Sunday, April 17, 2011

Nas Terras do Rei Arthur - Parte 3

Este post é continuação de um post anterior, portanto, se você não viu o que está rolando, veja o post anterior neste link.

Estou no trem, e finalmente a paisagem aparece na minha frente. Típicas casas inglesas, de tijolinho aparente e poucos andares, e telhados divididos para comportar a neve. E no fundo, quase sem perceber, vejo a bandeira do país e o London Eye, ficando acima de todos os prédios e construções. Sem saber ainda, eu me convenci de que se tiver o tempo passaria pelo London Eye na volta, já que não parece tão longe da estação de Waterloo. De fato, depois descobri que é bem perto, não mais de 10 minutos de caminhada. 


O trem seguiu seu curso. Para minha surpresa, o trem era fabricado pela Siemens, coisa que não esperava encontrar no Reino Unido. Pelo jeito, a Europa é bem mais globalizada do que eu pensava.
Vou aproveitar que estou no trem (quer dizer...  pensem que estou no trem) para mostrar dois endereços que são cruciais para planejar uma viagem pela Inglaterra. Tanto o trem quanto o metrô são maneiras bem rápidas e eficientes de se locomover para qualquer canto; no caso de outras cidades, ainda tem a opção do onibus, mas dependendo o horario pode ser até mais caro, e sem dúvida vai ser sempre mais lento.

O primeiro endereço é o da National Rail. Esse site é simplesmente perfeito, e consegue planejar todos os destinos e trocas de trem necessárias para chegar a qualquer lugar, falando todos os preços e horarios. Foi meu agente de viagens pessoal, para todas as situações. Tem também uns mapas fantásticos, como este aqui com todos os trens da região suleste. Eu usei a linha em vermelho para todas minhas aventuras.

O segundo link que quero mostrar é o do metrô de Londres, o "Tube". Na parte do Getting Around podem encontrar mais um monte de mapas, tanto do metrô como dos onibus, trams e balsas no Thames. É bem legal, e vale imprimir cada mapa e carregar na mochila.

Ok, enquanto distraía vocês com os sites, chegamos em Winchester. As paisagens que vi no trem foram lindíssimas, muitas plantações e bosques, muito verde intenso cortado por grandes florestas. Fica fácil entender de onde Tolkien tirou suas idéias para a Terra Media.

Uma curta caminhada pelas ruas de Winchester (perfeitamente sinalizadas) e chego no grande salão do castelo de Winchester, um dos maiores expoentes dos salões de século 13. 


Este salão pertence às gigantescas obras de reparação do castelo que fora do William o Conquistador (1066-1087), onde após os reparos ficou como grande salão  do conjunto de prédios do que faz parte hoje. Estes reparos aconteceram entre 1222 e 1235.

Entrei no salão, e chorei. Sério. Lá estava eu, dentro do grande salão do castelo, rodeado de pedras que viram séculos. Colunas massivas sustentando o teto. Vitrais maravilhosos, com os escudos de cada estirpe real. Portões de metal pesado, gigantes, reluzentes peças de metal retorcido. E lá, na parede,estava ela me esperando desde que falei pela primeira vez em 2007. A távola. 


Eu podia gastar mais palavras agora, mas para quem tiver curiosidades sobre a távola, suas origens outros detalhes peço para ver meu post de 2007, ou mesmo o site oficial do castelo de Winchester. Agora não tenho condição de falar sobre esses detalhes. Estou honestamente emocionado. 

Mais algumas fotos, para vocês sentirem o drama. Olha esses portões, e me digam se não são fugidos de algum livro do Tolkien. É tão Mordor...



A parede tem incontáveis nomes pintados, como se fosse uma grandiosa árvore genealógica. Olha só o tamanho das colunas:


As fotos mal conseguem mostrar o glorioso que é esse lugar. Mesmo vazio, impõe um respeito incrível. Para cada canto que se olhe, há alguma maravilha para se admirar. Olhem os vitrais.


E mais uma vez, a távola.


Que dizer... Es hermosa. No tengo palabras en otro idioma que describan lo que sentí.

Finalmente, me despedi da távola e do grande salão com a promessa de voltar. E deixei minha lembrança também, como não podia ser de outra maneira.


Ainda não foi para o livro, mas já está no blog. Na semana conto um pouco mais, subo algumas fotos no FB para que vejam, e os deixo com esse gostinho de quero mais para o próximo post. Voltei para a estação, embarquei para Southampton, e de lá para Salisbury. E para Stonehenge.

Até o próximo post!

Saturday, April 16, 2011

Nas Terras do Rei Arthur - Parte 2

Este post é continuação de um post anterior, portanto, se você não viu o que está rolando, veja o post anterior neste link.

Voltando a assunto, meu vôo saiu pontualmente às 16:15 no 3 de Abril, domingão. O vôo estava tranqüilo, com bom espaço gente que conseguiu deitar ocupando 4 poltronas lá no final do avião. Logo de cara olhei a programação de bordo, e assisti na telinha do assento "The King's Speech", que é um filmão. Detalhe: assisti sem legendas. Inglês británico de meados do século 20, com vocabulário extraordinário e pomposo, expressado na voz de um tartamudo. Era isso que precisava para abrir a cabeça e me preparar para o que vinha. Eu peguei corredor (como em toda viagem atlântica), e na janela vinha um carinha que falava mole. Bem apessoado até, mas falando mole. Duas possibilidades: ou estava bêbado, ou tomou alguma coisa para apagar no avião por cagaço de voar. O fato é que ficou com a janela aberta, um sol fortíssimo por cima das nuvens na cara, e dormindo, apagadaço. Logicamente, acordou por volta das duas da manhã, pilhado de tanto dormir, e ligou o notebook. Era um iMac com a tela estúpidamente brilhante. Ficou no Word (ou coisa parecida) escrevendo um monte, iluminando o avião inteiro com esse negócio, enquanto as pessoas tentavam dormir, do jeito que dava. E eu com esse refletor me apontando.

Tempo depois, parei de ouvir o teclado, mas a luz continuava. Virei para ver o que estava rolando; achei que o sujeito tinha dormido com a máquina aberta, mas aí vi o que era. iTunes. É. Qualquer pessoa normal ia optar por ouvir o som da rário do avião, ou usar o celular o mesmo qualquer player de bolso para ouvir músicas. Mas não; meu coleguinha de banco precisava um iTunes de 15 polegadas ligado no meio da noite para ouvir suas músiquinhas. Cansei, levantei, e fui bater papo com os comissários de bordo.

Eles, super gentis, me deram um bocado de dicas sobre a cidade, e lugares que podia visitar perto de Milton Keynes. No fim não visitei nenhum deles, mas para não esquecer do Dave vou dizer que era comissário británico muito simpático, e que era a cara do Matt Parkman (gordinho do Heroes que lê mentes), ou mesmo do piloto de avião que morre pelo Lostzilla. Bom que era só comissário e não piloto, senão ia me preocupar seriamente com o rumo do meu vôo.

Cheguei em Heathrow no terminal 5, descemos na pista, e fazia 10 graus. Clima bom, gosto desse friozinho de manhã. O onibus nos levou até o terminal, e lá que tomei um susto. Passando junto com os outros passageiros, um policial me segura firme pelo ombro e me puxa pra fora da fila. "F...deu", pensei.

Perguntas básicas, e eu nervoso pela fama da Inglaterra devolver gente. Respondi tudo com o melhor inglês que podia (que não é ruim, mas ficando nervoso custa pra sair). No fundo, acho que ia ficar nervoso respondendo em qualquer idioma mesmo. Subitamente, vieram duas palavras para minha mente, que foram a chave de passagem: "Bussiness Trip". Com isso fui liberado imediatamente, com um "Thank You for your cooperation, and sorry for any inconvenience" (Obrigado e desculpa qualquer coisa, viu?). Claro, a partir desse momento e até sair do aeroporto, nem respirava mais. Devia estar pálido, provavelmente. Coloquei o fone de ouvido, espetei no celular, e nem liguei o som. Fiquei mexendo no aparelho para pegar sinal de celular. Guardei no bolso. Pensava, "esse cara com certeza me marcou. Vão me deixar passar para me pegar depois. Vou me ferrar.". A fila andou, e chegou minha vez na imigração. Dei o sorriso mais cara de pau que dei na minha vida para a moça, junto com meu passaporte e um "good morning". Me perguntou as mesmas coisas, respondi de novo, "bussiness trip". Me perguntou onde ia ficar, e falei que ia passar um dia em Londres, e depois ia para Milton Keynes, onde era o "meeting". Quantos dias vou ficar, etc, etc, mais um par de perguntas, folhou o passaporte. Falando nisso, meu passaporte é horrível por ser feito no consulado, tem toda a cara de ser falso, mas por sorte já tem carimbos da Alemanha e França, e isso dá um pouco de credibilidade.

Finalmente, achou um espaço em branco (que não é para os vistos nem carimbos, é o espaço para renovações), e meteu o carimbão. Eu olhei o passaporte, agradeci e sai para buscar minha mala. Ufa.

Peguei a mala, e faltava passar pelo último controle. Uma japinha com um cachorro grande, não lembro o nome da raça mas é um cão de caça, do porte e tamanho de um Golden Retriever, só que com orelhas compridas como as de um Cocker Spaniel. Sempre aparece nos filmes quando caçam patos, ou até no joguinho do Duck Hunt.

O cachorro me cheirou, cheirou minha mala, e passei. Estava indo e voltei dois passos, para perguntar o nome do cachorro. Rocko. Cumprimentei o Rocko, e deixei ele me cheirar de novo, agora na amizade.

O aeroporto é gigante, e por sorte (ou experiência?) me orientei muito rápido. Achei o locker, que na verdade é um storage de bagagem pago (foi 8 libras por um periodo de 24 horas), onde escaneiam a mala e perguntam algumas coisas sobre os eletrônicos ou qualquer outra coisa que acharem durante o scan. Larguei os dois notebooks na mala grande, e fiquei somente com a mochila quase vazia, um caderninho, caneta, documentos, grana, as cameras de foto e o agasalho. O lance era viajar o mais leve possível, nada de ficar carregando coisas que não precisa.

Peguei um ticket de metro para as áreas 1 até 6 (sistema bem parecido ao da Alemanha), e fui até a grande estação de trens de Waterloo. Até então, tinha visto quase nada de Londres, fora trilhos e gente vestida quase que de qualquer jeito. Por sinal, gostei disso. Acho bom esse lance de cada um na sua, todos convivendo pacíficamente. Falando nisso, tinha dois tipos de pessoas: as que lêem revistas ou jornais, e as que escutam mp3. Para me enturmar, fiquei com o fone de ouvido na orelha, mesmo que desligado. Tinha um mundo novo de coisas para ouvir e aprender à minha frente, e não ia jogar isso fora.

Eram as 9:50, sai do metrô e segui as escadas até Waterloo Station. Esta estação é responsável pelo atendimento do sul/suleste do país, exatamente o rumo que pretendia seguir.  Fiz um par de perguntas de turista perdido nas cabines, e comprei meu ticket para Winchester.

O trem saiu exatamente às 10:05, e foi só então que comecei de fato a vislumbrar o país onde estava. E sorri. Estava na Inglaterra.

Daqui a pouco escrevo mais. Estou a caminho de Winchester.

Monday, April 11, 2011

Nas Terras do Rei Arthur - Parte 1

Finalmente e de forma completamente inesperada, o destino brincou ao meu favor e me vi com uma passagem para Inglaterra nas mãos. Me lembrei do Uthred, personagem principal das Crônicas Saxônicas de Bernard Corwell, contando como as fiandeiras do destino (as Norns) teciam as raizes de Yggdrasil, a árvore da Vida da mitologia nórdica. Segundo a mitologia nórdica, são elas que entrelaçam e desfazem os nós nas raizes de Yggdrasil, e assim a vida vai tomando rumos que nunca podemos prever, mas que estão escritos. 

Como várias outras vezes, surgiu a possibilidade de uma viagem para Alemanha, que foi se atrasando e atrasando por falta de hotéis e passagens. Tudo para um workshop, um encontro de trabalho com outras pessoas de vários paises. O fato é que por questões de agenda, acabaram marcando esse encontro a partir do 5 de Abril, com data para acabar no dia 8. Eu respirei aliviado, porque estava com receio de perder o show de U2, marcado para o dia 9 e com ingresso na mão fazia meses. O que não calculei e foi completamente inesperado foi a mudança do destino para Inglaterra, já que ficava mais fácil conseguir hotel e reservar para o evento. 

Quando soube, comecei a me apavorar. Será que eu ia viajar, ou colocariam outra pessoa? Será que aprovariam a viagem? O fato é que até quatro dias antes da viagem, eu não tinha a confirmação da minha ida, nem passagem, nem nada. Foi tudo às pressas. Detalhe: teria a segunda-feira livre, já que chegava em Londres na segunda-feira bem cedo, e o evento era só na terça, em outra cidade a uma hora de viagem. Assim, sabendo desse dia livre, comecei a bolar o plano mais ambicioso que se pode montar em apenas um dia. 
Então, a primeira pergunta que me fiz. Onde vou? O que posso fazer em um dia?

Sem conhecimento algum da geografia da Inglaterra, comecei a estudar o mapa, buscando lugares que lembrava da lenda arturiana, e ver quais as chances que teria de visitar os lugares. Isso envolve a logistica do transporte, a grana necessária, o tempo que pode levar para ir e voltar e ainda ver se o local estaria aberto. Então, a primeira coisa que fiz foi olhar na internet alguns mapas políticos da Inglaterra. E vi que é uma verdadeira bagunça.

Inglaterra é dividida mais ou menos em 80 condados. É isso mesmo, OITENTA. Imaginem decorar os estados do Brasil, ou as províncias da Argentina, só que no lugar das 20 e poucas são 80. Detalhe: comecei a dar zoom no mapa, e vi os nomes. Tinha um monte de Sei-Lá-O-Quê-Shire. Hamptonshire, Birminghamshire, shire, shire, shire. Vou me perder como um otário, pensei. Aí afastei o mapa, e procurei primeiro Londres (no meio do reino, um pouco para abaixo), e procurei Milton Keynes, a cidade onde ia passar os dias do workshop. Milton Keynes fica bem no meio, em uma divisão do mapa que se chama oportunamente de Midlands (terras do meio, ehem..). Ao pesquisar sobre Milton Keynes, descobri que era uma cidade bem nova, fundada em 1971 e inspirada na americaníssima Los Angeles. Ou seja, nada nem remotamente histórico na cidade, nem realmente inglês (salvo a mão das ruas, que é bem perturbador para quem está habituado com vías na mão direita).  

Assim, comecei a pensar... Deixa ver... Onde posso ir? Ou melhor, onde gostaria de ir? O que quero visitar? O que é genuinamente arturiano?

A primeira cidade que me veio à mente foi Glastonbury. Glastobury é fundamental na lenda por ser o lugar de descanso final de Arthur; embora a lenda diga que foi em Avalon, há razões para pensar que Avalon na verdade seja uma região de terra que eventualmente fica ilhada por causa da maré, enquanto em outros momentos fica rodeada por terra por todos os lados. É uma ótima maneira de disfarçar uma ilha... O lance é que Glastonbury e sua catedral (hoje em ruinas) é o lugar onde foi achado um painel falando que era o túmulo de Arthur e Guinevere, e alguns metros abaixo desse painel foram achados dois corpos enterrados, de um homem e uma mulher. Estes corpos sumiram em determinado momento, mas até hoje tem visitantes que levam flores às ruinas, onde resta uma pequena placa com o nome do lendário rei. Só tinha um problema: Glastonbury é longe demais de Londres, e fica completamente fora de mão. 

Mudando de idéia, lembrei de Tintagel. Já que não poderia ver onde terminou a vida de Arthur, por quê não ver onde nasceu? Tintagel era o castelo a beira-mar do Gorlois, marido da Elaine que posteriormente viria a se tornar mãe de Arthur, filho de Uther Pendragon. Gorlois foi morto por Uther, e através de um feitiço do Merlin Uther tomou a aparência de Gorlois, e entrou não somente no castelo de Tintagel, como acabou entrando na cama de Gorlois e engravidou a Elaine. Tudo isto não foi apenas obra do acaso, mas um elaborado plano do Merlin. Essa criança não cresceria ao lado dos pais, mas seria levado para longe, onde seria descoberto como verdadeiro e único rei quando fosse o momento certo. Esse momento foi revelado com a clássica cena da Espada na Pedra. Então, Tintagel parece uma ótima opção, salvo por um detalhe: é ainda mais longe do que Glastonbury, afinal, é beira-mar, né?
Enquanto ia desanimando e perdendo as esperanças, senti um calafrio intenso, e uma faísca de memória estalou na cabeça. Inglaterra. Estou indo para Inglaterra. Terra antiga, envolta em brumas e mistérios. Fervilhando de lendas e lugares épicos. E entre eles, um dos maiores mistérios, não resolvido até hoje, e que provavelmente fique sem resposta até o fim dos dias. Stonehenge.

Comecei a pesquisar. Horários, cidades, transportes. E descobri, já radiante de alegria, que Stonehenge fica em Salisbury, apenas a duas horas de trem de Londres. Vitória. Finalmente tinha um destino.

Como um turbilhão, outra memória veio à cabeça, e comecei a pesquisar no blog. Encontrei o que buscava e, para meu fascínio, ficava na cidade de Winchester. Onde fica Winchester? Exatamente a metade de caminho entre Londres e Salisbury. E eu tinha um plano nas mãos.

Busquei mais informações, pesquisei trens, horários, combinações, e tudo foi se encaixando. Fui meu melhor agente de viagens. Tudo funcionou à perfeição, tudo conforme ou até melhor do que esperado. Tudo o que me propus a fazer, fiz. E um pequeno diário de viagem registrou cada momento, junto com a câmera de fotos, que não saiu do meu bolso nessa longa e intensa segunda-feira.

Esse caderninho me acompanhou em cada trem, em cada parada, e tem nele cada palavra. É o primeiro registro de cada emoção, de cada experiência vivida nessa viagem.

Mas, o que tinha em Winchester? Conto no próximo post.

Monday, April 4, 2011

Turismo

Adivinhem onde estou?

Como disse, voltei. Me aguardem, tenho MUITO para contar.

Sunday, March 27, 2011

Faz tempo!

Faz tempo que não deixo nada por aqui. Para falar a verdade, nem o post do meu aniversário conta como post, até porque não falei do Romualdo, meu dragão florido. É mais ou menos como o Ferdinando, o touro que gostava de flores, só que é um dragão. Isso vou contar com mais detalhes em outro momento.

Tenho novidades, mas não vou queimar a notícia. Estejam atentos ao PRÓXIMO post. Estejam aware, como me disseram nesta semana durante uma reunião.

Eu v0ltarEi...

Sunday, March 13, 2011

Níver Arturiano

Hoje é meu aniversário, e logo o primeiro presente que recebi já era arturiano. Ou quase.

Inspirada nos cavaleiros da távola redonda, a Meg Cabot escreveu o livro "Avalon High"; ainda não li, mas posso adiantar que é uma história mais focada no público jovem e feminino, mas nem por isso vou deixar de ler. A linha principal é sobre uma garota que troca de escola, e vai parar na Avalon High. Lá ela conhece um rapaz, e fica com a sensação de conhecê-lo há muito mais tempo; o mesmo acontece com o rapaz. Aos poucos, a história deles se mistura com a lenda de Camelot...

Vou ler, e depois comento com propriedade.

Alguém aí já leu? Comentem!

Até o próximo post!

Sunday, March 6, 2011

Camelotz

Estava no sofá, e do nada me veio uma visão. Eu vi Thomas Malory aos empurrões no céu. Gritava:

- Me soltem! Me soltem! Vou puxar esses hereges até aqui para se explicar na minha frente!

Dois homens o seguravam pelos braços, enquanto esbravejava. Esses homens eram Chrétien de Troyes e Geoffrey de Monmouth. Falavam para ele, como quem explica para uma criança:

-Deixa pra lá, é assim mesmo... Uma hora você acostuma com isso. Olha pra gente... Na época nos também pensamos em te matar.

Provavelmente foi mais ou menos isso o que aconteceu na estreia do seriado "Camelot", cujo primeiro episodio foi ao ar lá fora pelo canal americano Starz.
 

A idéia era fazer um seriado baseado no texto do Le Mort d'Arthur, do Thomas Malory. Só que cabe mais a expressão inspirado do que baseado, salvo que baseado seja o item consumido durante a leitura do Malory para criar o script. Eu já estou um tanto escaldado com isso, depois de ter visto várias temporadas do Merlin da BBC deturpando a lenda, mas desta vez tenho que reconhecer que foram bem criativos.

Vamos começar citando alguns nomes, que ajudam a explicar o que podemos esperar do Camelot:
Entre os roteiristas, encontramos a Michael Hirst. Devemos a ele os filmes "Elizabeth" de 1998, e "Elizabeth: The Golden Age" de 2007, o que cria uma expectativa de grandiosidade no seriado, e especialmente um senso de exatidão histórica misturada a uma história belamente contada. Só tem um detalhe: ele também é roteirista do The Tudors, famoso pela riqueza do figurino, e pela ausência do figurino nas geralmente injustificadas cenas de sexo. 

Vou citar mais um nome, o Graham King. É um famoso produtor, reconhecido com um Oscar pelo seu trabalho no Os Infiltrados. Entre seus trabalhos mais famosos, quero citar O Aviador e Gangues de Nova Iorque; casualmente, os três filmes que citei dele tem o DiCaprio. Vou acrescentar à lista o filme The Young Victoria, para citar um filme de época.

O que pode sair ao juntar este pessoal? Fácil: a dinâmica do Aviador, a viagem histórica do Gangues de Nova Iorque e a suruba constante do The Tudors. Mais o menos isso. Entre as festinhas, vemos o Arthur pegando a namorada do Kay, e a Morgana traçando quem precisar para conseguir favores. 

O fato é que entre figurinos ricos e genitalia rebolante, assisti o primeiro episódio de "Camelot", minisérie que terá dez episódios.

Cabe lembrar que o argumento do seriado era contar o que ocorreu entre a revelação do jovem Arthur até a formação da corte de cavaleiros. Ou seja, teremos a oportunidade de conhecer os cavaleiros ao mesmo tempo que o Arthur, o que apela ao já super manjado recurso de "coloque um personagem desavisado para fazer as perguntas pelo público". Sempre dá-se um jeito de explicar o que está acontecendo.

O episódio começa com o Rei Uther dando uma festa, onde é chamado para avisar que recebeu uma visita. Esta visitante era Morgana, quem voltou do convento onde esteve "exilada". Depois de tomar um tapa do Uther, ela dá um jeito de envenenar o pai. Nessa cena, aparece um Merlin desaforado, meio Mad Max, que no lugar de salvar o Uther consegue descolar uma assinatura dele, reconhecendo "o menino" como filho legítimo. De posse desta carta, Merlin vai até o interior do país, onde recolhe o Arthur, que sem saber que era filho do Uther, morava desde que tinha apenas uns dias de vida sob os cuidados de Sir Ector, e tratado como irmão mais novo de Kay. 

Vou parar por aqui, apenas para comentar uma das mudanças mais graves ao texto do Malory. No lugar de uma clássica cena de espada na pedra, Arthur fica sabendo pelo Merlin que é filho do Uther dentro da barraca onde mora, na frente dos pais adotivos e do Kay. Foi nessa hora que o Malory deve ter surtado, seja lá onde ele estiver neste momento. Foi jogada fora uma cena tão épica como a da espada na pedra, onde o destino da Britania está por um fio, sem ninguém como rei e todos os inimigos do reino à espreita. 

A partir daí, seguem outras viagens no roteiro, muito mais elaboradas, como uma viagem do Merlin, o Arthur e o Kay para um castelo em ruinas, onde encontram os cavaleiros que eram fiéis ao Uther e juram seguir ao Arthur. Supostamente, este castelo vai virar Camelot em algum momento, só que fica à beira mar. Nisso tem uma confusão geográfica considerável; Tintagel fica de frente ao mar em um acantilado, enquanto não se sabe onde era Camelot, mas nunca foi citada como uma cidade costeira. 

Ainda vou tirar um tempo para falar dos atores, mas vou deixar isso para daqui a alguns episódios. Está cedo para saber no que vai dar.

Como encerrar este post? Apenas com um comentário: Vejam, assistam, e opinem! Veremos como a história continua nos próximos episódios.


Até o próximo post!