Hoje trago a vocês o que podemos chamar a continuação do post sobre "El Príncipe Valiente" de Outubro do ano passado. Ao ler novamente esse post, percebi que mesmo um ano atrás o Prince Valiant já era meio fujão, ao menos no quesito informações sobre ele. É um personagem nascido como gibi e inspirado na lenda arturiana; para não reescrever tudo de novo deixo o link do post antigo aqui. Só lembrem de voltar pra cá depois!
Aos que foram, que bom que voltaram. Aos que ficaram, bom... suponho que já sabem quem é Valiant, né? Voltando a esta saga de posts sobre filmes, hoje a edição é dupla, já que vou falar de DOIS filmes do Prince Valiant, nosso herói de cabelinho chanel. Quase um He-Man, só que moreno. E medieval.
Para quem quiser ver a ficha técnica dos filmes, é só clicar no link do IMDB no título.
Prince Valiant (1954) (imdb)
Muito bem, este filme foi bastante esculachado pelos seguidores do gibi, já que se inspirou nos nomes dos personagens e alguns pontos da história para criar uma outra versão, bastante cinematográfica porém incorreta desde o ponto de vista do gibi. Para começar, Valiant não sabia que era príncipe no gibi, enquanto no filme a primeira cena já mostra ele como filho de reis exilados, vivendo com os pais. Digamos, já começou chutando o balde. Pra mim, que não li o gibi (ainda), olhei a mudança com bons olhos, e deu um sentido diferente e uma explicação coerente para a coragem e força de Valiant como personagem. Só vendo o filme para entender melhor o que estou querendo dizer, mas eu acredito mais em um herói com motivos do que em um que nem sabe quem é direito. Claro, não podemos esquecer do encontro épico de Luke e Vader, mas isso é outro filme. Neste caso basta saber que o jovem Valiant vai para Camelot para se tornar cavaleiro e recuperar as terras da Escandinávia, de onde seus pais (legítimos reis) foram destronados pelo vilão Sligon. Os pais dele e alguns poucos seguidores se refugiaram em uma costa distante da Inglaterra, onde Sligon não conseguiu seguí-los nem encontrá-los.Uma coisa bem legal de ambos filmes foi começar com desenhos do próprio gibi, no típico estilo de desenho da época. Lembra o traço do Flash Gordon. Mas acho mais legal ainda como nossa percepção das coisas muda; ver as fantasias de viking que parecem compradas na 25 de Março, com chifrão de "prástico" e os chroma keys com fundos pintados tem um sabor cult, até kitsch. Nessas horas é muito bacana ver a total falta de digital FX.
O primeiro encontro de Valiant com os cavaleiros da távola redonda ocorre de maneira desastrada, onde ataca sem querer o Gawain (quem mais tarde se tornaria seu maior aliado). Olha só:
Depois de ver essa cena lembrei do Felipe Massa. Mera coincidência.
Bom, mais um par de detalhes que posso compartilhar com vocês. Logo no começo aparece um tal de Sir Brack, que nunca ouvi falar em lenda nenhuma, e para quem tem meio dedo de malícia saca logo que ele é o vilão. E depois que abre a boca fica mais obvio ainda.
Neste filme temos duas mocinhas, uma loira e uma morena, que são irmãs e ficam trocando de mãos entre Valiant e Gawain até o fim do filme. Não vou comentar os lances românticos, mas são de bom tom e bastante divertidos.
O filme é predecível, porém divertido. Tem muita ação real, muitas lutas bem convincentes, sem efeitos especiais; rende uma boa sessão da tarde. Particularmente a cena do torneio, que é muito boa de assistir, ao ponto de esquecer o datado que é o filme. É uma verdadeira cena clássica, timeless até.
Um ponto à parte são as acrobacias do Valiant; são bem temerárias, e lembram o jogo Prince of Persia, com todas suas macaquices e pulos.
Na minha opinião, a queda do castelo do Sligon é muito bacana, porém podia ser mais curta que não afetava em nada. Já a batalha final entre Valiant e Brack é dinâmica, convincente, e faz jus ao filme. Um bom final, sem beijos nem nada.
Curiosidades à parte, no primeiro filme o dragão símbolo de Camelot parece um pato mal desenhado, enquanto no segundo filme a familia de Valiant usa um cavalo como símbolo, que lembra o dragão do Mortal Kombat. Algumas vezes me pergunto até que ponto dá para encontrar referências obscuras...Vamos para o mais novo filme!
Prince Valiant (1997) (imdb)
Nesta versão a coisa muda, mas ainda é mantido o começo com imagens dos quadrinhos, bem dinâmico por sinal.Neste caso aparentemente respeitaram muito mais os gibis, só que isso trouxe novas perguntas, ou por dizer assim, coisas que deixam contrariado qualquer arturiano como eu. Segue a frase que falei em voz alta enquanto assistia o filme, logo no começo:
- Hein? Comé? Morgana? Em Thule? Terra de Vikings? Exilio? Perai...
Por falar em Morgana, até que gostei dela no filme. É bem bruxa clássica, vilãzona mesmo, só acho que tinha que ser um pouco mais chapadona, mas maluca das idéias, mais desgovernada. Não tanto quanto a Belatrix do Harry Potter, mas encaixava.
Temos também outro mago, o Merlin, que até aparece com o mesmo capacete do filme Excalibur que já comentei. Ele aparece muito brevemente, e não aporta nada (até porque está morto...), mas quero dizer que não influencia absolutamente em nada. Nem menção dele depois dessa cena. Mais uma referência obscura para o caderninho...
Bom, a questão é que tudo gira em volta do roubo de Excalibur, a espada de Arthur. Tudo foi forjado pela Morgana e seus aliados (?) vikings, que se fantasiaram de escoceses para dar a pista errada e provocar uma guerra entre Arthur e as terras da Escócia. Mas como todo mundo é muito espertinho, logo percebem e vão atrás dos Vikings, graças ao Valiant. Excalibur tem neste filme um papel meio parecido com o do "The One Ring" do Senhor dos Anéis, já que quem tiver a espada pode governar os outros.
Neste filme o Valiant não sabe que é príncipe, e descobre isso pelo meio do filme; ele não conheceu seus pais, já que um Viking chamado Boltar (braço direito do rei viking pai de Valiant) o levou até Camelot quando ainda era uma criança, para escondê-lo de Sligon, o vilão.
Outra diferença forte com o primeiro filme é que a cena onde Valiant se faz passar por Gawain é logo no começo, sem maior introdução nem nexo com qualquer outra coisa. No mesmo embalo é que Athena, princesa da vez e sem irmã, se encanta por Valiant achando que é Gawain, mas finalmente o aceita mesmo sendo um mané. Tudo bem, depois vira príncipe, mas quando o conheceu era um mané mesmo.
As trocas de cena no filme são muito, muito legais. Eles usaram os próprios quadrinhos do Foster para fazer as emendas de cenas, contando o que acontece nas narrações; este recurso foi bem explorado, e combinou muito bem com o tom adolescente do filme.
Conclusão
Tem algumas coisas no Valiant que lembram o "Coração de Cavaleiro", já que temos um escudeiro que se faz passar por cavaleiro pelo amor de uma mocinha, que por acaso é princesa. Mas até aí chegam as comparações, já que o Valiant se sustenta como conto por si só, trazendo personagens curiosos, até estereotipados de gibi.
Ambos os filmes tem um apelo jovem, uma história simples que encaixa bem em qualquer sessão da tarde. Crianças e adolescentes que curtem gibis vão gostar dos filmes; claro que os que conhecem o gibi do Valiant vão apontar um bocado de erros, mas isso sempre fez parte das adaptações de um meio para o outro, seja filme, seriado, teatro ou qualquer outro.
Quem for ver algum dos filmes, não esqueça de voltar e comentar!
Até o próximo post!
