E com o fim das Olimpíadas, o grande dragão vermelho volta à normalidade. Mas não, meu blog não é lugar para comentar olimpíadas nem muito menos falar do regime comunista na China, meu lance é outro, assim que vamos para outro dragão vermelho... Vamos ver quem prestou atenção aos países participantes das olimpíadas, e reparou nesta particular bandeira:
Então, quem não viu a bandeira na cerimônia de inauguração dos Jogos em Beijing não precisa se preocupar, porque Wales (ou aqui chamado País de Gales) não participou das Olimpíadas. Mas uma coisa posso afirmar, a bandeira não é montagem, é essa mesmo!
Y Ddraid Goch
O palavrão acima não quer dizer outra coisa que "O Dragão Vermelho", e além de ornamentar a bandeira oficial de Wales desde 1969, é provavelmente o dragão mais famoso em toda Grã Bretanha (o conjunto de países na ilha maior, junto com a Inglaterra e a Escócia).
Este dragão faz parte da própria história de Gales há muitos séculos, provavelmente desde o Império Romano na ilha. Lembram o texto do livro que comentei no post passado? Então, a cavalaria romana usava estandartes e bandeirolas, e uma delas em particular era a cabeça de um dragão feita em metal, com o corpo tubular continuando onde seria o pescoço, como se fosse uma meia enorme. Com o vento, este tubo enchia e tremulava, fazendo um barulho muito particular vindo de um apito instalado ou bem na boca do bichano ou no fim do meião; este mesmo "Draco" enfeitava os escudos e armaduras dos soldados da cavalaria, entre 250 e 400 DC.
Como a história já é sabida, os romanos deixaram a ilha, mas o dragão ficou, e foi adotado por alguns governantes como o rei galês de Aberffraw como símbolo de poder e autoridade. O mesmo dragão deu origem ao nome Pen Draig... sim, Pendragon. Cabeça de Dragão, ou Dragão Chefe.
Lendas Urbanas
A mais antiga lenda Galesa sobre este dragão se remonta ao conto de Lludd e Llefelys, reis e irmãos que reinavam Bretanha e França respectivamente.
Lludd estava com uns rolos na Bretanha, e pediu ajuda ao irmão; o lance era que entre outros problemas resolvidos sagazmente pelo irmão nem que o Enigma da Pirámide (aliás, um dos maiores espóilers da sessão da tarde apenas no título), o Lludd tinha problemas com gritos que espantavam crianças, mulheres, animais e plantas (só não diz se era nessa ordem, mas provavelmente). Mais tarde o Llefelys descobriu que a causa eram dois dragões briguentos, e deu a solução para Lludd: cavar um buraco enorme no meio da Bretanha, mais precisamente em Dynas Emrys, Snowdonia, e cobrí-lo com tecido para fazer uma armadilha formidável. A brincadeira deu certo, e os dragões caíram e ficaram enterrados lá, sem assustar mais ninguém, nem as plantas.
Por incrível que pareça, o bom e velho Nennius no seu Historia Britonum de 833 DC decidiu retomar esta história, fazendo o Rei Vortigern construir um castelo que desaba exatamente neste ponto... Essa história eu já contei, e foi aqui, quando falei de um certo velho simpático. E mais uma vez, nosso Arthur se vê no meio da bagunça.
Quem tiver a oportunidade de ir para Gales, me mande uma foto da prefeitura com essa bandeira... As vezes acho que nasci no lugar errado.
Ah, meus agradecimentos e link da semana vão para o site da BBC, do qual peguei a maior parte das informações que trouxe hoje.
Até a semana que vem!!