. Sério, não tem como enxergar nada naquela fenda, muito menos reconhecer se está se atacando alguém do seu lado ou do inimigo. O lado bom é que entre a cota (capuz) de feltro, a de malha e finalmente o capacete, o som fica muito abafado; não sei o resto do corpo, mas com certeza o ouvido está bem protegido. Às fotos!
Primeiro, a parte social e lúdica...
E finalmente, encarando o papel!
Galera, aproveitem, última semana! Mais fotos ainda nesta semana no meu Facebook. Obrigado mais uma vez ao pessoal da Historiarte pelo convite!
Até o próximo post!
Wednesday, July 13, 2011
O Mundo Medieval, Perto de Casa!
É, podem me cobrar mesmo, faz quase um mês que não escrevo nada. A vida real, em cores e 3D de verdade, acaba consumindo todo meu tempo e fico relaxando em outras coisas. Não que escrever não seja um prazer, mas para escrever há um ingrediente que não pode faltar: o assunto.
A lenda arturiana é riquíssima, ao ponto de termos facultades, mestrados e outras especializações no medievalismo dedicadas a estudar as lendas. Mas, como aficionado que sou, só me resta o tempo de lazer para tocar o blog, disputando espaço na agenda com outras coisas que curto fazer.. Para ter o que falar no blog, não basta apelar à memória; é preciso ler, estudar, conhecer.
Nada mudou ainda, minha agenda continua uma bagunça, mas voltei para o blog para fazer um favor, ou melhor, cumprir com uma gentileza com outros historiadores, leitores e até consumidores de medievalismo.
Me passaram a dica de que a Estação Ciência da USP está fazendo uma exposição, chamada Castelos e Cavaleiros; a expo vai até o 24 de Julho, e vai de objetos e armaduras até músicas, leituras e danças. Achei a idéia ótima, afinal, não é todo dia que o medievalismo bate na porta de casa para nos visitar. É uma excelente oportunidade para conhecermos um pouco mais da cultura da época, e trocar uma idéia com o pessoal da expo. Reza a lenda que, se visitar no dia certo, até dá para vestir uma armadura...
Para mais detalhes sobre a agenda e os eventos, visitem:
www.castelosecavaleirosbr.blogspot.com
www.historiarte.org.br
Quero agradecer ao Rodrigo Capozzi pela dica, a gente se vê lá! Quem for neste fim de semana, largue um comentário aqui, no FB, mail, etc. e combinamos para nos encontrar. Que tal?
Até o próximo post!
Sunday, June 19, 2011
O Reino Nas Minhas Mãos
A Electronic Arts lançou mais uma nova iteração da sua franquia "The Sims", provavelmente o jogo mais vendido na história do videogame por seu apelo com qualquer tipo de jogador, seja homem, mulher, criança, adulto, jogador casual ou frequente. Este novo jogo é completamente independente dos outros da saga, portanto não requer nenhum dos pacotes anteriores. O novo Sims ganhou o nome de "The Sims: Medieval", e seu nome eis a razão óbvia para ganhar um post no blog.
Não vi o jogo para venda nas lojas ainda, mas pode comprar online como dowload direto (o que tenho preferido ultimamente para comprar jogos). A vantagem dos jogos comprados desta forma é que você pode fazer download do game quantas vezes quiser, onde precisar. Nunca mais você perde uma mídia, um CD ou DVD, um número de série... Basta entrar com o seu login, e se precisar baixar o jogo inteiro de novo. Além disso, nunca mais tive que colocar um CD ou DVD no leitor para rodar o jogo. Simples, prático, direto. Finalmente esse modelo de negócio chegou, e veio para ficar. Abençoados os que tens banda larga, pois vos a usareis.
Antes de falar do The Sims Medieval, vou fazer uma pequena introdução aos jogos deste tipo. Duvido que a essa altura do milênio exista alguém que ainda não tenha jogado ou pelo menos visto os jogos dos Sims, mas como resumo da história é como jogar de casa de bonecas, só que legal. Quer colocar fogo na casa? Deixa um personagem cozinhando sem experiência.Quer ver os bonequinhos ficarem loucos? Apaga a porta do banheiro. E por aí vai.
Particularmente, uma das coisas que sempre gostei do The Sims são os módulos de construção. No fundo, todos tem o sonho da casa própria, e no jogo você pode brincar de construir desde casas simples até verdadeiros palacetes de vários andares, usando uma interface bem simples e rápida de aprender. Passava muito tempo brincando com Marion nesse jogo, nos brincávamos juntos na mesma máquina. Eu gostava de reformar as casas, e deixava com ela a interação com os personagens (chamados de "Sims"). Dá para fazer famílias inteiras, e nas versões dos jogos que tem vizinhanças, você popula cada uma das casas com uma família e elas interagem como vizinhos, se visitando e ficando amigos com o tempo. Reflete bem o espírito de morar em casa, onde todos os vizinhos se conhecem. Para quem mora em prédio, sabe que a situação é um pouco diferente, mas ainda assim a receita da amizade é a afinidade.
Por causa desse recurso de familias e bairros, muita gente opta por reproduzir as famílias de seriados e novelas; fica muito engraçado criar personagens com semelhanças físicas aos personagens de seriados, e colocá-los para interagir em situações do dia a dia, como pegar o jornal ou fazer ginástica na frente da TV. Imaginem só, fazer a Liga da Justiça ou os X-Men dentro de uma casa, parecendo mais o Big Brother do que heróis... o jogo fica hilário!
Agora que "nivelamos" o conhecimento sobre The Sims, posso contar um pouco melhor sobre o TSM (The Sims: Medieval) e suas particularidades. Nesta nova versão, temos a oportunidade de erguer um reino medieval fictício do zero, onde controlamos personagens decisivos na trama. As decisões de cada personagem mudam o rumo do reino, influenciando a situação com os reinos vizinhos, passando da diplomacia e amizade para uma declaração de guerra em poucas jogadas.
A interface do jogo continua bem parecida às versões anteriores, com apenas algum outro botão novo para dar acesso às novas funções. A mudança mais radical é no fato de acompanhar o Sim o tempo inteiro durante sua jornada; nas versões anteriores, os Sims ganhavam profissões e "iam trabalhar", sumindo por algumas horas e voltando depois com o dinheiro do dia. Neste novo jogo, seu dia inteiro é seguido de perto. O monarca tem que escrever leis e ouvir as reclamações e pedidos da plebe, os vendedores tem que abastecer suas lojas e vender, e assim por diante. O jogo coloca um Sim específico (criado pelo jogador ou usando algum dos já prontos) na responsabilidade de uma propriedade, e com isso ganha sua profissão e obrigações diárias (seja como rei, espião, guerreiro, vendedor, ferreiro, etc..). Estas obrigações são críticas para o bom andamento do jogo; se deixar as mesmas de lado, simplesmente a mecânica inteira do jogo confabula para garantir a falência do cidadão em questão. Voltando um pouco, cada dono de propriedade é chamado de "herói". Assim, cada Sim que tem uma profissão e é controlado pelo jogador ganha o título de herói, e pode desenvolver pontos dentro da sua carreira, que facilitam as tarefas a longo prazo. Requer um pouco de estratégia e disciplina, mas sem tornar o jogo chato. Pelo contrário, posso dizer que a obrigatoriedade de certas atividades torna o jogo mais interessante, mais coeso e menos largado do que edições anteriores. Estas obrigações podem fazer-se a qualquer momento, mas como requerem um certo tempo para concluí-las é bom não deixar para muito tarde. Fora isso o jogo dá a costumeira liberdade de fazer o que tiver vontade, literalmente.
O visual do jogo, desde a interface até os cenários, roupas e móveis, seguem a linha medieval da proposta. Quem conhece os jogos anteriores vai se deliciar com as sacadas da adaptação ao mundo medieval, como o diamante do status encravado em ouro. A música, completamente instrumental e
fortemente inspirada em cordas e metais e sopros acerta o tom em cheio.
Outra coisa que considero um acerto no jogo é a simplificação na criação do Sim. Ficou muito mais rápido, sem ter que mexer em pontos por signos do zodiaco nem outras firulas. Simplesmente, você escolhe duas ou três características da conduta (inclinadas para o bom ou ruim), compõe a aparência e vai pro jogo. Falando na aparência, acho que podia ter mais opções de indumentária. Acho que as roupas ficam cansativas bem rápido; provavelmente seja uma jogada do fabricante para vender pacotes de ampliação.
Agora, resumindo e para encerrar: ambientada na Idade Média, este novo Sims tem tudo para virar um sucesso como os anteriores. As novidades do jogo são bem-vindas na sua maioria, e continua divertido mesmo depois de tanto tempo. Para quem gosta da saga, é uma ótima pedida.
Para Geeks: Encontrei um ponto negativo no jogo em relação a um velho defeito já conhecido do jogo, e que não foi resolvido até hoje; é um problema técnico, portanto me desculpem se o papo ficar muito chato. O jogo não tem nenhum limitador interno de velocidade de vídeo, portanto pouco importa se você tem uma placa de vídeo boa ou ruim, ele sempre vai exigir o máximo dela. Isso implica que nos computadores de alta performance, as placas de vídeo literalmente fervem. Eu sempre deixo um termómetro ligado (o MSI Afterburner) para checar a "saúde" da minha placa de vídeo enquanto jogo, e reparei que a placa chega a absurdos 93C ao jogar The Sims. Como referência, o jogo mais exigente que usei até hoje foi o Crysis, que chegava a 82C. Por mais que a placa diga que funciona legal até 105C, com certeza afeta a vida útil da placa. Depois de investigar este problema, vi que é uma coisa que a EA não resolveu até hoje, e atormenta desde o primeiro The Sims. Tem várias soluções para esse problema: a mais simples é configurar a placa de vídeo com VSync ligado, o que trava o vídeo na velocidade do monitor (geralmente 60 quadros). Se isso não funcionar, podem usar programas externos que se sobrepõem às configurações da placa. Alguns são muito velhos e não funcionam, mas um que posso recomendar (foi o que usei) é o SSAA Tool. Para quem conhece um pouquinho é bem fácil de configurar, e permite outras opções como forçar o Triple Buffering ou mesmo o SSAA. Depois de instalar este programa e configurar como queria, posso rodar o jogo em 30 quadros a mais do que saudáveis 45C, ou aumentar para 60 quadros, o que deixa a placa em 70C, a média para os jogos que uso normalmente. EA, vê se arruma esse negócio e pára de fritar os computadores dos teus jogadores!
Até o próximo post!
Sunday, May 29, 2011
Nas Terras do Rei Arthur - Parte 7
Este post é continuação de um post anterior, portanto, se você não viu o que está rolando, veja o post anterior neste link.
Hoje admito que vou tapear um pouco com o post. Embora o post seja sobre minhas aventuras nas terras do Arthur, o assunto não será arturiano, ou ao menos não intencionalmente.
Hoje quero contar para vocês sobre minha visita ao British Museum em Londres.
Passeando na História
Bom, a questão é que cheguei no museu com tempo suficiente para dar uma volta bem completa (umas 3 horas). O maior problema das pessoas quando viajam é não se planejar; se você pode pesquisar um pouco e se informar antes de viajar, isso te poupa muito tempo. Fiz com o British Museum o mesmo que fiz com o Louvre alguns anos atrás: sabendo o que tem no museu, marquei em um mapinha tudo o que queria ver, as coisas que não podia perder. Com essa lista, fiz um roteiro dentro do museu, sabendo o que ver e onde parar. Assim, com um roteiro planejado, é fácil calcular o tempo, e pouco importa se você tem 30 minutos ou 3 horas; basta acelerar o diminuir o passo e ver mais ou menos coisas, mas nunca vai deixar de ver os objetos que chamam sua atenção.
Entrei no museu, e virei a esquerda, andando rapidamente pela ala mesopotâmica, sem olhar quase nada. Não que não tivesse interesse nesta ala, mas é nesse sentido que fica o banheiro mais perto. Desculpem, necessidades fisiológicas primeiro.
É incrível mesmo. Mesmo para um leigo no assunto como eu, é fascinante como a exposição é ilustrativa. É fácil perceber as diferentes épocas, reinados ou mesmo a evolução na grafia hieroglífica. Com a passagem dos séculos, os desenhos ficam mais apurados, mais precisos, mais ricos.
Sem dúvida alguma, esta ala ganhou a fama que tem com razões de sobra. A quantidade de peças em exposição e a riqueza histórica guardada em cada uma delas faz desta coleção um tesouro fascinante.
A imagem acima é apenas uma amostra do que encontramos no museu. Boa parte das peças contam com placas descritivas sobre a origem, a época, e detalhes como o propósito ou valor histórico da peça em si. Descobrimos a história da civilização a cada passo.
| Sakhmet |
Não bastava mostrar as estátuas, os panéis, ou mesmo um escaravelho colossal. O museu ainda guardava algumas surpresas na manga. Como a moça da foto abaixo.
| Cleo. |
O esqueleto parece estar em boas condições, com a cabeça inclinada à frente e a boca aberta. Há pelo menos três pacotes na cavidade direita do peito, provavelmente orgãos preservados. Há um objeto de 9 centímetros do lado esquerdo, provavelmente um pequeno rolo de tecido, ou uma pequena estatueta. O raio-X também mostra os materiais usados para colar a múmia (areia ou lama, provavelmente), o que deixa a múmia com um peso de 75 quilos. Na foto ao lado, os detalhes internos do caixão.
Esta pedra contem um decreto em três idiomas: grego, egípcio "popular" (usado para mensagens e anotações corriqueiras) e hieroglífos, datado em 27 de Março de 196 a.C. Foi através desta pedra que, por associação e cruzamento entre os idiomas, foi possível desvendar o significado dos hieroglífos, dando uma nova dimensão ao conhecimento sobre a cultura e história dos grandes faraós. Vale dizer que os hieroglífos já tinham mais de 3000 anos de história quando esta pedra foi gravada, e o texto inferior era grego por uma razão simples: na época da inscrição, todos os documentos de governo eram redigidos em grego, já que o Egito estava sob domínio de uma dinastia grega.
Foi engraçado perceber quantas peças do museu aparecem em livros, filmes, seriados ou mesmo videogames. Cada corredor, cada estante revelava uma nova peça histórica que inspirou histórias; especialmente as seções mais antigas, como as peças babilônicas e fenícias tinham toda a cara de fugidas de um filme do Tomb Raider. Tudo à minha volta tinha cara de caçador de tesouros.
Continuei meu passeio, e finalmente cheguei em uma das seções mais esperadas, um tanto negligenciada pela maioria dos visitantes. Notei como as outras pessoas passavam rapidamente por aqui, quase sem tirar fotos. Apenas alguns estudantes, cadernos em mão, anotavam detalhes para seus trabalhos de escola. Estava na seção dos começos da Europa, estava entre os primeiros europeus. Estava entre os celtas.
Pouco sobreviveu deste periodo, embora não tive como evitar um sorriso ao ver os braceletes, pulseiras e colares de ouro maciço, troféus dignos de reis. Tesouros históricos e reais, valendo muito mais do que seu próprio peso em ouro.
Alguns séculos depois de Cristo, os romanos chegaram nas ilhas britânicas, e com Roma vieram as estradas, as armaduras e a escrita. Fiquei fascinado com o monte de pequenas peças, como moedas e distintivos encontrados do periodo romano. Entre esses objetos, o da foto ao lado despertou em mim um sentimento de simpatia: é uma peça onde se lê LEC XX e o desenho de um javali. É o distintivo do vigésimo grupo de legionários romanos, como eram separadas as tropas na época. Impossível não lembrar do Conn Iggulden e seus fantásticos livros sobre a Roma do César.
Pequenas peças como esta somem na grandiosidade de escudos, espadas, panéis de pedra e outros objetos muito mais chamativos, seja pelo tamanho ou pelo brilho do metal. Descobrir estas pequenas pérolas, quase escondidas no meio de tantas outras coisas, tem sem dúvida um gostinho especial. Tem a sensação de descobrí-las pela primeira vez, como se o prazer de encontrar a peça perdida na história fosse um privilégio nosso; como se fosse a gente mesmo que desenterrou a pequena peça de terracota por acaso, e limpou com os dedos entre as letras para descobrir as figuras, se revelando à luz do sol novamente depois de séculos.
Já no lado mais "moderno" da Europa, encontrei um relicário bem curioso, digno das histórias do arqueiro de Bernard Cornwell. Embora menos bizarro que os relicários que vi na Alemanha, este relicário foi construido para guardar um espinho da coroa de Cristo. Este tipo de relicário era muito comum na Europa, onde surgiam objetos com poderes fantásticos, sempre de origem mais do que duvidosa. O engraçado deste relicário é que foi feito sob encomenda, e o joalheiro fez dois relicários, devolvendo o falso para o dono. Muitos anos depois, o joalheiro confessou a troca, e devolveu o espinho e o relicário original ao dono. É engraçado que pecados como mentira, assassinato, roubo e tantos outros são "omitidos", e os mandamentos convenientemente esquecidos em relação a objetos diretamente relacionados com a religião cristã.
Estava terminando meu passeio, perto já da hora do fechamento do museu, e encontrei uns panéis que me emocionaram. Finalmente, encontrei um pedaço de história que tinha aparecido no meu blog; depois de horas no museu, me encontrei com as gravuras que já ilustraram várias vezes os contos mais famosos.
Como não se emocionar ao dar as caras com estes tesouros, com estes pedaços de história latejando, vivos na nossa frente?
Quantos textos já escrevi onde mostrei gravuras medievais com estas? Cada conto do Malory, cada texto do Chrétien de Troyes, Perceval, Gawain e tantos outros...
É com estas imagens que quero encerrar o post, e com este post encerrar minhas histórias em terras arturianas. Está mais do que na hora de voltar com os contos que tantas gerações inspiraram, e que continuam inspirando até hoje. Tem muitos livros novos, muitas novas histórias, coisas maravilhosas aguardando por nós. Quem sabe, em algumas centenas de anos, se fale de estas histórias, e de blogs como o meu.
Para matar a saudade da Inglaterra, seus monumentos e museus, vou deixar mais fotos no Facebook. Quem quiser dar um pulo pelo FB nos próximos dias, vai encontrar muito mais do que estou contando aqui. É Inglaterra, ainda volto pra te visitar de novo.
Até o próximo post!
Saturday, May 21, 2011
Nas Terras do Rei Arthur - Parte 6
Este post é continuação de um post anterior, portanto, se você não viu o que está rolando, veja o post anterior neste link.
Difícil falar depois de passar por Stonehenge, mas já dei um bom tempo com esse post no ar, e está na hora de retornar depois deste hiato (não sabem o que é hiato? Google.).
O onibus estava no mesmo ponto onde desembarcamos, depois de fazer mais uma vez seu percurso circular de uma hora; assim, foi só mostrar o ticket para continuar a viagem. Andamos por estradas muito estreitas, o que ficava ainda mais surpreendente desde um ónibus de dois andares. Cheguei a filmar um pouquinho, para levar comigo uma pequena amostra desse interior da Inglaterra muito mais colorido do que imaginava.
Old Sarum já foi um grande castelo, erguido sobre um morro, com direito a fosso, ponte levadiça, bandeirinhas, torres e tudo o mais. Era a fundação de Salisbury, situado no local perfeito para se defender. Fiquei olhando por longo tempo as encostas, me perguntando qual seria a visão de dentro do castelo no meio de um ataque, de um sítio. Ao mesmo tempo, depois e já de outro ángulo, olhava para o morro pensando na visão terrível de invadir essa mole.
Essas imagens estão na minha imaginação, porque não sobrou nada do castelo. Nada mesmo.
Old Sarum foi um castelo gigantesco, um verdadeiro monstruo medieval, com paredes impenetráveis, e no local perfeito para ser defendido. Com o tempo, este castelo foi caindo no desuso, e como toda casa que não é usada, começou a ruir. Um dos seus maiores salões desabou, primeiro pelas longarinas do teto, e depois, uma a uma, as paredes mais novas. Este salão atendeu apenas uma festa real, feito para receber os convidados de um grande festim, mas a realidade é que o castelo não era mais usado. Foi abandonado, e anos depois, por decreto do rei, demolido para reaproveitar a pedra em outras construções. Todas as paredes, sem exceção, foram demolidas, virando pedra que hoje dorme em outras paredes. Os pisos, os enfeites, tudo o que podia encontrar uso, foi embora, junto com o que já fora um majestuoso castelo.
Mas isto não é uma visão triste das coisas. É a realidade de um povo que não tinha de onde tirar material para construção, assim como hoje, nas grandes cidades, as casas deixam lugar aos prédios. É a evolução lógica das coisas, e temos que enxergar dessa forma. Não só a Inglaterra, mas toda a Europa abriga muitos castelos ainda, esperando nossa visita.
Por mais pedra que seja necessária e mais vontade que as pessoas tenham colocado em extraí-la, as fundações do castelo resistiram aos esforços e estão hoje à vista, preservadas pelo National Heritage. A história do local é bem antiga: este local foi ocupando na Era de Ferro, no período neolítico, uns 4000 ou 3000 anos a.C., onde foram excavadas as valas gigantescas e levantados os morros. Posteriormente, os romanos ocuparam a região, e com a saída deles, foi a vez dos reis saxônicos fortificarem a região. Por volta de 1069, William o Conquistador (no período normando) herdou o castelo dos saxões, que gostou do local e ordenou a construção de um castelo. Este castelo virou o local de governo normando para todo o condado. Em 1075, a igreja chegou no concenso da construção de uma catedral no local, que ficou no nível externo, entre a primeira e a segunda vala. A catedral foi concluída em 1092, e destruida parcialmente por uma tormenta apenas 5 dias depois. O clima na região era terrível, e assim os bispos pediram autorização ao Papa para retornar à cidade de Salisbury. Com a autorização (em 1219), a catedral de Old Sarum foi abandonada, e com a partida da igreja, o resto foi embora também. A população era cada vez menor, até que finalmente em 1519 o rei Henry VIII ordenou a demolição. O local ficou completamente abandonado, e eventualmente foi redescoberto.
Assim, o que podemos encontrar em Old Sarum? As fundações de um monstro.
| Vista do patio principal. À esquerda, ficava a grande torre, entrando pela escada no meio da foto. |
O National Heritage fez um excelente trabalho criando rampas de acesso e colocando placas com informação riquíssima sobre cada local. É com a ajuda dessas placas que, a cada passo, começamos a enxergar o castelo entre as ruínas. Vemos cada parede erguendo na nossa frente, e com ela as cores, e subitamente as pessoas aparecem. Na nossa mente, o castelo é populado, com pessoas carregando coisas, vendendo e comprando na feira no grande pátio. Estendemos a vista pela encosta, e as propriedades pulam na nossa vista, como surgindo de um longo tempo esquecido. Surgem do solo, criando ruelas movimentadas. Piscamos, e tudo some, e estamos sozinhos de novo. Para quem nunca esteve em um sítio arqueológico, é uma experiência inesquecível.
| Ovelhas cagonas na encosta |
É uma pena que os vídeos que gravei tenham ficado com tanto barulho do vento, ao ponto de não ouvir a minha própria voz. A idéia deste post era um pouco diferente; queria mostrar para vocês como é chegar no local, passando por pequenas portas de madeira que se confundem com propriedade privada, no meio a um monte de ovelhas e suas caquinhas por tudo quanto é grama. É propriedade rural, é a vida como ela é mesmo. O entusiasmo dos vídeos se perdeu no vento, ficando apenas a imagem tremida de uma estrada feita a pé. Mas, ainda temos as fotos! Assim, posso mostrar um pouco de tudo o que contei até agora.
Para dar um pouco as dimensões do local, vejam só as dimensões da vala interior. Essa foto mostra não apenas a capacidade de abrir buracos no neolítico, mas também como uma árvore pode ser experta. Depois vou tocar nesse assunto das árvores expertas de novo.Talvez onde eu estou não dá para perceber exatamente o tamanho da vala, mas cabe dizer que essa árvore deve ter uns 20 metros de altura. Olhando desde onde eu estava, a vala descia práticamente meio quarteirão até o fundo.
Esta foto ilustra as fundações da catedral, olhando desde o castelo, próximo à torre principal. Depois, andei por fora do castelo, olhando o local mais de perto.
Neste ponto, as placas de orientação são cruciais, para entendermos o que estamos olhando. Vejam só como é gráfico, uma vez que descobrimos o que estamos olhando:
Nada como uma explicação. Simplesmente, as colunas, o teto, as abóvedas, os arcos e repentinamente as pessoas começam a aparecer na nossa imaginação. Piscamos, e voltamos ao nosso tempo.
Podem clicar nas fotos para ver maior, e honestamente, não sei se era o vento, o tamanho, a forma, ou apenas o fato de estar lá, mas acho que não eram apenas árvores. Antes que esses Ents decidissem acordar na minha frente, foi embora, assobiando baixinho. Provavelmente, a árvore da encosta estava ou subindo, ou descendo...
Embarquei no bus, voltei para a estação, e deixei na minha lista a missão de voltar com tempo de visitar a catedral de Salisbury, junto com as ruas antigas de uma cidade que tem muito para contar. Peguei o trem de volta, escrevi um pouco, e dormi plácida e merecidamente, com a sensação de missão cumprida.
No próximo post, vou me obrigar a contar sobre o British Museum, e com isso encerro minhas aventuras nas lendárias terras do Arthur. Afinal, tenho que voltar ao padrão do blog e trazer algumas lendas até aqui, não acham?
Até o próximo post!
Sunday, May 1, 2011
Nas Terras do Rei Arthur - Parte 5
Este post é continuação de um post anterior, portanto, se você não viu o que está rolando, veja o post anterior neste link.
Viajar de ônibus foi repetir a experiência de me maravilhar com o interior da Inglaterra. As plantações, as árvores, os bosques. Verdes e marrons diferentes, brilhantes mesmo sob as nuvens de um dia que ameaçava fechar. Mas, o tempo ficou firme, e em alguns momentos o sol aparecia para esquentar e iluminar mais ainda a paisagem, deixando esses novos horizontes com um visual maravilhoso. Andamos um pouco pela estrada, e chegamos em Old Sarum (a velha Salisbury).
Nesta paisagem, podem notar um montículo plano, gigantesco. Ao olhar a paisagem em volta, práticamente plana, fica evidente que alguém mexeu neste terreno para criar esse pico e construir no seu topo. Neste sitio ficava um grande castelo, majestuoso, que com o tempo caiu em desuso, foi ruindo e posteriormente destruido para aproveitar o material para construção. Apenas alguns vestígios sobraram para identificar os salões e torres; restou para nossa geração as fundações do castelo e alguns degraus das escadas. Ainda assim, é um lugar incrível para visitar, para quem sente curiosidade ou mesmo paixão pela história. É a oportunidade de se sentir em um verdadeiro sitio arqueologico.
Não me detive em Old Sarum, já que era o plano para a viagem de volta. Stonehenge me esperava. Na medida que a estrada avança, a ansiedade aumenta. Cresce dentro da gente, e aos poucos o resto das pessoas a nossa volta, e mesmo o ônibus onde estava acabam sumindo. É só você, e a paisagem. Alguns montículos de terra aparecem à distância, revelando que estamos perto. Esses montículos, encontrados por todo o interior, são os restos mortais de pessoas importantes ou ricas que se foram há milhares de anos. São montículos funerários, onde as pessoas eram enterradas junto a alguns pertences, que provavelmente iriam com eles para o outro mundo. Com o tempo, estes montículos evoluíram em pequenas construções de pedra abovedadas sob o solo, e mais tarde ainda nos mausoléus que conhecemos hoje.
Finalmente, no horizonte, aparece o círculo de pedras. E não vi mais nada em volta. Ao longe, à direita da foto.
No local há um estacionamento para ônibus e carros particulares; o ônibus nos deixou lá, Por volta das 14:40. A cada hora, o ônibus estaria lá de novo para seguir sua rota. Posso dizer que uma hora é o tempo exato para ficar em Stonehenge.É o tempo certo para visitar, olhar, admirar, tirar fotos, ouvir o guia de áudio, e ainda comprar algumas coisinhas na loja. Quem sabe, na minha próxima visita, fique mais tempo para poder escrever diretamente de lá, no meio desse áura diferente que emana do local.
Desci do ônibus, me informei sobre a volta, e desci pela rampa até a entrada. Passei a catraca, me ofereceram o guia de áudio (incluso no ingresso), e segui por outra rampa que passa pela lateral da lojinha. Neste ponto, não dá para ver nada ainda; é como um túnel, que serve até para criar o clima antes do primeiro contato. As paredes do túnel mostram ilustrações da construção de Stonehenge; homens puxando grossas cordas, arrastando as pedras sobre um trenô. Subo os últimos degraus, e no fim de uma curta caminhada, rodeada de visitantes, está Stonehenge. Cheguei.
Fui andando devagar, parando em todos os pontos onde uma plaquinha com um número indicava uma mensagem no guia de áudio. Ouvi os textos, absorvendo quanta informação podia a cada instante. Tudo o que estudei, tudo o que aprendi sobre Stonehenge estava lá.
Antes do cículo de pedras, existiram outros círculos no local; primeiro uma vala circular, depois um círculo de troncos de árvore, e mais tarde um pequeno círculo de pedras, que finalmente foi substituido por Stonehenge. Chegando mais perto do círculo, percebo uma ondulação no terreno. Olho nas laterais da ondulação, e acompanho com a vista a vala onde estava em pé, circundando as pedras. Achei o primeiro círculo.
Chego ainda mais perto do círculo, e a minha admiração cresce ainda mais. A primeira vista, Stonehenge me pareceu menor do que imaginava, mas lentamente foi crescendo. Há alguma coisa muito estranha, muito diferente nesse local; é uma sensação indescritível. Enquanto escrevo, a lembrança me arrepia. Lentamente, o círculo revela sua grandiosidade, e quando queremos perceber, já estamos encantados.
Um vento constante e violento batia sobre o local. Pensei no clima, nos milênios de ventos ainda mais fortes do que estava nesse momento, chuva, neve e degelo batendo no monumento. E estava lá, boa parte dele ainda em pé. Arquitetônicamente, Stonehenge é uma referência. Nele foram aplicadas técnicas de modelagem de madeira, onde as pedras verticais foram lixadas até ficarem lisas, e levemente mais finas no topo de cada coluna para dar a ilusão ótica de que são retas e paralelas para quem está dentro do círculo. Cada pedra foi colocada no local fazendo um buraco, arrastando a pedra até cair neste buraco, finalmente erguendo a pedra com cordas e preenchendo o buraco até imobilizar a pedra no lugar. Para subir os dintéis, arrastaram as pedras em curtos trajetos de ida e volta, colocando peso nas pontas e preenchendo o meio, fazendo uma gangorra onde o meio era cada vez mais alto. Ainda no topo de cada coluna modelaram pinos na pedra, que encaixavam em buracos excavados nos dintéis para alinhar e fixar os mesmos no topo. Os dintéis tinham suas laterais lixadas para ficarem menores no interior do círculo, e assim encaixar sem folga umas nas outras, fixando ainda mais a estrutura. Na foto abaixo aparece bem nítido um dos pinos no topo da coluna sem dintel.
Stonehenge era uma estrutura bem complexa. Dez grandes colunas formavam cinco dintéis independentes, circundando uma pedra deitada. Em volta destas colunas mais altas, pequenas pedras formavam mais um círculo (na foto acima, ao meio, um pouco a direita, apoiada na pedra central). Finalmente, o círculo de pedras fechado com dintéis no topo. Fora do círculo, quatro grandes pedras (das quais hoje sobraram somente duas) provavelmente serviram como guia durante a construção, garantindo que o corredor de entrada e o centro ficassem alinhados com os soltícios do verão e do inverno. Na foto abaixo, o corredor que levava ao círculo de pedras.
A cada excavação, novas descobertas aparecem. Detalhes sobre a estrutura, novos círculos, materiais, vestígios de outras excavações da época da construção de Stonehenge. As maiores pedras foram trazidas de muito longe, e é dificílimo imaginar como foi transportar essas pedras por terrenos sem estradas, apenas com o esforço de pessoas e animais. Stonehenge passou por várias fases: na primeira delas, era somente um barranco com a vala em volta, e buracos formando um círculo. A segunda fase é onde entraram as "bluestones", transportadas por quase 400 km desde o País de Gales, pesando por volta de quatro toneladas cada uma. Na terceira fase formou-se o "henge", transportando pedras de aproximadamente 50 toneladas por 40 km. Enquanto as pedras da segunda fase foram transportadas usando balsas, as pedras da terceira fase eram pesadas demais para qualquer balsa, e foram arrastadas com trenôs e cordas. Fazendo algumas contas, precisariam mais de 400 homens para puxar as pedras, e mais 100 homens só para mover os troncos do trenô. Na quarta e última fase, as bluestones da segunda fase foram removidas, e colocadas na posição que permanecem até hoje.
Stonehenge ficou abandonado durante muito tempo. Seu status de patrimônio histórico é recente, e hoje é responsabilidade do National Heritage cuidar deste patrimônio. No periodo medieval, os reis autorizaram as pessoas a pegar pedras de Stonehenge e usá-las em outras construções. Nos começos do século passado, era possível alugar um martelo nas fazendas próximas para quebrar as pedras e levar um pedaço como "lembrancinha". Mesmo com toda a depredação Stonehenge sobrevive, e continuará nos intrigando por gerações. É muito pouco o que sabemos do local, e sem registros históricos escritos, somente podemos adivinhar os propósitos deste monumento. É um mistério sem solução, e como tal, abre a imaginação para o que quisermos pensar. Stonehenge tem um propósito diferente para cada um de nós, um encanto particular e único.
Próximo post: Old Sarum.
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