Sunday, June 24, 2007

O Começo de Tudo - Os Grandes Autores.

Bem falava uma marcha de carnaval, "desde os tempos mais primordios...", tudo tem um começo. E este é o começo do meu blog poliglota, embora com um assunto pouco explorado no mundo dos blogs; trata-se das lendas arturianas.
Entenda-se por lendas arturianas todas as historias em volta do Rei Artur, Gueinevere, Merlin, a távola redonda, Lancelot, a cidade/estado/castelo de Camelot, a dama do lago, Excalibur... Eu sempre tive interesse pelas lendas arturianas, mas foi minha vida ao Brasil que promoveu o tempo e curiosidade que faltavam para ter acesso a uma miríada de livros, em começos de 1999. Sim, estudo as lendas arturianas literalmente desde o século passado.
Oito anos se passaram, e de uns bons tempos pra cá, a sociedade mostrou um interesse renovado pelas lendas arturianas. Curioso ou não, não é a primeira vez que isto acontece; a sociedade desde que existe sempre enfrentou problemas, e buscou nas artes o consolo contra a violencia, a injustiça, os problemas sociais.
O rei Arthur e o reino de Camelot aparecem repetidas vezes na historia como fonte de inspiração de ideiais altruistas. Um governo justo, que premia que trabalha e onde não abunda mas também não falta; pessoas e especialmente cavaleiros de gentileza sem par, sempre dispostos a enfrentar todas as adversidades para ajudar ao próximo, e que sofrem humanamente como qualquer um de nós; historias mitologicas que fascinam igualmente crianças e adultos; romantismo que nenhuma novela consegue igualar sem ficar banal.
Foi assim que diversos autores escreveram (geralmente apadrinhados por pessoas com poder, como baronesas e imperadores) as histórias que conhecemos hoje. Embora a idéia mais popular está associada a cavaleiros medievais, armaduras, vilarejos e até dragões, a maioria os personagens somente foram incorporados à lenda nos últimos séculos. Cronologicamente falando, a historia mais conhecida hoje é a divulgada, escrita e compilada por Sir Thomas Malory, autor inglês do século 15. Sua obra ganhou o nome de "A morte do rei Arthur"; mas ironicamente, é a historia que trouxe vida nova as velhas lendas. A vida de Malory foi bastante conturbada; além de ter uma ficha corrida respeitável, parte de sua obra foi escrita dentro da prisão. Talvez seu nome fez justiça à vida que teve, pois a sobrenome Malory vem do latin, em uma expressão que podemos traduzir como "mal agouro". Mesmo assim, foi ele quem acrescentou mais detalhes às já ricas historias do rei Arthur, com boa base nos textos de um escritor bem anterior, no periodo medieval: Chretien de Troyes, no século 12.
Eu gosto de colocar Chretien de Troyes como o mais inspirado autor de lendas medievais em volta do rei Arthur; foi ele quem escreveu pela primeirissima vez sobre:

  • o affair entre Lancelot e Gueinevere,
  • a busca do santo Graal, e Perceval como seu protagonista,
  • Tristão e Isolda,
  • A dama do lago,
  • ...

Ele deve ter sido muito, muito popular no século 12, porque muitas cópias do seu trabalho sobreviveram até hoje nas mais diversas traduções.
É curioso perceber que a revitalização ou o ressurgimento das lendas arturianas acontecem em periodos bem distantes da historia, as vezes com até 300 anos entre uma aparição e outra. A dúvida é, quando começou mesmo? Teve um Arthur? Se tanto Lancelot quanto Gueinevere são invenções de Troyes, o que sobra de retalhos na realidade? Onde fica Camelot?

Autores pela velha Europa inteira fazem do Arthur seu simbolo heroico nacional. Ingleses, Franceses, Irlandeses e até Alemães proclamam o Arthur para si; não vejo problema nisso, a historia é grande e quanto mais pessoas lembrem dela, melhor poderemos preservá-la para o futuro.

Até aqui uma "pontinha" do que também quero preservar :-)

Obrigado pela leitura!!

No próximo capitulo: "As lendas atuais, para bem ou mal..."