Sunday, October 16, 2011

Onde está Wally?

Pois é... Como é que um blog com postagens semanais fica mais de um mês sem novidades?

Tem várias respostas, algumas com cara de desculpa, e outras com cara de verdade. Não vim até aqui para jogar desculpas em vocês, mas para pedir desculpas por essa longa pausa nas postagens. Posso falar que a soma das novas atividades, como a mudança de cargo no trabalho ou ter começado a fazer academia está me obrigando a escolher minuciosamente o que faço com cada minuto livre, e sobram cada vez menos minutos para escolher. Mas, não vejo isso como uma coisa ruim, apenas uma questão de escolhas. Foi decisão minha parar as postagens no blog por enquanto, até organizar uma rotina que me permita escrever novamente. Não gosto de escrever bobagens nem de enrolar, por isso preferi não escrever nada a escrever qualquer coisa.

Nesse meio tempo, enquanto busco o espaço para ler e juntar conteúdo para o blog de novo, recomendo muito a quem pode que acompanhe a nova temporada do Merlin. Finalmente a BBC conseguiu budget para o projeto, e isso fica visível nos cenários, na construção das cenas e até na trilha incidental. É incrível como algumas cenas repetitivas (do tipo Merlin-encontra-alguma-criatura-mítica-em-um-lago) ganharam nova vida com a melhora da iluminação, das câmeras e da música de fundo. É a diferença entre um seriado como qualquer outro, e uma produção para valer. É, quem diria, estou elogiando o Merlin, depois desse tempo todo. E por sinal, o destaque vai para a Morgana. Finalmente encarou seu papel de vilã de verdade, e ganhou uma força até agora inédita para o papel. Dá gosto, quase que torço por ela em várias situações.

Alguém aí já assistiu também os primeiros episódios? O que estão achando até agora?

Até o próximo post! @Marion, parabéns de novo!

Saturday, August 27, 2011

Avalon High

Ah, férias... nada como tirar alguns dias para soltar o peso das costas, viajar, conhecer novos lugares, fazer novas amizades.. E claro, comer, dormir, e voltar a fazer coisas que ficaram de lado por falta de tempo. Entre elas, voltar ao hábito da leitura.

Levei comigo dois livros, leves e rápidos de ler. Para minha surpresa, nossa agenda nesta viagem de férias foi bem lotada, muito corrida, e só deu para ler nas esperas de aeroporto e dentro do avião. Terminei o primeiro livro ontem, e está na hora certa de comentar. Sobre a viagem, estejam atentos ao blog da Marion nesta semana.

Em Março, ganhei de aniversário o livro Avalon High, da autora Meg Cabot. Ela é mais conhecida por literatura adolescente (mais precisamente meninas), e Avalon High não foge muito dessa regra. Não tinha lido nenhum trabalho dela até agora, e admito que foi uma leitura leve e muito engraçada. O texto, mesmo leve e descompromisado, conta uma história que daria um bom filme da tarde, mas a Disney fez questão de destruir com sua versão digamos, criativa. Como de costume, vou contar um pouco da história do livro, sem contar detalhes para quem for ler ainda.

A protagonista, Elaine, é uma garota como qualquer outra. Não é de se arrumar, e por ser bem alta acha que os meninos não dão bola para ela. Nas palavras dela, ela não é romântica, é uma garota prática. Acabou mudando de escola quando seus pais mudaram para outra cidade, como fazem regularmente a cada sete anos. Acontece que os pais são professores universitários, e a cada 7 anos podem tirar um "ano sabático", onde geralmente aproveitam para alugar uma casa em outro lugar e vão para escrever algum livro, ou concluir alguma atividade acadêmica.

A escola nova é a Avalon High, onde conhece outros alunos que lembram muito os seriados de High School americanos. Tem o quarterback admirado por todos e líder dos alunos, tem a cheerleader invejada de tão bonita que se revela uma pessoa tão boa e honesta que nem dá para ter raiva dela, tem os inadaptados de sempre... é bem divertido mesmo.

Um detalhe que não falei sobre a família da Elaine: ela ganhou esse nome (que odeia, por sinal), em homenagem ao poema da Senhora de Shalott, um belo poema arturiano pelo que a mãe dela é fissurada. Os pais da Elaine são medievalistas, e embora isso possa ser legal, nunca vai ser legal para um adolescente. Sempre esses papos de mundo antigo, o tempo todo... Aliás, os adolescentes que me desculpem pelo meu blog arturiano, hehe..

Elaine odeia a Senhora de Shalott. Cada vez que sua mãe se empolga, seja pela emoção ou por uma taça de vinho a mais no jantar, começa a recitar o poema. Os pais dela são meio esquisitos mesmo, e acabam dando mico constantemente com esse seu jeito acadêmico. Segundo Elaine, isso é porque eles pensam de forma medieval, e então esquecem coisas como higiene, refrigeração da comida e outros costumes mais modernos. Ainda assim, são pais bem preocupados e zelosos da sua filha. Uma das lições que parece ter lavado o cérebro da Elaine é a preocupação com sua Imagem (assim, com maiúscula), e em várias cenas reflete sobre como sua Imagem é afetada pelo que diz, faz, ou mesmo por ter os pais que tem.

Assim como a Senhora de Shalott, cujo corpo percorreu os rios até chegar em Camelot, Elaine passou práticamente o verão inteiro boiando.. na piscina da casa nova. Ela tem obsessão pela piscina, já que nunca teve uma em casa, e cuida dela diariamente. Sua diversão é ficar lá, flutuando na bóia, enquanto pega sol metodicamente. Os diálogos desta parte do livro me fazem sorrir, só de lembrar as situações.

Na medida que começam as aulas, vamos descobrindo junto a ela os outros alunos, como o Will, o quarterback admirado e respeitado, Lance, o melhor amigo dele, e Jeniffer, a estonteante cheerleader namorada do Will. Temos também professores esquisitões, alunos meio excluídos do grupo, as amigas fofoqueiras... o kit completo da típica adolescência americana.

O fato é que, na medida que avançamos na leitura, começamos a identificar traços dos personagens arturianos em cada um dos alunos, coincidências que Elaine comenta com detalhes (graças ao mergulho compulsório de anos na lenda arturiana, promovido pelos pais). Nisso o livro faz um serviço enorme, e que tem que ser elogiado: o respeito pela lenda arturiana, personagens e detalhes da história é enorme. Para um livro adolescente, me surpreendeu notar que a autora de fato pesquisou a lenda, ou foi muito bem assistida durante a composição. E como na lenda arturiana, o círculo vai se fechando, o clima fica cada vez mais tenso, e o desfecho da história é inevitável.

O livro traz um trecho do poema da Senhora de Shalott no começo de cada capítulo, o que reforça ainda mais a entrelinha didática ao recitar um poema tão antigo para um público mais interessado no seu próprio mundo. Lindíssimo trabalho da Meg Cabot, que mesmo com uma linha de diálogo bem rápida e leve, conseguiu jogar tanta história nas mãos dos leitores. 

Recomendo sim! As aventuras da Ellie, Will e o resto da turma continuaram na saga Avalon High: Coronation, só que mudou o formato. Os livros viraram HQ, específicamente três gibis. Para mais detalhes sobre os livros e a autora, podem olhar no site oficial.

Bom, é isso por enquanto... mais no próximo post!

Sunday, August 14, 2011

Entrando na onda Pop

Não, não é da música pop, nem dar uma de pop star. Também não é pra confundir pop com poop, que são diferentes mas muitas vezes parecidos, devido aos oportunistas de plantão que buscam sucesso a qualquer preço.

Minha onda pop foi topar na inclusão do mais novo snippet do BlogSpot: a lista de populares. Vi surgir isso em vários blogs, e como a Marion me insistiu em fazer isso topei com a idéia e botei aqui na lateral do blog. Se você está lendo pelo RSS, que pena... está perdendo a chance de saber quais os posts mais populares do meu blog nesta semana. Tá esperando o quê? Clica aí e vem pro blog!

É, no fundo estou enrolando e sei que faz tempo que não publico, mas tem a ver com mudanças no trabalho e na rotina, que até agora não estabilizou. O bom que nesse tempo todo, a quantidade de visitas não caiu; assim como é com o Arthur, Camelot e a própria lenda, a popularidade não caiu nem um pouquinho.

Obrigado a todos por continuar aqui! Se tudo correr bem, logo logo poderei voltar à "nossa" rotina, e trazer um texto novo toda semana.


Até o próximo post!


Sunday, July 17, 2011

Castelos, Cavaleiros, e Eu!

No post anterior comentei da exposição na Estação Ciência da USP, organizada pela Historiarte. Com o objetivo de conhecer o trabalho e poder mostrar mais para vocês, sai de casa armado de câmera e aliados para registrar tudo.

Tirando uma quase-batida de carro por causa de uma uneta preta que brecou de súbito na marginal por errar a saída, o trajeto foi tranquilo. Para meu espanto, pego menos trânsito para ir até a Lapa durante a semana do que no sábado, curioso isso... Mas enfim, por ser perto do trabalho achei bem fácil. 

A Estação Ciência funciona em antigos galpões da Lapa, e cabe lembrar para que for que não tem estacionamento no local. O mais próximo é metros antes do semáforo, na mesma rua, na mão esquerda. Chegando perto da Estação, é só ficar na pista da esquerda e prestar atenção às placas. 

Vou deixar à Marion contar tudo sobre a Estação Ciência, e me concentrar apenas na exposição de Castelos e Cavaleiros; só posso dizer que é um passeio ótimo, bem divertido para crianças e adultos.

Chegamos pouco antes das 11 da manhã, e depois de mexer e brincar com um monte de coisas do acervo permanente do museu, vimos as armaduras, reluzentes, no andar de cima. Subimos a rampa, e encontramos 5 bandeirolas representando várias "casas", ou nomes nobres. A heráldica sempre se valeu de símbolos para representar as casas, nomes ou linhagem nos escudos; era a forma fácil de mostrar quem é você, ou mais importante, para que lado você luta em uma batalha (especialmente onde o analfabetismo era a regra). Convenhamos, é mais fácil faltar "time amarelo contra time verde" do que explicar a árvore genealôgica... Mas quem sabia ler normalmente não estava guerreando, estava ocupado copiando documentos.

Na frente destas bandeirolas encontramos maquetes, explicando a evolução dos primeiros castelos (em madeira), até chegarmos castelos de pedra. Todas as maquetes explicam o periodo, assim como características dessas construções. Todos eles, sem exceção, são trabalhos excelentes de reprodução da vida e os cenários comuns a essa época. Claro, não tem como explicar absolutamente tudo (intervenção da igreja, vida no feudo, etc.) mas não sinto que essa seja a iniciativa; a idéia é incentivar a curiosidade das pessoas. Quem tem interesse e gosta de História, com certeza vai atrás e procura. Não fosse assim, este blog nem existia, não é?


Logo ao lado vemos as estrelas da exposção: as armaduras. Ordenadas por ordem cronolôgica, elas vão das primeiras armaduras de malha, passando pelas armaduras de transição (onde algumas placas de metal foram acrescentadas), até as últimas armaduras, o "topo de linha", ou a última palavra em tecnologia de proteção corporal por volta do século XV. Foram quase 1000 anos onde as armaduras acompanharam o homem na batalha; pena que a pólvora acabou com a graça. No fim, só ficou a imagem do príncipe reluzente na armadura. A realidade não era tão bonita nem elegante quanto os filmes mostram, mas de fato as armaduras tinham que ser polidas para não enferrujar.



Mas, é importante que se diga, a exposição não é só sobre armaduras e castelos. Em duas estantes acomodadas na lateral do espaço reservado a exposição, encontramos objetos de época, como instrumentos musicais e capacetes, assim como alguns jogos de tabuleiro. Neste caso os jogos não são de época, mas tem referências ao medievalismo. Embora a estante tivesse uma reprodução da távola redonda, o que mais me chamou a atenção foi um tabuleiro de xadrez. Este tabuleiro é uma cópia bem próxima do tabuleiro que vi no British Museum, e provavelmente o xadrez mais famoso do mundo: o
"Lewis Chessmen", encontrado na Escócia em 1831, e feito provavelmente Noruega por volta de 1120. As peças originais, feitas de dentes de baleia e marfim de leão marinho são reproduções de reis, bispos e outras peças que conhecemos, incrívelmente bem conservadas. Vejam no detalhe: as peças mais claras são as originais do museu de Londres, enquanto as amareladas, no tabuleiro, são as réplicas.



Por algum motivo que não conheço, entre o original e a cópia o Bispo perdeu a Bíblia, por isso na cópia ficou fazendo V de vitória. Vai que o time dele ganhou esse dia.

A expo inclui algumas brincadeiras, como tirar fotos no trono (real, não o de louça), com direito a capa, cota de malha (rebitada anel por anel como as originais!) e fantasiado de rei ou rainha, conforme sexo ou preferência, cada um sabe né? Assim, tirei algumas fotinhos bem engraçadas. Como fui a convite, tirei algumas fotos para divulgação, vestindo a parte superior de uma armadura. Quem quiser aproveitar e sentir como é vestir uma armadura, aproveita e vai no próximo fim de semana; para mais detalhes sobre dias e horários onde pode vestir armadura, consulte o site oficial.

É claro que ficamos dando risada o tempo inteiro. É bem divertido sentir como cada camada de ferro vai pesando cada vez mais no corpo; o mais impresionante é o capacete. Sério, não tem como enxergar nada naquela fenda, muito menos reconhecer se está se atacando alguém do seu lado ou do inimigo. O lado bom é que entre a cota (capuz) de feltro, a de malha e finalmente o capacete, o som fica muito abafado; não sei o resto do corpo, mas com certeza o ouvido está bem protegido. Às fotos!

Primeiro, a parte social e lúdica...


E finalmente, encarando o papel!


Galera, aproveitem, última semana! Mais fotos ainda nesta semana no meu Facebook. Obrigado mais uma vez ao pessoal da Historiarte pelo convite!
Até o próximo post!

Wednesday, July 13, 2011

O Mundo Medieval, Perto de Casa!

É, podem me cobrar mesmo, faz quase um mês que não escrevo nada. A vida real, em cores e 3D de verdade, acaba consumindo todo meu tempo e fico relaxando em outras coisas. Não que escrever não seja um prazer, mas para escrever há um ingrediente que não pode faltar: o assunto.

A lenda arturiana é riquíssima, ao ponto de termos facultades, mestrados e outras especializações no medievalismo dedicadas a estudar as lendas. Mas, como aficionado que sou, só me resta o tempo de lazer para tocar o blog, disputando espaço na agenda com outras coisas que curto fazer.. Para ter o que falar no blog, não basta apelar à memória; é preciso ler, estudar, conhecer.

Nada mudou ainda, minha agenda continua uma bagunça, mas voltei para o blog para fazer um favor, ou melhor, cumprir com uma gentileza com outros historiadores, leitores e até consumidores de medievalismo.

Me passaram a dica de que a Estação Ciência da USP está fazendo uma exposição, chamada Castelos e Cavaleiros; a expo vai até o 24 de Julho, e vai de objetos e armaduras até músicas, leituras e danças. Achei a idéia ótima, afinal, não é todo dia que o medievalismo bate na porta de casa para nos visitar. É uma excelente oportunidade para conhecermos um pouco mais da cultura da época, e trocar uma idéia com o pessoal da expo. Reza a lenda que, se visitar no dia certo, até dá para vestir uma armadura...

Para mais detalhes sobre a agenda e os eventos, visitem:


www.castelosecavaleirosbr.blogspot.com

www.historiarte.org.br

Quero agradecer ao Rodrigo Capozzi pela dica, a gente se vê lá! Quem for neste fim de semana, largue um comentário aqui, no FB, mail, etc. e combinamos para nos encontrar. Que tal?

Até o próximo post!

Sunday, June 19, 2011

O Reino Nas Minhas Mãos

A Electronic Arts lançou mais uma nova iteração da sua franquia "The Sims", provavelmente o jogo mais vendido na história do videogame por seu apelo com qualquer tipo de jogador, seja homem, mulher, criança, adulto, jogador casual ou frequente. Este novo jogo é completamente independente dos outros da saga, portanto não requer nenhum dos pacotes anteriores. O novo Sims ganhou o nome de "The Sims: Medieval", e seu nome eis a razão óbvia para ganhar um post no blog.



Não vi o jogo para venda nas lojas ainda, mas pode comprar online como dowload direto (o que tenho preferido ultimamente para comprar jogos). A vantagem dos jogos comprados desta forma é que você pode fazer download do game quantas vezes quiser, onde precisar. Nunca mais você perde uma mídia, um CD ou DVD, um número de série... Basta entrar com o seu login, e se precisar baixar o jogo inteiro de novo. Além disso, nunca mais tive que colocar um CD ou DVD no leitor para rodar o jogo. Simples, prático, direto. Finalmente esse modelo de negócio chegou, e veio para ficar. Abençoados os que tens banda larga, pois vos a usareis.

Antes de falar do The Sims Medieval, vou fazer uma pequena introdução aos jogos deste tipo. Duvido que a essa altura do milênio exista alguém que ainda não tenha jogado ou pelo menos visto os jogos dos Sims, mas como resumo da história é como jogar de casa de bonecas, só que legal. Quer colocar fogo na casa? Deixa um personagem cozinhando sem experiência.Quer ver os bonequinhos ficarem loucos? Apaga a porta do banheiro. E por aí vai.

Particularmente, uma das coisas que sempre gostei do The Sims são os módulos de construção. No fundo, todos tem o sonho da casa própria, e no jogo você pode brincar de construir desde casas simples até verdadeiros palacetes de vários andares, usando uma interface bem simples e rápida de aprender. Passava muito tempo brincando com Marion nesse jogo, nos brincávamos juntos na mesma máquina. Eu gostava de reformar as casas, e deixava com ela a interação com os personagens (chamados de "Sims"). Dá para fazer famílias inteiras, e nas versões dos jogos que tem vizinhanças, você popula cada uma das casas com uma família e elas interagem como vizinhos, se visitando e ficando amigos com o tempo. Reflete bem o espírito de morar em casa, onde todos os vizinhos se conhecem. Para quem mora em prédio, sabe que a situação é um pouco diferente, mas ainda assim a receita da amizade é a afinidade.

Por causa desse recurso de familias e bairros, muita gente opta por reproduzir as famílias de seriados e novelas; fica muito engraçado criar personagens com semelhanças físicas aos personagens de seriados, e colocá-los para interagir em situações do dia a dia, como pegar o jornal ou fazer ginástica na frente da TV. Imaginem só, fazer a Liga da Justiça ou os X-Men dentro de uma casa, parecendo mais o Big Brother do que heróis... o jogo fica hilário!

Agora que "nivelamos" o conhecimento sobre The Sims, posso contar um pouco melhor sobre o TSM (The Sims: Medieval) e suas particularidades. Nesta nova versão, temos a oportunidade de erguer um reino medieval fictício do zero, onde controlamos personagens decisivos na trama. As decisões de cada personagem mudam o rumo do reino, influenciando a situação com os reinos vizinhos, passando da diplomacia e amizade para uma declaração de guerra em poucas jogadas. 

A interface do jogo continua bem parecida às versões anteriores, com apenas algum outro botão novo para dar acesso às novas funções. A mudança mais radical é no fato de acompanhar o Sim o tempo inteiro durante sua jornada; nas versões anteriores, os Sims ganhavam profissões e "iam trabalhar", sumindo por algumas horas e voltando depois com o dinheiro do dia. Neste novo jogo, seu dia inteiro é seguido de perto. O monarca tem que escrever leis e ouvir as reclamações e pedidos da plebe, os vendedores tem que abastecer suas lojas e vender, e assim por diante. O jogo coloca um Sim específico (criado pelo jogador ou usando algum dos já prontos) na responsabilidade de uma propriedade, e com isso ganha sua profissão e obrigações diárias (seja como rei, espião, guerreiro, vendedor, ferreiro, etc..). Estas obrigações são críticas para o bom andamento do jogo; se deixar as mesmas de lado, simplesmente a mecânica inteira do jogo confabula para garantir a falência do cidadão em questão. Voltando um pouco, cada dono de propriedade é chamado de "herói". Assim, cada Sim que tem uma profissão e é controlado pelo jogador ganha o título de herói, e pode desenvolver pontos dentro da sua carreira, que facilitam as tarefas a longo prazo. Requer um pouco de estratégia e disciplina, mas sem tornar o jogo chato. Pelo contrário, posso dizer que a obrigatoriedade de certas atividades torna o jogo mais interessante, mais coeso e menos largado do que edições anteriores. Estas obrigações podem fazer-se a qualquer momento, mas como requerem um certo tempo para concluí-las é bom não deixar para muito tarde. Fora isso o jogo dá a costumeira liberdade de fazer o que tiver vontade, literalmente.

O visual do jogo, desde a interface até os cenários, roupas e móveis, seguem a linha medieval da proposta. Quem conhece os jogos anteriores vai se deliciar com as sacadas da adaptação ao mundo medieval, como o diamante do status encravado em ouro. A música, completamente instrumental e
fortemente inspirada em cordas e metais e sopros acerta o tom em cheio.

Outra coisa que considero um acerto no jogo é a simplificação na criação do Sim. Ficou muito mais rápido, sem ter que mexer em pontos por signos do zodiaco nem outras firulas. Simplesmente, você escolhe duas ou três características da conduta (inclinadas para o bom ou ruim), compõe a aparência e vai pro jogo. Falando na aparência, acho que podia ter mais opções de indumentária. Acho que as roupas ficam cansativas bem rápido; provavelmente seja uma jogada do fabricante para vender pacotes de ampliação.

Agora, resumindo e para encerrar: ambientada na Idade Média, este novo Sims tem tudo para virar um sucesso como os anteriores. As novidades do jogo são bem-vindas na sua maioria, e continua divertido mesmo depois de tanto tempo. Para quem gosta da saga, é uma ótima pedida.

Para Geeks: Encontrei um ponto negativo no jogo em relação a um velho defeito já conhecido do jogo, e que não foi resolvido até hoje; é um problema técnico, portanto me desculpem se o papo ficar muito chato. O jogo não tem nenhum limitador interno de velocidade de vídeo, portanto pouco importa se você tem uma placa de vídeo boa ou ruim, ele sempre vai exigir o máximo dela. Isso implica que nos computadores de alta performance, as placas de vídeo literalmente fervem. Eu sempre deixo um termómetro ligado (o MSI Afterburner) para checar a "saúde" da minha placa de vídeo enquanto jogo, e reparei que a placa chega a absurdos 93C ao jogar The Sims. Como referência, o jogo mais exigente que usei até hoje foi o Crysis, que chegava a 82C. Por mais que a placa diga que funciona legal até 105C, com certeza afeta a vida útil da placa. Depois de investigar este problema, vi que é uma coisa que a EA não resolveu até hoje, e atormenta desde o primeiro The Sims. Tem várias soluções para esse problema: a mais simples é configurar a placa de vídeo com VSync ligado, o que trava o vídeo na velocidade do monitor (geralmente 60 quadros). Se isso não funcionar, podem usar programas externos que se sobrepõem às configurações da placa. Alguns são muito velhos e não funcionam, mas um que posso recomendar (foi o que usei) é o SSAA Tool. Para quem conhece um pouquinho é bem fácil de configurar, e permite outras opções como forçar o Triple Buffering ou mesmo o SSAA. Depois de instalar este programa e configurar como queria, posso rodar o jogo em 30 quadros a mais do que saudáveis 45C, ou aumentar para 60 quadros, o que deixa a placa em 70C, a média para os jogos que uso normalmente. EA, vê se arruma esse negócio e pára de fritar os computadores dos teus jogadores!

Até o próximo post!

Sunday, May 29, 2011

Nas Terras do Rei Arthur - Parte 7

Este post é continuação de um post anterior, portanto, se você não viu o que está rolando, veja o post anterior neste link.

Hoje admito que vou tapear um pouco com o post. Embora o post seja sobre minhas aventuras nas terras do Arthur, o assunto não será arturiano, ou ao menos não intencionalmente.

Hoje quero contar para vocês sobre minha visita ao British Museum em Londres.


Passeando na História

Ouvi muito sobre o Museu Britânico de pessoas que tiveram a oportunidade de visitar, me falando como era grande, bonito, e comentando sempre com entusiasmo sobre a ala egípcia. Posso dizer que depois de fazer minha própria visita, entendo perfeitamente do que estão falando, e faço minha essa empolgação. Não vejo de que forma apenas com meu texto e minhas fotos vou mostrar isso, mas vale como "petisco" para fazer nascer em vocês uma pontinha de curiosidade. Quando surgir a oportunidade ou se o destino levar vocês até Londres, este post vai lembrar vocês sobre um museu fantástico para visitar.
 
Como todos os museus de Londres, o British Museum tem entrada franca (é, cultura é gratis!); fica a poucos quarteirões da estação de Holborn de metrô (tube, ok?); foi nesta estação que desembarquei, voltando de Milton Keynes. Digamos, cheguei pela estação de Euston, fui andando pela rua com mala e tudo até King Cross, larguei a mala no locker (8 libras por 24 horas), e fiquei só com a mochila e a câmera de fotos. Peguei o tube aí mesmo em King Cross até Holborn, e mais uma curta caminhada até o museu. Eu achei que ia me sentir um ET caminhando pela rua com a mala de Euston a King Cross, mas na verdade tinha toda uma galera fazendo isso, tanto em um sentido quanto no outro. O dia estava muito ensolarado, e foi bem gostoso fazer esse trechinho pela superfície. O único risco é atravessar a rua, com o fluxo invertido que sempre confunde para olhar. 

Bom, a questão é que cheguei no museu com tempo suficiente para dar uma volta bem completa (umas 3 horas). O maior problema das pessoas quando viajam é não se planejar; se você pode pesquisar um pouco e se informar antes de viajar, isso te poupa muito tempo. Fiz com o British Museum o mesmo que fiz com o Louvre alguns anos atrás: sabendo o que tem no museu, marquei em um mapinha tudo o que queria ver, as coisas que não podia perder. Com essa lista, fiz um roteiro dentro do museu, sabendo o que ver e onde parar. Assim, com um roteiro planejado, é fácil calcular o tempo, e pouco importa se você tem 30 minutos ou 3 horas; basta acelerar o diminuir o passo e ver mais ou menos coisas, mas nunca vai deixar de ver os objetos que chamam sua atenção.

Entrei no museu, e virei a esquerda, andando rapidamente pela ala mesopotâmica, sem olhar quase nada. Não que não tivesse interesse nesta ala, mas é nesse sentido que fica o banheiro mais perto. Desculpem, necessidades fisiológicas primeiro. 

Depois deste nada charmoso comentário, percorri calmamente o corredor da ala mesopotâmica, que ia me levar diretamente na entrada da ala egípcia do andar térreo.

É incrível mesmo. Mesmo para um leigo no assunto como eu, é fascinante como a exposição é ilustrativa. É fácil perceber as diferentes épocas, reinados ou mesmo a evolução na grafia hieroglífica. Com a passagem dos séculos, os desenhos ficam mais apurados, mais precisos, mais ricos.

Sem dúvida alguma, esta ala ganhou a fama que tem com razões de sobra. A quantidade de peças em exposição e a riqueza histórica guardada em cada uma delas faz desta coleção um tesouro fascinante.


A imagem acima é apenas uma amostra do que encontramos no museu. Boa parte das peças contam com placas descritivas sobre a origem, a época, e detalhes como o propósito ou valor histórico da peça em si. Descobrimos a história da civilização a cada passo.

Sakhmet

Não bastava mostrar as estátuas, os panéis, ou mesmo um escaravelho colossal. O museu ainda guardava algumas surpresas na manga. Como a moça da foto abaixo.

Cleo.


Esta é a múmia e caixão de Cleopatra, filha de Candace, do mausoleu da família Soter, e entrou no museu em 1823 com a coleção de Henry Salt. Sobre as múltiplas camadas de pano, foi pintada a imagem de uma mulher falecida. No caixão tinha também um pente e um colar de sementes, colocado na múmia. Os hieroglífos no caixão dizem que Cleopatra faleceu aos 17 anos, um mês e 25 dias. A múmia foi escaneada com raio-X, e o esqueleto mostra um desenvolvimento bem compatível com essa idade.

O esqueleto parece estar em boas condições, com a cabeça inclinada à frente e a boca aberta. Há pelo menos três pacotes na cavidade direita do peito, provavelmente orgãos preservados. Há um objeto de 9 centímetros do lado esquerdo, provavelmente um pequeno rolo de tecido, ou uma pequena estatueta. O raio-X também mostra os materiais usados para colar a múmia (areia ou lama, provavelmente), o que deixa a múmia com um peso de 75 quilos. Na foto ao lado, os detalhes internos do caixão.

Múmias de pessoas e animais (de gatos a pássaros, macacos, crocodilos e até bois) abundam no museu, assim como objetos pessoais, dispostos nos corredores do primeiro andar dedicado ao Egito. Mas o museu tem outras alas e peças incríveis. Entre elas, a pedra Rosetta, encontrada durante a guerra por soldados e chave para revelar o significado dos hieroglífos.

Esta pedra contem um decreto em três idiomas: grego, egípcio "popular" (usado para mensagens e anotações corriqueiras) e hieroglífos, datado em 27 de Março de 196 a.C. Foi através desta pedra que, por associação e cruzamento entre os idiomas, foi possível desvendar o significado dos hieroglífos, dando uma nova dimensão ao conhecimento sobre a cultura e história dos grandes faraós. Vale dizer que os hieroglífos já tinham mais de 3000 anos de história quando esta pedra foi gravada, e o texto inferior era grego por uma razão simples: na época da inscrição, todos os documentos de governo eram redigidos em grego, já que o Egito estava sob domínio de uma dinastia grega.

Foi engraçado perceber quantas peças do museu aparecem em livros, filmes, seriados ou mesmo videogames. Cada corredor, cada estante revelava uma nova peça histórica que inspirou histórias; especialmente as seções mais antigas, como as peças babilônicas e fenícias tinham toda a cara de fugidas de um filme do Tomb Raider. Tudo à minha volta tinha cara de caçador de tesouros.

Continuei meu passeio, e finalmente cheguei em uma das seções mais esperadas, um tanto negligenciada pela maioria dos visitantes. Notei como as outras pessoas passavam rapidamente por aqui, quase sem tirar fotos. Apenas alguns estudantes, cadernos em mão, anotavam detalhes para seus trabalhos de escola. Estava na seção dos começos da Europa, estava entre os primeiros europeus. Estava entre os celtas.


Pouco sobreviveu deste periodo, embora não tive como evitar um sorriso ao ver os braceletes, pulseiras e colares de ouro maciço, troféus dignos de reis. Tesouros históricos e reais, valendo muito mais do que seu próprio peso em ouro.

Alguns séculos depois de Cristo, os romanos chegaram nas ilhas britânicas, e com Roma vieram as estradas, as armaduras e a escrita. Fiquei fascinado com o monte de pequenas peças, como moedas e distintivos encontrados do periodo romano. Entre esses objetos, o da foto ao lado despertou em mim um sentimento de simpatia: é uma peça onde se lê LEC XX e o desenho de um javali. É o distintivo do vigésimo grupo de legionários romanos, como eram separadas as tropas na época. Impossível não lembrar do Conn Iggulden e seus fantásticos livros sobre a Roma do César.

Pequenas peças como esta somem na grandiosidade de escudos, espadas, panéis de pedra e outros objetos muito mais chamativos, seja pelo tamanho ou pelo brilho do metal. Descobrir estas pequenas pérolas, quase escondidas no meio de tantas outras coisas, tem sem dúvida um gostinho especial. Tem a sensação de descobrí-las pela primeira vez, como se o prazer de encontrar a peça perdida na história fosse um privilégio nosso; como se fosse a gente mesmo que desenterrou a pequena peça de terracota por acaso, e limpou com os dedos entre as letras para descobrir as figuras, se revelando à luz do sol novamente depois de séculos.

Outra coisa fantástica foi encontrar peças  que já apareceram em documentários, como os intrincados enfeites de ouro e pedras do tesouro de Suton Hoo. Foi neste lugar que encontraram um pequeno tesouro, onde a escavação continou encontrando uma ripa de madeira, e depois outra, até revelar que era um barco inteiro repleto de tesouros.


Já no lado mais "moderno" da Europa, encontrei um relicário bem curioso, digno das histórias do arqueiro de Bernard Cornwell. Embora menos bizarro que os relicários que vi na Alemanha, este relicário foi construido para guardar um espinho da coroa de Cristo. Este tipo de relicário era muito comum na Europa, onde surgiam objetos com poderes fantásticos, sempre de origem mais do que duvidosa. O engraçado deste relicário é que foi feito sob encomenda, e o joalheiro fez dois relicários, devolvendo o falso para o dono. Muitos anos depois, o joalheiro confessou a troca, e devolveu o espinho e o relicário original ao dono. É engraçado que pecados como mentira, assassinato, roubo e tantos outros são "omitidos", e os mandamentos convenientemente esquecidos em relação a objetos diretamente relacionados com a religião cristã.
 
Estava terminando meu passeio, perto já da hora do fechamento do museu, e encontrei uns panéis que me emocionaram. Finalmente, encontrei um pedaço de história que tinha aparecido no meu blog; depois de horas no museu, me encontrei com as gravuras que já ilustraram várias vezes os contos mais famosos.


Como não se emocionar ao dar as caras com estes tesouros, com estes pedaços de história latejando, vivos na nossa frente?


Quantos textos já escrevi onde mostrei gravuras medievais com estas? Cada conto do Malory, cada texto do Chrétien de Troyes, Perceval, Gawain e tantos outros...

É com estas imagens que quero encerrar o post, e com este post encerrar minhas histórias em terras arturianas. Está mais do que na hora de voltar com os contos que tantas gerações inspiraram, e que continuam inspirando até hoje. Tem muitos livros novos, muitas novas histórias, coisas maravilhosas aguardando por nós. Quem sabe, em algumas centenas de anos, se fale de estas histórias, e de blogs como o meu.

Para matar a saudade da Inglaterra, seus monumentos e museus, vou deixar mais fotos no Facebook. Quem quiser dar um pulo pelo FB nos próximos dias, vai encontrar muito mais do que estou contando aqui. É Inglaterra, ainda volto pra te visitar de novo.

Até o próximo post!