Tuesday, November 1, 2011

Anglo-Saxon em 1 Minuto

Rá! Apenas duas horas e trinta minutos para escrever e não perder meu próprio desafio. É assim que tem que ser afinal... se fosse fácil, qual a graça?

Para quem estiver boiando nem que a moça do último post, este é o segundo post do desafio "Pega teu teclado e escreve, pô", lançado ontem neste mesmo blog. É um desafio pessoal, mas vale para todos os que perceberam que seus blogs andam assim, meio abandonados.

Hoje foi um dia cheio, bem cheio. Muitas novidades no trabalho, e ao mesmo tempo me concentrando nas questões de não largar a academia um dia sequer, nem deixar de tocar a música que estou praticando na bateria, fora detalhes corriqueiros como cozinhar, comer, tomar banho...

Mesmo assim, eis que aparece um post no blog. Curto, sim, mas interessante. Muita gente não tem o hábito da leitura, simplesmente porque hoje temos ao alcance das mãos outros meios bem dinâmicos, e que também servem para nosso aprendizado geral. Eu participo de uma comunidade no Facebook chamada King Arthur, donde conheci muita gente fascinante, a grande maioria deles escritores, historiadores e roteiristas que se inspiram tanto no Arthur literário quanto no histórico. Foi nessa comunidade que encontrei um videozinho muito legal sobre a conquista da Inglaterra e o surgimento do idioma inglês, explicado de forma muito, muito simples. Achei a cara do meu blog, com o estilo despachado de explicar certas coisas... Vejam o vídeo, e me digam se não faz tudo sentido mesmo.



Por hoje é só... amanhã tem mais! E vamos adiante com o desafio!

Monday, October 31, 2011

Boiando na Poesia: A Senhora de Shalott

Este é o primeiro post do desafío "Pega teu teclado e escreve, pô!"

Por razões que nunca vamos entender completamente, na escola passamos por alguns períodos traumáticos de leitura de poemas e/ou poesias intermináveis. Nessa época, quase tudo o que cai nas nossas mãos tem o objetivo de nos ilustrar sobre a riqueza do nosso idioma nativo, da nossa língua mãe, por assim dizer. No caso do Espanhol, todos os que passaram pela escola tiveram sua chance de mergulhar (geralmente sem snorkel nem tanque de oxigênio) no épico "Martín Fierro", que conta as aventuras e principalmente desventuras de um gaúcho nos difíceis tempos da conquista. Perseguido tanto pelos índios quanto pelo exército, o gaúcho era a genuína fronteira entre a civilização e a barbárie. Era o limite mínimo da vida em sociedade, oscilando entre a gentileza e a selvageria, como uma amalgama, ou uma liga das duas coisas.

Tá, o livro é legal, eu admito. Mas na adolescencia é quase crueldade fazer alguém ler o Martín Fierro.

Para citar realmente um exemplo que me dá calafrios até hoje, tenho que admitir que odeio Gabriel García Marquez. Os livros dele são intragáveis para meu paladar, e falo isso depois de ter lido até o fim "Cien Años de Soledad" e o "Relato de un náufrago". Em bom portenho, "me morí de embole".  A definição de embole é bem parecida com o sentimento expressado pela simpática moça do quadro abaixo.

Embole.

Assim, percebo que com outros idiomas não é diferente. Ouvi vários comentários bem desanimados como este aqui:

"Eu tinha que ler Machado de Assis, é incomprensível.. Pedem para a gente ler os livros dele, falando que nossa língua é a tal língua de Camões, mas o que esse cara escrevia é arcaico... fala sério.."

Pois é. Tentem ler o Quixote no original, e estamos no mesmo barco. Aí fico imaginando as criancinhas alemãs lendo Goethe. Mein Gott.

Mas, e o Inglês? O que eles lêem além do Shakespeare?

Eis que entre uma pesquisa e outra, descobri que usam o poema da Senhora de Shalott como parte das leituras obrigatórias. Para quem leu ou ainda vai ler o livro Avalon High, posso dizer sem spoilers que este poema rege o curso do livro, e um trecho do mesmo aparece no começo de cada capítulo. 

Este belo poema (belo porque não sou um adolescente que tem que estudar a força) foi inspirado na história de Elaine de Astolat, personagem fantástico que aparece no Le Mort d'Arthur de Malory. Ainda vou falar da Elaine e seu papel na lenda, mas comecemos pelo poema para não perder o foco.

O autor deste poema foi lorde Alfred Tennyson, nascido em 1809 e viveu surpreendentes 83 anos, praticamente a vida inteira dedicando-se à poesia durante o reinado da rainha Vitoria, e detém até hoje o título de um dos autores mais populares de poesias na língua inglesa.

Devemos ao lorde Tennyson algumas frases que estão em uso até hoje, ao ponto que trascenderam para outras línguas. Sabem aquele ditado, "É melhor ter amado e perdido, do que nunca ter amado"? É dele. Tennyson e o quinto autor mais citado no dicionario Oxford de citações (embora eu não fiquei contando para comparar).

Sobre o poema, a trama basicamente é assim: a Senhora de Shalott é um ser mágico, que vive sozinha em uma ilha rio acima de Camelot. Seu trabalho consiste em olhar tudo o que acontece fora do seu castelo através de um espelho; ela nunca, mas nunca deve olhar diretamente para fora da janela. Por sinal, como isso era muito fácil, ela tinha que tricotar (ou bordar) tudo o que enxergava pelo espelho em um tapete. 

Mesmo assim, ela parece feliz com sua vidinha invertida pelo espelho, já que segundo o poema, os camponeses a escutam cantar. Eles sabem que é ela, mas nunca a viram de fato.

Assim, a senhora de Shalott vê e borda gente comum, alguns jovens casais, e cavaleiros de armadura, tudo pelo espelho. Até que um belo dia, no reflexo ela vê Sir Lancelot, cavalgando sozinho. Embora ela sabe que é proibido, ela vira para a janela, e olha para Sir Lancelot. O espelho trinca e quebra em pedaços, e o tapete que ela costurava sai voando pela janela com o vento, e assim a Senhora de Shalott sela seu destino e sente o peso da maldição. Para variar, tinha que ser o babaca do Lancelot para estragar a vida dos outros. Isso é opinião minha, não do poema.

Uma tormenta de outono aparece sem aviso; a Senhora de Shalott sai do seu castelo, acha um pequeno barco, escreve seu nome nele, entra no barquinho, o empurra para flutuar e entrar no curso do rio, e canta sua canção de morte enquanto o rio a leva abaixo, até Camelot. As pessoas encontram o barco e o corpo, se mancam quem é, e a tristeza toma conta deles e Lancelot pede a Deus que tenha misericórdia da sua alma (da dela, não da dele, ok?).

Fim. É, isso mesmo. Bem medieval. Morreu, acabou, não tem chorinho não.Eu acho que morreu por muito pouco, considerando otras histórias como a da princesa tarada, que angariou uma legião de fãs aqui no blog.

Para não terminar assim, digamos, brutalmente, me permito fazer um comentário nem tão pertinente, mas é uma das coisas que descobri pesquisando. Teve uma irmandade fundada em 1848 chamada "Os Pre-Rafaelitas", composta por artistas que rejeitavam o estilo introduzido no renascimento por artistas como Raffaelo e Michelangelo. Para eles, estas influências "atrapalhavam" o ensino da "verdadeira arte". Vai saber as razões que tinham para isso, mas os pre-rafaelitas curtiam a história da Senhora de Astolat, e produziram algumas pinturas inspiradas na história, como a que ilustra este post (obra de John William Waterhouse).

Bom, por hoje é só... afinal, esta semana promete! Qual será o post de amanhã? Hein? HEIN?

Aliás, hoje estou dando uma de Paulo Coelho. Nada de passar corretor ortográfico, vai assim mesmo!

Até o próximo post! O desafio está em pé!

Pega teu teclado e escreve, pô!

Como já perceberam, ando meio desligado do blog. Assim, decidi lançar um desafio para mim mesmo: nesta semana (que não é de férias nem nada parecido) farei um post histórico, decente, útil e informativo POR DIA. É isso mesmo. Em caráter completamente atípico e extraordinário, o Camelot or What fará uma semana de posts DIARIOS.

Está lançado o auto-desafio; quem também estiver com preguiça de escrever, pesquisar e tantas outras coisas, deixo a chance de se redimir com a sociedade online e lançar esse desafio também. Não precisa ser esta semana, mas qualquer semana na qual acordem de pá virada e digam "vai ser agora".
Só não me peçam um horário para sair os posts, mas fato é fato: ainda hoje, vai ter que sair um post histórico. Não vale copiar e colar, estamos claros?

Até o próximo post, ainda hoje!

Monday, October 24, 2011

Não é falsa, é réplica...

Alguns dias atrás estava falando com a Marion, e lembrei deste post:


Tudo começou com um comentário meu sobre o seriado Merlin, que em sua quarta e mais nova temporada tomou coragem e está matando personagens importantes. Aí, como quem não quer nada, soltei um comentário, mais ou menos assim:

- Podiam aproveitar e matar a Guinevere, falando que era a falsa Guinevere.. bom não digo matar, só trocar mesmo.
- Ah, não seja mau, coitada..
- Não é maldade, tinha uma falsa Guinevere mesmo.
- Como assim? Falsa Guinevere?
- Claro, na lenda tinha uma falsa Guinevere, que substituiu a verdadeira uns tempos.. Eu postei disso, não lembra?

Lógico que ela não lembra. Eu mesmo esqueço às vezes! Bom, eu tinha pensando em escrever um post mais completo sobre o assunto, mas o primeiro que escrevi é bem completo e conta a história direitinho. Se ficaram curiosos, podem clicar no link acima e relembrar de onde saiu a outra Guinevere.

Mas, como internet é uma coisa mutante, toda hora aparecem novidades. Assim, descobri este link, com um comparativo entre alguns manuscritos, específicamente em relação ao trecho da falsa Guinevere; é interessante comparar as versões, e pensar o que levou os escritores destes manuscritos a mudar uma parte o outra. Foi decisão deles? Escreveram da sua memoria, ou receberam instruções sobre o que escrever? E as ilustrações, com qual critério escolheram desenhar uma cena ou outra?

Pensem nessas perguntas, e se divirtam mergulhando neste comparativo.


Até o próximo post!

Sunday, October 16, 2011

Onde está Wally?

Pois é... Como é que um blog com postagens semanais fica mais de um mês sem novidades?

Tem várias respostas, algumas com cara de desculpa, e outras com cara de verdade. Não vim até aqui para jogar desculpas em vocês, mas para pedir desculpas por essa longa pausa nas postagens. Posso falar que a soma das novas atividades, como a mudança de cargo no trabalho ou ter começado a fazer academia está me obrigando a escolher minuciosamente o que faço com cada minuto livre, e sobram cada vez menos minutos para escolher. Mas, não vejo isso como uma coisa ruim, apenas uma questão de escolhas. Foi decisão minha parar as postagens no blog por enquanto, até organizar uma rotina que me permita escrever novamente. Não gosto de escrever bobagens nem de enrolar, por isso preferi não escrever nada a escrever qualquer coisa.

Nesse meio tempo, enquanto busco o espaço para ler e juntar conteúdo para o blog de novo, recomendo muito a quem pode que acompanhe a nova temporada do Merlin. Finalmente a BBC conseguiu budget para o projeto, e isso fica visível nos cenários, na construção das cenas e até na trilha incidental. É incrível como algumas cenas repetitivas (do tipo Merlin-encontra-alguma-criatura-mítica-em-um-lago) ganharam nova vida com a melhora da iluminação, das câmeras e da música de fundo. É a diferença entre um seriado como qualquer outro, e uma produção para valer. É, quem diria, estou elogiando o Merlin, depois desse tempo todo. E por sinal, o destaque vai para a Morgana. Finalmente encarou seu papel de vilã de verdade, e ganhou uma força até agora inédita para o papel. Dá gosto, quase que torço por ela em várias situações.

Alguém aí já assistiu também os primeiros episódios? O que estão achando até agora?

Até o próximo post! @Marion, parabéns de novo!

Saturday, August 27, 2011

Avalon High

Ah, férias... nada como tirar alguns dias para soltar o peso das costas, viajar, conhecer novos lugares, fazer novas amizades.. E claro, comer, dormir, e voltar a fazer coisas que ficaram de lado por falta de tempo. Entre elas, voltar ao hábito da leitura.

Levei comigo dois livros, leves e rápidos de ler. Para minha surpresa, nossa agenda nesta viagem de férias foi bem lotada, muito corrida, e só deu para ler nas esperas de aeroporto e dentro do avião. Terminei o primeiro livro ontem, e está na hora certa de comentar. Sobre a viagem, estejam atentos ao blog da Marion nesta semana.

Em Março, ganhei de aniversário o livro Avalon High, da autora Meg Cabot. Ela é mais conhecida por literatura adolescente (mais precisamente meninas), e Avalon High não foge muito dessa regra. Não tinha lido nenhum trabalho dela até agora, e admito que foi uma leitura leve e muito engraçada. O texto, mesmo leve e descompromisado, conta uma história que daria um bom filme da tarde, mas a Disney fez questão de destruir com sua versão digamos, criativa. Como de costume, vou contar um pouco da história do livro, sem contar detalhes para quem for ler ainda.

A protagonista, Elaine, é uma garota como qualquer outra. Não é de se arrumar, e por ser bem alta acha que os meninos não dão bola para ela. Nas palavras dela, ela não é romântica, é uma garota prática. Acabou mudando de escola quando seus pais mudaram para outra cidade, como fazem regularmente a cada sete anos. Acontece que os pais são professores universitários, e a cada 7 anos podem tirar um "ano sabático", onde geralmente aproveitam para alugar uma casa em outro lugar e vão para escrever algum livro, ou concluir alguma atividade acadêmica.

A escola nova é a Avalon High, onde conhece outros alunos que lembram muito os seriados de High School americanos. Tem o quarterback admirado por todos e líder dos alunos, tem a cheerleader invejada de tão bonita que se revela uma pessoa tão boa e honesta que nem dá para ter raiva dela, tem os inadaptados de sempre... é bem divertido mesmo.

Um detalhe que não falei sobre a família da Elaine: ela ganhou esse nome (que odeia, por sinal), em homenagem ao poema da Senhora de Shalott, um belo poema arturiano pelo que a mãe dela é fissurada. Os pais da Elaine são medievalistas, e embora isso possa ser legal, nunca vai ser legal para um adolescente. Sempre esses papos de mundo antigo, o tempo todo... Aliás, os adolescentes que me desculpem pelo meu blog arturiano, hehe..

Elaine odeia a Senhora de Shalott. Cada vez que sua mãe se empolga, seja pela emoção ou por uma taça de vinho a mais no jantar, começa a recitar o poema. Os pais dela são meio esquisitos mesmo, e acabam dando mico constantemente com esse seu jeito acadêmico. Segundo Elaine, isso é porque eles pensam de forma medieval, e então esquecem coisas como higiene, refrigeração da comida e outros costumes mais modernos. Ainda assim, são pais bem preocupados e zelosos da sua filha. Uma das lições que parece ter lavado o cérebro da Elaine é a preocupação com sua Imagem (assim, com maiúscula), e em várias cenas reflete sobre como sua Imagem é afetada pelo que diz, faz, ou mesmo por ter os pais que tem.

Assim como a Senhora de Shalott, cujo corpo percorreu os rios até chegar em Camelot, Elaine passou práticamente o verão inteiro boiando.. na piscina da casa nova. Ela tem obsessão pela piscina, já que nunca teve uma em casa, e cuida dela diariamente. Sua diversão é ficar lá, flutuando na bóia, enquanto pega sol metodicamente. Os diálogos desta parte do livro me fazem sorrir, só de lembrar as situações.

Na medida que começam as aulas, vamos descobrindo junto a ela os outros alunos, como o Will, o quarterback admirado e respeitado, Lance, o melhor amigo dele, e Jeniffer, a estonteante cheerleader namorada do Will. Temos também professores esquisitões, alunos meio excluídos do grupo, as amigas fofoqueiras... o kit completo da típica adolescência americana.

O fato é que, na medida que avançamos na leitura, começamos a identificar traços dos personagens arturianos em cada um dos alunos, coincidências que Elaine comenta com detalhes (graças ao mergulho compulsório de anos na lenda arturiana, promovido pelos pais). Nisso o livro faz um serviço enorme, e que tem que ser elogiado: o respeito pela lenda arturiana, personagens e detalhes da história é enorme. Para um livro adolescente, me surpreendeu notar que a autora de fato pesquisou a lenda, ou foi muito bem assistida durante a composição. E como na lenda arturiana, o círculo vai se fechando, o clima fica cada vez mais tenso, e o desfecho da história é inevitável.

O livro traz um trecho do poema da Senhora de Shalott no começo de cada capítulo, o que reforça ainda mais a entrelinha didática ao recitar um poema tão antigo para um público mais interessado no seu próprio mundo. Lindíssimo trabalho da Meg Cabot, que mesmo com uma linha de diálogo bem rápida e leve, conseguiu jogar tanta história nas mãos dos leitores. 

Recomendo sim! As aventuras da Ellie, Will e o resto da turma continuaram na saga Avalon High: Coronation, só que mudou o formato. Os livros viraram HQ, específicamente três gibis. Para mais detalhes sobre os livros e a autora, podem olhar no site oficial.

Bom, é isso por enquanto... mais no próximo post!

Sunday, August 14, 2011

Entrando na onda Pop

Não, não é da música pop, nem dar uma de pop star. Também não é pra confundir pop com poop, que são diferentes mas muitas vezes parecidos, devido aos oportunistas de plantão que buscam sucesso a qualquer preço.

Minha onda pop foi topar na inclusão do mais novo snippet do BlogSpot: a lista de populares. Vi surgir isso em vários blogs, e como a Marion me insistiu em fazer isso topei com a idéia e botei aqui na lateral do blog. Se você está lendo pelo RSS, que pena... está perdendo a chance de saber quais os posts mais populares do meu blog nesta semana. Tá esperando o quê? Clica aí e vem pro blog!

É, no fundo estou enrolando e sei que faz tempo que não publico, mas tem a ver com mudanças no trabalho e na rotina, que até agora não estabilizou. O bom que nesse tempo todo, a quantidade de visitas não caiu; assim como é com o Arthur, Camelot e a própria lenda, a popularidade não caiu nem um pouquinho.

Obrigado a todos por continuar aqui! Se tudo correr bem, logo logo poderei voltar à "nossa" rotina, e trazer um texto novo toda semana.


Até o próximo post!