Saturday, March 27, 2010

Preiddeu Annwn - Os espólios do Outro Mundo

Muito bem, hoje trago uma peça estranha, bem clássica e que já mencionei outras vezes porém sem muitos detalhes. Trata-se de um poema do século 14, extraido do Lliyfr Taliesin (Livro de Taliesin), que sugere que Arthur levou guerreiros até o outro mundo galés, na busca de um caldeirão misterioso.

Este trecho do livro ficou bem conhecido pela menção de Arthur, e por essa mesma razão entrou em todas as compilações de literatura arturiana. Hoje em dia, há um certo consenso que o ponto principal deste poema não era contar uma história sobre Arthur, mas mostrar o talento do Taliesin como bardo excepcional.

Assim, segue minha tradução do poema, baseada na tradução da Sarah Higley e publicada aqui.

I

1. Golychaf wledic pendeuic gwlat ri.
Eu imploro ao Senhor,
príncipe do reino, Rei.

2. [r]y ledas ypennaeth dros traeth mundi.
Sua soberania se estende
por sobre as terras do mundo.

3. bu kyweir karchar gweir ygkaer sidi.
Forte era
a prisão de Gweir
em Kaer Sidi (a fortaleza do morro)

4. trwy ebostol pwyll aphryderi.
Pelos cuidados de
Pwyll e Pryderi.

5. Neb kyn noc ef nyt aeth idi.
Ninguém antes dele
veio até ela,

6. yr gadwyn trom las kywirwas ae ketwi.
nas pesadas correntes cinzentas;
um fiel servo é mantido.

7. Arac preideu annwfyn tost yt geni.
E ante os espólios do Outro-Mundo
amargamente ele cantou.

8. Ac yt urawt parahawt ynbardwedi.
E até o dia do Juizo
deve durar
nosso lamento bárdico.

9. Tri lloneit prytwen yd aetham ni idi.
Três vezes o Prydwen cheio
foi como chegamos nela

10. nam seith ny dyrreith ogaer sidi.
Salvo sete
nunca voltaram
da fortaleza no morro.

(as duas últimas frases dizem que chegou ao morro um exercito equivalente a 3 vezes a capacidade de Prydwen, o navio de Arthur, mas apenas sete voltaram com vida).

II

11. Neut wyf glot geinmyn cerd ochlywir.
Estou honrado por louvar.
O canto foi ouvido

12. ygkaer pedryuan pedyr ychwelyt.
Na fortaleza de Quatro-Torres
quatro eram suas revoluções.

13. yg kenneir or peir pan leferit.
Minha poesia
do caldeirão
era proclamada.

14. Oanadyl naw morwyn gochyneuit.
Do hálito de nove donzelas
foi nutrido.

15. Neu peir pen annwfyn pwy y vynut.
O caldeirão do mestre do Outro-Mundo:
Qual a sua aparência?

16. gwrym am yoror amererit.
uma crista preta na sua borda
e pérolas.

17. Ny beirw bwyt llwfyr ny rytyghit.
Ele não cozinha a comida de um covarde;
não é esse seu propósito.

18. cledyf lluch lleawc idaw rydyrchit.
A reluzente espada de Lleawch
foi erguida dele.

19. Ac yn llaw leminawc yd edewit.
E na mão de Lleminawc
foi deixada.

20. Arac drws porth vffern llugyrn lloscit.
E perante a porta do inferno
lanternas arderam.

21. Aphan aetham ni gan arthur trafferth lechrit
E quando fomos com Arthur,
excepcional dificuldade,

22. namyn seith ny dyrreith o gaer vedwit.
Salvo sete
nunca voltaram
da fortaleza dos festins.

III

23. Neut wyf glot geinmyn kerd glywanawr.
Estou honrado por louvar.
O canto foi ouvido

24. ygkaer pedryfan ynys pybyrdor
Na fortaleza das Quatro-Torres,
ilha da porta forte.

25. echwyd amuchyd kymyscetor
O córrego e a niebla
se misturam.

26. gwin gloyw eugwirawt rac eu gorgord.
Vinho e licor
ante seu cuidador.

27. Tri lloneit prytwen yd aetham ni ar vor.
Três vezes o Prydwen cheio
fomos ao mar.

28. namyn seith ny dyrreith ogaer rigor.
Salvo sete
nunca voltaram
da fortaleza da resistência.

IV

29. Ny obrynafi lawyr llen llywyadur
Eu não dou valor
para os homens de letras.

30. tra chaer wydyr ny welsynt wrhyt arthur.
Além da fortaleza de Vidro eles não viram
o valor de Arthur

31. Tri vgeint canhwr aseui ar y mur.
seiscentos homens
estiveram frente ao muro.

32. oed anhawd ymadrawd aegwylyadur
Foi dificil
falar
com seu sentinela.

33. tri lloneit prytwen yd aeth gan arthur.
Três vezes o Prydwen cheio
foram com Arthur.

34. namyn seith ny dyrreith ogaer golud.
Salvo sete
nunca voltaram
da fortaleza das entranhas.

V

35. Ny obrynaf y lawyr llaes eu kylchwy
Eu não dou mérito a pequenos homens,
negligentes as tiras dos seus escudos.

36. ny wdant wy pydyd peridyd pwy.
Eles não sabem em que dia
quem foi criado.

37. py awr ymeindyd y ganet cwy.
Que horas do dia
Cwy nasceu.

38. Pwy gwnaeth arnyt aeth doleu defwy.
Quem o fez
quem não foi
às pradeiras de Defwy?

39. ny wdant wy yrych brych bras y penrwy.
Eles não conhecem o boi listrado,
dura sua frente.

40. Seith vgein kygwng yny aerwy.
Sete argolas torcidas
no seu pescoço.

41. Aphan aetham ni gan arthur auyrdwl gofwy.
E quando fomos com Arthur,
dolorosa travesia,

42. namyn seith ny dyrreith o gaer vandwy.
Salvo sete
nunca voltaram
da fortaleza no morro divino.

VI

43. Ny obrynafy lawyr llaes eu gohen.
Eu não dou mérito para homens pequenos,
negligente sua vontade.

44. ny wdant pydyd peridyd pen.
Eles não conhecem qual dia
o foi criado,

45. Py awr ymeindyd y ganet perchen.
que horas do dia
seu dono nasceu,

46. Py vil agatwant aryant ypen.
que animal eles guardam, prateada sua cabeça.

47. Pan aetham ni gan arthur afyrdwl gynhen.
Quando fomos com Arthur,
deprimente confronto,

48. namyn seith ny dyrreith o gaer ochren.
Salvo sete
nunca voltaram
da fortaleza do enclausuramento.

VII

49. Myneich dychnut val cunin cor.
Monges uivam
como um coral de cachorros

50. o gyfranc udyd ae gwidanhor.
de uma reunião com senhores
que sabem:

51. Ae vn hynt gwynt ae vn dwfyr mor.
Tem um sentido no vento?
Tem um curso nas águas?

52. Ae vn vfel tan twrwf diachor.
há uma faísca de fogo
de brutal agitação?

VIII

53. Myneych dychnut val bleidawr.
Monges ficam juntos
como jovens lobos

54. o gyfranc udyd ae gwidyanhawr.
de um encontro com senhores
que sabem.

55. ny wdant pan yscar deweint agwawr.
Eles não conhecem quando a meia-noite
e o amanhecer se dividem.

56. neu wynt pwy hynt pwy yrynnawd.
Nem o vento, qual seu curso,
que é furioso,

57. py va diua py tir aplawd.
Que lugar ele devasta,
que região ele ataca.

58. bet sant yn diuant abet allawr.
O túmulo do santo
é oculto
tanto o túmulo quanto a terra.

59. Golychaf y wledic pendefic mawr.
Eu louvo o Senhor,
grande príncipe,

60. na bwyf trist crist am gwadawl.
que eu não ficarei triste;
Cristo me garante.

É claro que há muitas dúvidas sobre a interpretação, já que o galés do texto é muito antigo e rudimentar, e com isso muitas palavras podem ter mais de uma interpretação. Por exemplo, no caso do ponto 58 do texto, diuant pode ser oculto, como desaparecido, neste caso no outro-mundo, e allawr pode ser tanto terra quanto campeão. Assim, o texto pode se referir ao sumiço dos túmulos dos campeões da batalha, ou ao sumiço dos túmulos tanto na terra como embaixo dela (de novo, no outro-mundo).

Tem mais um ponto interessante, que é a crítica aos monges no final do poema. Podemos entender que Taliesin sentia revolta com os monges, até pelo tom que usa ao chamá-los de "gente pequena que mexe com livros, meros covardes". Isto não tem nada a ver com o Arthur, e mostra apenas um ressentimento do bardo com os monges que documentavam os contos, como se não tivessem talento algum (e o talento fosse apenas dos bardos, os verdadeiros poetas).

Quem quiser estudar um pouco mais, visite o link e veja a tradução do site original, que inclui muitos comentários da tradutora bem interessantes para desvendar o texto. Como se isso não bastasse, ainda tem a oportunidade de OUVIR o poema no site!

Até a semana que vem!

Sunday, March 21, 2010

Viagem no Tempo

Últimamente estou com uns probleminhas de agenda. Não consigo separar tempo para blogar do jeito que gosto; até meus hábitos de leitura andam meio abandonados. Preciso retomar isso! De novo, trago um post curto. Acho importante manter a continuidade no blog, mesmo que o post não traga muito estudo. Nem todo post pode ser épico, não é?

Volta e meia encontro coisas curiosas na internet. Desta vez, cai no site do Regia Anglorum. Eis um grupo de pessoas que há mais de 25 anos encenam a vida medieval para eventos, demonstrações e por aí vai.

O que achei mais curioso é que não são um monte de marmanjos fantasiados com armaduras e que brincam de guerrinha. Eles reproduzem de fato a vida social, tanto da nobreza como dos peões nas vilas. Tem todo tipo de profissões, com pessoas trabalhando de fato como ferreiros, artesãos, cozinhando... O objetivo deles é mostrar como era a vida, a moda e os costumes nos reinos dos Ingleses (ou Regia Anglorum, como era chamado nos textos da época), e por questões históricas decidiram se apegar a um periodo que vai aproximadamente do ano 950 até o 1066. Assim, temos pouco mais de um século transportado para nosso dias.

A brincadeira é muito séria, mesmo. Eles celebram festas, casamentos, e usam suas próprias moedas como pagamento pelos trabalhos, movimentando a economia da maneira que era naqueles tempos.

Falando em riquezas, o projeto mais ambicioso é Wychurst. Este é o nome da cidade permanente que estão construindo. Imaginem isso, a mais nova fortaleza medieval, com direto a barcos vikings fazendo ataques. Só a idéia de poder visitar um lugar assim é como poder entrar em um livro de história e respirar, viver lado a lado a experiência de viver no periodo. Para mim, é sem dúvida alguma parte do roteiro do meu livro. Tenho que conhecer esse lugar!

Quem quiser conhecer mais, não deixem de clicar o link "Who we are" na página do Regia Anglorum.

Até a semana que vem!


Tuesday, March 9, 2010

cineminha?

Olá a todos... Está tarde para blogar, mas me sinto quase que obrigado a comentar por aqui que o Níver deste ano foi espetacular. De manhã cedo o corte de cabelo para me sentir eu mesmo de novo (e não o ET cabeludo que via no espelho), depois o ensaio na bateria, mais tarde o churrascão com a galera do trabalho (e dá-lhe GH, chimichurri e cerveja, rá!), depois voar pra casa e preparar tudo para a parte dois da festa, com mais GH, casa lotada, comidas, bebidas e claro, amigos e altos papos! Obrigado a todos por esse dia, vai durar bastante na memória.

Esta semana a Mara e a Marion me avisaram que o diretor do último Sherlock Holmes está preparando um filme (ou talvez uma série de filmes) sobre o Rei Arthur, mas especificamente sobre o livro Le Mort d'Arthur, na versão de Malory de 1485. E eu disse para mim mesmo uhu!, e digo mais uma vez, o Arthur voltou cada dia mais pop.

Tem boatos de outro filme também, mas engavetado por enquanto. Falando em filmes, caí em uma página que quero compartilhar com vocês, e vou concluir o post de hoje por aqui, apenas por questões de ressaca after-party.

O Celtic Myth Podshow é um cantinho da internet onde podemos ouvir (literalmente) histórias antigas, focando contos celtas, o que abrange Irlanda, Escocia, Inglaterra, Gales, e por aí vai. Nesse mesmo site encontrei uma lista de filmes super completa, muitas das quais já vi e comentei por aqui. Recomendo clicar no link e descobrirem quanta coisa bacana já foi filmada sobre estas histórias, a lista é longa!

http://celticmythpodshow.com/Resources/films.php

O site permite RSS feeds entre outros, e por isso já está na minha lista de visitas semanais. Aproveitem, poucas coisas são na faixa hoje!

Até a semana que vem!

Sunday, March 7, 2010

O Espartilho da Guinevere

Apenas como comentário fora de nota e que gostaria de divulgar, as aulas de bateria estão indo muito bem. Estou me divertindo bastante, consigo me distrair por completo do dia a dia, clareando a mente por assim dizer. Comecei a duas semanas, portanto foram duas aulas (sem contar a de demonstração, que foi antes do carnaval) e duas manhãs de ensaio aos sábados, dia que o estúdio está livre e tenho o espaço só pra mim. Apenas gostaria que não chovesse nos dias que vou, porque até agora não falhou uma vez, hehe!

Mas, vamos voltar ao nosso subject. No último post comentei de livros para vocês, e tem uma loja internet bastante bacana, a alibris.com. É um site de busca com o catálogo de muitas livrarias nos Estados Unidos, e como livro é isento de impostos (desde que a papelada do correio seja feita corretamente) é uma ótima oportunidade para achar aqueles livros que nunca vieram pra cá.

Tem uma iniciativa nacional muito parecida com a do Alibris, porém concentrada em sebos: é o Estante Virtual, com o catálogo de mais de 1600 sebos espalhados pelo país. A idéia é simples, porém excelente: os sebos entram em contato com o site e fazem o cadastro, e documentam seu catálogo no site. Um percentual da venda vai para o site, e todos ganham. Os sebos vendem mais, os leitores acham o que procuram mais facilmente, e o site se mantém com o que recebe das vendas.

Como disse na semana passada, descobri por acaso uma trilogia sobre a Guinevere, que tem por autora a Persia Woolley. Pesquisei um pouco mais pelo nome dela, e não parece ser uma pessoa muito conhecida; ainda assim, sua trilogia rendeu um filme para TV chamado Guinevere, que também é bastante obscuro.

As críticas dos livros são diversas. Tem pessoas que adoraram, e não emprestariam seus livros para ninguém por medo de perdê-los, enquanto outras pessoas não conseguiram terminar de ler por achar entediantes.

A trama apoia-se na lenda arturiana (não sei com qual grau de precisão), contando a história desde a ótica da Guinevere. Sendo assim, podemos esperar uma história feminina provavelmente no tom do bem mais conhecido Brumas de Avalon, com uma importante exceção: se a heroína é Gui, é bem provável que Morgana seja a bruxa má, a vilã da vez.

Encontrei fotos da capa dos livros na internet, e me deixaram pensativo. Sabem aqueles livros fininhos de romance clássicos, de autores poucos conhecidos? Então, Olha só:


Digamos, as capas são bem bregas... Mas como disse desde o começo, o Arthur é pop, e isto é apenas mais uma faceta que prova minha teoria.

Se diz que o "romance" ganhou status de gênero com "Orgulho e Preconceito", livro de Jane Austen publicado em 1813. É dela também o livro "Jane Eyre", publicado em 1847. Estes livros colocam o papel clássico da heroína, a mulher protagonista da história e sua perspectiva da história. O romance moderno consiste em histórias de amor monogâmico que desenvolvem o cortejo ao longo da história, e terminam invariavelmente em final feliz. O gênero é bem conhecido pelos livros de capa mole (que foi uma novidade na época), e por ser vendido em locais mais populares, como drogarias e bancas de jornal.

Falando nisso, descobri uma palavrinha que não conhecia ao pesquisar sobre o assunto. Os livros normalmente colocam a protagonista em alguma encrenca, e sempre vai ter o herói que chega no momento certo para salvá-la. Assim, as capas normalmente mostram uma mulher entregue nos braços de um homem, o que deu a estes livros um apelido hoje considerado ofensivo: "bodice-rippers", o que traduzido seria arrancadores de espartilhos. Sabem aquele colete medieval que as mulheres usavam, aquele clássico de roupa de aldeã medieval, ou de alemã da OktoberFest? Então, isso é um bodice. Que por sinal, era sempre a primeira peça que piratas e outros vilões arrancavam das mocinhas. Foi um jeito bem depreciativo de se referir a estes livros, mas ao mesmo tempo não acho tão impreciso.

Então... Agora só falta comprar!

Até a semana que vem!

Thursday, March 4, 2010

@online

Blog que é blog fica na internet, e por isso precisa de certos recursos. Eles são assunto, tempo, um computador para digitar e acesso a internet. Bom, neste final de semana estava sem o terceiro item, e assim o blog não saiu.
O que posso contar pra vocês é depois de algumas reinstalações e ter restaurado tudo a uma condição utilizável, usei uns minutinhos para pesquisar umas besteirinhas na internet, umas coisas sobre jogos antigos de PC. Sei lá, saudosismo provavelmente.
A questão é que estava buscando pela trilogia da Ubisoft do Príncipe de Persia, e caí em uma coisa nada a ver. Conheci uma senhora com o simpático nome de Persia Woolley. O que ela tem a ver com o Príncipe de Persia? Nada. Mas é autora de uma trilogia sobre a Guinevere, e agora começa a busca por esses livros.
Encontrei para comprar lá fora, mas aqui infelizmente só encontrei o último livro. Por ser um livro antigo, só localizei livros usados, mas até aí não vejo muito problema.
Vou olhar o que acho nos sebos que tem catálogo online, e depois conto pra vocês.

Até o próximo post!

Saturday, February 20, 2010

Return of the Metal

Como perceberam, pulei o post da semana passada. O carnaval costuma ser um período onde todos os blogs param, seja para descansar, porque os blogueiros estão viajando ou qualquer outro motivo. No meu caso, foi desânimo mesmo. Os posts de carnaval dificilmente ganham comentários, e não falo no meu blog, falo em geral. Fui no sambódromo como nos últimos anos, vi os desfiles, acompanhei um pouco pela TV, formatei os três computadores que tem aqui em casa, tirei o atraso de videogames parados na gaveta, enfim, me distraí com outras coisas, assim como todo mundo procura fazer no carnaval.

Estou começando algumas coisas novas; quero aprender a tocar um instrumento, e o escolhido foi bateria. Acho que vai com a minha cara, ao menos mais do que outros instrumentos. Também voltei à dieta, quero me sentir bem comigo mesmo. E tenho ouvido bastante música, e com isso descoberto algumas coisas que se encaixam no blog.

Faz menos de um ano falei do meu gosto por heavy metal. A questão é que hoje estava fazendo clicks na internet, seguindo um link, que me levou a outro, e assim a outro, e por vai, e achei um bocado de coisa interessante.

A lenda arturiana é fortemente épica, e como tal está na cara que as bandas de metal vão passar por ela, mais cedo ou mais tarde. Assim, fui descobrindo que várias pessoas passaram por ela, como maior ou menor grau de inspiração. Teve resultados empolgantes, enquanto outros não tiveram tanta inspiração. Vou parar de enrolar agora e contar o que achei. Aviso aos fãs das bandas: as opiniões aqui são inteiramente minhas, nada contra aos artistas, ok? Gostos são gostos, e respeito ao opinião dos outros.

Mägo de Oz

Esta banda espanhola, bem desconhecida por estas bandas tupiniquins (tanto é que até os links do wikipedia em português estão quebrados) faz heavy metal em espanhol, com letras no mínimo peculiares. Normalmente me emociono com música em espanhol, afinal é um idioma muito rico, cheio de fortes palavras e expressões sentimentais. Mas depois de ouvir um par de músicas e ler a letra das canções, me desapontei. Embora a parte musical é incrível, especialmente por inserir elementos celtas e sons não esperados como o de um violino e flauta transversal, achei que o vocal fica muito no lugar comum, sem elementos que realmente o destaquem de outras bandas. Sobre as letras, nem todo mundo tem estrela para escrever. A escolha dos assuntos é muito boa, incluindo álbuns como a opera rock "Jesús de Chamberí" ou "La Leyenda de La Mancha", mas infelizmente achei as letras sem inspiração.

Outra coisa triste são as capas dos CDs. Feio, baixo orçamento, um pouco pior do que feito em casa. Quando é assim, procurem um bom True Type épico, façam a capa preta e as letras em vermelho ou branco, sem sombrinhas nem firulas. Aliás, foi isso o que fizeram no álbum menos feio, o "Belfast", que por sinal tem letras mais inspiradas (tirando que ainda parece feito na mão com caneta). Uma coisa que me deixou incomodado desse álbum e a música "Mujer Amante", que pertence à banda argentina "Rata Blanca". Fiquei me perguntando se as outras músicas também são versões, até por ver várias versões de músicas espalhadas nos álbuns e shows ao vivo. Aí procurei na internet, e de fato o Belfast é um disco de versões, tanto das músicas deles como de outras bandas. Já que falei neles, procurem a música "leyenda del hada y el mago" de Rata Blanca. É uma das minhas favoritas, e uma das primeiras músicas de metal melódico que escutei na vida.

Mas, voltando agora ao assunto, o que os "mägos" fizeram com a lenda arturiana? O álbum "Folkertgeist" de 2002 traz uma música com o nome de "El Santo Grial". Vamos à letra:

El Santo Grial

Que trata de las novelas de caballería que Alonso Quijano
eligió para ocupar su tiempo y dormir su mente.
Todos buscamos un grial, ¿no?


Vengo de un tiempo más allá de la razón
Donde un viejo juglar
Cuenta una historia que el viento le susurro
Al bosque sobre un grial

Dicen algunos que de ahí bebió Cristo
Y otros que leyendas son
De un pueblo llamado celta
Al que vida eterna dio

Fuego, magia y pasión
Filtros de amor
Cuidan de él
¡Acompáñame!

Despunta el alba, la brisa acaricia el mar
Es hora de marchar
Forja tu espada con sabiduría y fe
Y en tus sueños guíate

Y por oscura que sea la noche
Y el miedo beba en tu piel
Más allá del reino muerto
Vida eterna hallarás

Fuego, magia y pasión
Filtros de amor
Cuidan de él

Toma mi mano y sígueme
Te mostraré lo que tu alma no ve
Por equipaje solo lleva tu fe
Por escudero el valor siempre ten

Y si en tu viaje oyes la voz
Del lado oscuro de tu corazón
Elige bien o jamás volverás
Del sueño del grial, nunca despertarás

Resumindo: Duendes não tem a ver com lenda arturiana. Tinha tanta coisa legal para falar, como o surgimento do graal, José de Arimatéia, as visões de Lancelot, Galahad e Perceval, mas não... eles tinham que falar de vento e duendes.

Blind Guardian

Basta entrar no site oficial da banda para notar a diferença entre eles e o grupo anterior. Façam isso, vão se chocar. Esta banda alemã usa como temática todos os elementos épicos como inspiração, ao ponto de participarem até de encontros de RPG. Aproveitem para fuçar o site deles, é bem legal.

Eles visitaram a lenda arturiana no álbum "Imaginations from the Other Side" de 1995 com duas músicas, "A Past and Future Secret" sobre a batalha de Camlann (ou monte Baddon), e "Mordred's Song", cujo assunto é óbvio.

Vamos às letras:

The Past and Future Secret

Oh, I haven't been here for a while
in blindness and decay
the circle's been closed, now

My song of the end
I've seen it all

Listen crowd
I'll tell you everything
though I have to say
I don't know much
talking about a past
and future secret
most called him once
and future king
far back in the past
I saw his ending
long before it started
I knew his name
he's the one who took the sword
out of the stone
it's how that ancient tale began
I hear it in the cold winds

My song of the end
I had seen it in my dreams
my song of the end
I can't stop the darkening clouds

I feel cold
when I cry out for the bark
take him back to Avalon
dwell on for a new age
so long sleep well my friend
take him back to Avalon
I will wait and guard
the future king's crown

My song of the end
it was nice but now it's gone
my song of the end
it was fixed the whole time
my song of the end
I saw it all

Agora sim... eles pelo menos leram alguma coisa antes de escrever, ou pelo menos assistiram um filme antes de escrever. Gostei muito da letra, e a música é forte também.

Mordred's Song

I've lost my battle before it starts
my first breath wasn't done
my spirit's sunken deep
into the ground
why am I alone
I can hear my heartbeat
silence's all around

See hat will rise
so don't come closer
fear your child
born with a king's heart
but fate fooled me
and changed my cards
noone asked if I want it
if I like it

Ref.:
Pain inside is rising
I am the fallen one
a figure in an old game
no Joker's on my side
I plunged into misery
I'll turn off the light
and murder the dawn
turn off the light
and murder the dawn

Nothing else,
but laughter is around me
forevermore
noone can heal me
nothing can save me
noone can heal me
I've gone beyond the truth
it's just another lie
wash away the blood on my hands
my father's blood
in agony we're unified

I never wanted to be
what they told me to be
fulfill my fate then I'll be free
god knows how long
I tried to change fate

(Solo)

Ref.

(Solo)

I plunged into misery
I'll turn off the light
and murder the dawn
turn off the light
and murder the dawn

Menos inspirada que a anterior, mas também um hino musicalmente falando. Estou ouvindo algumas coisas no youtube agora, e é bem provável que vá atrás de algum álbum deles. Por sinal, meu níver é no próximo dia 13, só por comentar :-)

Bruce Dickinson

Ah, Bruce... O que seria do Metal sem você. Além do Iron, ele fez vários trabalhos solos, entre eles o "Chemical Wedding", lançado em 1998. Este álbum foi remasterizado em 2005, e ganhou três faixas bonus, onde a primeira delas é a "Return Of The King", que fala exatamente dele, do homem, da lenda, nosso herói, o Rei Arthur e sua volta de Avalon. Olha só:

Return Of The King

A 100 years of toil and pain
To pull a stone upright again
Uprooted from its mountain home
Taken to this sacred circle
Is there a secret in the stones?
A message in the hills
Is there a secret in the stones?
A message long ago

I know the king will come again
From the shadow to the sun
Burning hillsides with the beltane fires
I know the king will come again
When alt that glitters turns to rust
Uther pendragon standing fast
Beside you

The sun the moon we worshipped here
A calendar of fear
Gazing across the channel sea
To see the beacons burning brightly

Is that a shadow on the hill
Or a phantom in the mere
What is tne meaning of these stones?
Why do they stand alone

I know The king will come again
From the shadow to the sun
Burning hillsides with the beltane fires
I know the king will come again
When all that glitters turns to rust
Uther pendragon standing fast
Beside you

Bruce, Obrigado. Só posso dizer isso.

Para quem estiver curioso pelas músicas, seguem alguns links:

Mägo de Oz - El Santo Grial
Blind Guardian - The Past and Future Secret
Blind Guardian - Mordred's Song
Bruce Dickinson - The Return of the King

Boa semana a todos!

Pequena nota ao pé do post: Quero dedicar este post a duas pessoas. Uma delas é dom Alejandro, "mi abuelo", que não está mais entre nós fisicamente, mas nos acompanha na memória e no coração de cada um. E musicalmente falando, ao Dany, meu sobrinho e parceiro na música. Dany, para vos, un grito de METAL del fondo del alma! \m/ \m/


Sunday, February 7, 2010

Fazendo Turismo

Não sei se repararam, mas o mês de Janeiro foi um dos mais ricos no blog na questão de conteúdo e pesquisa. Foi um mês onde falei de Mordred, de Morgause, de Morgana e Guinevere, contando o que deve ser o surgimento destes personagens, sua orientação na história, as mudanças de cada um e outros detalhes obscuros.

Gosto quando consigo passar conteúdo assim, detalhado. Mas o blog não é só isso, e quem acompanha desde o começo sabe que eu afirmo que o Arthur é pop. A lenda arturiana influencia um bocado de pessoas até hoje, e assim surgem novas histórias, outros roteiros, e algumas coisas que não tem nada a ver com literatura (nem que a farinha King Arthur, procurem no google).

Como estava dizendo, o blog surgiu com o objetivo de trazer a lenda arturiana de um jeito informal, contando não apenas fatos históricos e literários, mas também curiosidades de algum modo relacionadas com a história. Assim, surge o primeiro post "popular" de 2010.

Era um sábado qualquer, desses que cai uma chuva chatinha. Pegamos o carro, e fomos fazer pesquisa de campo... em Jundiaí, SP. Mas, dirão vocês, o que pode ter de arturiano em Jundiaí?

O motel Excalibur!

Chegando em Camelot

Foi uma viagem péssima. Chuva, trânsito na estrada, nenhuma placa, e até o GPS do celular não conseguia se orientar. Para quem quiser ir, vale dizer que é ruim de achar. Vão com tempo, porque encontrar a saída para a estrada velha de Campinas é ruim. Até no site do motel não há instruções de como chegar, só deixaram um "paste" do google maps com a localização, que por sinal está errada. O motel é mais embaixo. O que o mapa marca é um estacionamento de caminhões, não lembro agora de qual empresa.

Bom, a questão é que com vento a favor achamos o lugar, e a vista da estrada me fez rir. É literalmente um castelo, no meio das serras que cortam nossas estradas. Como não dá para dirigir e tirar fotos, somente conseguimos parar no portão, com direito a portículis e tudo!


As suítes tem nomes nada sugestivos sobre o tipo de quarto, mas isso é de praxe de qualquer motel. Ainda assim, todos os quartos seguem a tematica arturiana, e assim encontramos suítes como Merlin, Avalon e etc. Escolhemos o quarto que supomos deve ser o mais luxuoso para duas pessoas, a suíte Excalibur. Tem outra superior, a Excalibur King, mas essa é para mais de dois ocupantes.

O pátio interno é muito bonito, tudo com tijolo aparente, e decorado com estátuas e plantas. Não deixa de ser fake, mas é quase impossível evitar um sorriso ao ver o capricho da decoração. Mas a maior surpresa foi ao chegar à garagem e baixar o portão. Uma grade de ferro servia de garagem, dando visão à parte baixa do quarto, onde fica a piscina aquecida, a hidro e sauna. Tudo de muito bom gosto, devo dizer. Subimos a escada, e o interior do quarto acompanha o visual de paredes com tijolo aparente, e em algumas partes pedras e lajotas. E no fim da escada, rodeada por colunas, a cama. Octogonal.


As fotos não conseguem mostrar, mas é tudo muito lindo, de muito bom gosto. Em volta à cama, estão as colunas, uma mesinha com suas cadeiras, um banheiro, ducha para dois, e outra escada que dá acesso à piscina, hidro e outras coisinhas. Este mezanino serve de terraço interno, dando uma vista ótima da suíte inteira.

Estas fotos mostram a hidro na base da escada, e a piscina aquecida. Por cima da piscina, há um vitral montado em trilhos, com o que é possível abrir o mesmo para receber o sol do meio-dia. Como estava chovendo um pouco e não era meio-dia, abri um pouco para clarear o quarto para tirar as fotos, e depois fechei. Todas as áreas desta suíte são encantadoras.


Nesta foto aparece o chuveiro para dois. A decoração no vidro e as paredes é ótima. Sei lá, eu sou suspeito porque curto esses ambientes, mas achei tudo muito aconchegante.


Nesta última foto, alguns destaques da decoração, como as lâmpadas em suportes simulando tochas, o espelho na cama, e por cima o teto abobadado de tecido. Há janelas falsas em diversos pontos, com lâmpadas por trás para criar ambiente, e muitos enfeites nas paredes e no teto. E até a porta segue estes desenhos. Tudo combina, se encaixa, faz parte de um conjunto bem bolado.

No começo do ano tentei contatar o pessoal do motel, mas não obtive resposta ao mail que passei. É uma pena, porque queria perguntar ao dono se curtia de fato a lenda arturiana, como teve a ideia, coisas do tipo. Por isso o post vai ter que ficar assim, apenas com a visão que tive como "cliente", e fico devendo a parte mais jornalística da coisa.

Se recomendo? Sim, com certeza! O único porém é a localização, mas fora isso achei tudo excelente, da infra até o atendimento e o cardápio. Tinha até brócolis, olha só!

Quem procurar na internet, vai encontrar dois motéis diferentes, o de Jundiaí e outro em Atibaia. A diferença dos sites é impresionante... Aliás, o que vocês acham? Devo ir até Atibaia para checar o outro? Posso estar enganado, mas achei tão pobrinho... Sinceramente preferia ir nesse Excalibur daqui.

Até a semana que vem!